Design: do que mudou no visual?
Pelas fotos, dá para pensar que o Punto nem precisava de um facelift. O Grande Punto sempre foi um dos hatches compactos mais bonitos do segmento e, por mais que isso seja questão de gosto, fica a sensação de que o Punto Evo reestilizado acabou ficando um pouco menos harmonioso.
Parece que a intenção foi aproximar o Punto da “carinha” do 500. Para isso, os designers da Fiat colocaram no Evo uma enorme entrada de ar e duas “bigodinhos” cromados, resultando num rosto meio inquietante - quase como um gatinho do mal fantasiado de palhaço. Não chega a ser feio, mas perdeu parte daquela elegância de mini-Maserati que o modelo anterior tinha.
Mecânica: MultiAir turbo e mais segurança
Ainda bem que, por trás da nova (e mais assustadora) dianteira, há muita coisa boa. Além de um chassi um pouco mais rígido, melhor isolamento acústico e mais equipamentos de segurança, o Punto Evo recebe o mesmo motor 1.4 MultiAir turbo a gasolina de 133 bhp que dirigimos no mês passado no Alfa Mito. O MultiAir é uma solução nova e bem complexa de comando de válvulas variável, cheia de termos como “balancer poppets” e “throttle-independent intake valves”, que permitem um controle mais sofisticado e variável do tempo de válvulas para melhorar desempenho, consumo e emissões. O Punto MultiAir de 133 bhp - também existe uma versão de 104 bhp - faz 0–62 mph em 8,5 s, com 51 mpg e 129 g/km de CO2.
Esses números chamam atenção, e na prática o MultiAir também agrada, com resposta rápida ao acelerador e bastante torque já em baixa rotação. Outros pontos do Punto Evo, porém, não empolgam tanto. Mesmo antes de acionar o modo “city”, superleve, a direção já é leve demais, e o câmbio de cinco marchas é mais “borrachudo” do que deveria. Curiosamente, o Punto MultiJet diesel de 95 bhp que testamos tinha um câmbio de seis marchas bem mais preciso e uma direção mais afiada.
Na estrada: conforto bom, mas sem a precisão do Fiesta
Nem o Punto a gasolina nem o diesel são tão rápidos de reação quanto o Ford Fiesta, que entra em curva e gruda no asfalto com muito mais vontade, enquanto o Punto tende a sair de frente, com subesterço e aquele chiado sofrido dos pneus. Ainda assim, mesmo com rodas de 17 polegadas, o rodar é confortável: ele filtra bem as irregularidades e mantém o ruído de rodagem bem controlado.
Interior e custo: evolução grande
A cabine revisada é um salto enorme, especialmente nas versões mais completas “Sport”, que trazem vários painéis de toque macio e até um pouco de couro com costuras aparentes - um nível de sensação de luxo bem acima do Fiesta. Melhor ainda: a Fiat diz que o Punto Evo não vai custar mais do que o Grande Punto atual quando chegar às lojas em janeiro, o que é uma boa notícia.
A decisão difícil: Evo ou Grande Punto?
Só que tem um detalhe curioso. Nos próximos dois anos, a Fiat vai continuar vendendo o Grande Punto antigo - com os motores antigos - ao lado do Punto Evo, provavelmente em versões bem básicas, naquele estilo “mão fechada” de estudante. E isso complica a escolha para quem quer um Punto: o Evo mais limpo, rápido, silencioso e mais feio, ou o Grande mais poluente, lento, barulhento e mais bonito? É errado dizer que a gente fica dividido?
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