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Amazon lança Alexa+ em acesso antecipado na França com apoio da Mistral AI

Mulher sentada no sofá interagindo com assistente inteligente em uma sala iluminada com café e croissant na mesa.

A Amazon lança hoje o Alexa+ na França em acesso antecipado. Com a ajuda da Mistral AI, a empresa norte-americana promete inaugurar uma nova fase para o assistente de voz mais usado no país. Tivemos contato com a novidade em primeira mão.

Quase todo mundo já se irritou com um assistente de voz. Como outros produtos do setor, a versão anterior da Alexa seguia um modelo determinístico: era preciso falar as palavras exatas, na ordem certa, para chegar a um resultado minimamente satisfatório. Na prática, as limitações desse funcionamento empurraram milhões de pedidos para o frustrante “desculpe, não entendi”.

Ainda assim, os franceses aderiram em massa ao assistente da Amazon: a companhia afirma ter registrado 17 bilhões de interações na França em três anos.

Mesmo com esses números, a Amazon precisava redesenhar a experiência. Em fevereiro, anunciou o Alexa+, uma versão do assistente capaz de compreender contexto, manter o fio da conversa e aceitar tanto frases incompletas quanto mudanças de assunto no meio do diálogo.

Mais do que conversar, o Alexa+ também consegue agir no lugar do usuário. Ele pode reservar um restaurante via TheFork, controlar dispositivos de casa conectada (Legrand-Netatmo, Somfy), enviar e-mails, organizar sua agenda, administrar seus pedidos na Amazon e acompanhar entregas com as campainhas Ring. Tudo isso é feito por voz, sem precisar abrir nenhum aplicativo.

E há um ponto extra: o Alexa+ funciona em qualquer navegador da web. Desde o lançamento nos Estados Unidos, a adesão ao serviço seguiu o caminho esperado.

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Mistral AI no centro da experiência francesa

Para não frustrar o público francês, a Amazon precisava se apoiar em um parceiro competente na compreensão de idiomas e referências culturais. Foi assim que a empresa recorreu à Mistral AI. Isso porque o Alexa+ é construído sobre uma arquitetura diferente da de IAs como ChatGPT ou Gemini.

O Alexa+ é baseado no Amazon Bedrock e aciona mais de 70 modelos de linguagem diferentes (um número que muda semanalmente, de acordo com novos lançamentos). O assistente escolhe, a cada solicitação, o modelo mais rápido e eficiente para a tarefa.

Na prática, ele pode selecionar um modelo menor e otimizado para acender as luzes por comando de voz ou, no extremo oposto, recorrer a um modelo mais robusto para planejar duas semanas de férias do outro lado do mundo. A Amazon afirma, inclusive, que 76% dos usos do Alexa+ nos Estados Unidos não podem ser reproduzidos a partir de um chatbot.

Dentro desse conjunto de modelos, os da Mistral AI assumem um papel importante para idiomas além do inglês. Em geral, grandes modelos de linguagem são treinados sobretudo com dados dos Estados Unidos, o que tende a manter influência do modo de pensar norte-americano. A Amazon diz ter corrigido esse viés com fine-tuning supervisionado, aprendizado por reforço e um sistema de prompting localizado. A Mistral é particularmente acionada para validar a precisão linguística e cultural das respostas. O restante do tráfego fica sob responsabilidade dos modelos internos Amazon Nova.

De forma bem concreta, o Alexa+ entende a discussão francesa sobre “pão com chocolate” vs “chocolatina” (segundo o texto, o correto é “pão com chocolate”, claro), sabe que colocar gelo no vinho é uma heresia (com exceção do rosé no verão) e faz piadas sobre Roland Garros como se tivesse crescido na França. Para completar, o Alexa+ passa a tratar o usuário por “você” (de forma mais próxima e informal), buscando criar uma relação mais direta.

Alexa+ incluído no Prime

O preço poderia ser um obstáculo. Depois do período de acesso antecipado, por € 22,99/mês, o Alexa+ está longe de ser barato. A Amazon, então, usou sua principal carta: a assinatura Prime. Para quem já é assinante, o Alexa+ está incluído sem custo adicional. E o Prime custa € 6,99/mês.

Durante o acesso antecipado, o serviço é gratuito para todos: seja comprando um novo dispositivo Echo elegível para acesso imediato, seja se cadastrando em amazon.fr/nouvellealexa para entrar na lista de espera. A Amazon planeja convidar centenas de milhares de usuários nas próximas semanas.

No hardware, quatro novos aparelhos foram projetados especificamente para o Alexa+: Echo Show 8, Echo Show 11, Echo Dot Max e Echo Studio, com mais poder de computação e sensores de nova geração. Quase todas as caixas Echo vendidas na França nos últimos anos também são compatíveis. Neste verão, o acesso deve chegar ao navegador (PC e Mac), com continuidade de contexto entre dispositivos (começar uma conversa em um Echo e retomá-la no computador).

O que achamos do Alexa+

O Alexa+ chega com uma proposta diferente das IAs mais comuns. Em vez de se limitar a um chatbot, o Alexa+ é um assistente que consegue executar ações reais no dia a dia dos usuários. A inclusão no Prime provavelmente é o argumento comercial mais forte para acelerar a adoção.

Ainda assim, há ressalvas. Primeiro, o lançamento do Alexa+ nos Estados Unidos expôs alucinações e atritos de uso bem concretos. Nas demonstrações que vimos com a nova versão em francês, percebemos uma certa latência entre as perguntas e as respostas do Alexa+. Por outro lado, o assistente cumpriu todas as tarefas solicitadas, sem qualquer erro.

Ainda é cedo para bater o martelo sobre o Alexa+. Por isso, voltaremos em breve com um teste completo.


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