Em 2023, a Espanha passou a exigir que todas as cidades e municípios com mais de 50 mil habitantes criassem Zonas de Baixas Emissões (ZBE). Na prática, essas áreas limitam a entrada de veículos mais antigos ou mais poluentes, usando um sistema de categorias/selos.
Nos próximos anos, porém, várias cidades espanholas se preparam para endurecer as restrições de circulação em áreas urbanas e ampliar o alcance para carros mais recentes - incluindo Diesel com apenas 10 anos -, o que já vem deixando muitos motoristas preocupados.
Zonas de Baixas Emissões (ZBE) e o selo B
Até aqui, em muitas ZBE as restrições atingiam principalmente os automóveis sem categoria (os mais antigos). A tendência, no entanto, é que diversas cidades ampliem as limitações para veículos com selo B - categoria que inclui carros a gasolina emplacados entre 2001 e 2005 e Diesel entre 2006 e agosto de 2015.
Essa expansão segue o caminho já adotado por Bilbao, que implementou a medida antes.
Impacto na frota de automóveis na Espanha
Se a mudança se consolidar como previsto, o impacto potencial recai sobre os condutores de até mais nove milhões de automóveis, o que equivale a praticamente 31,5% do parque circulante espanhol.
O que diz a ACAP
Helder Barata Pedro, secretário-geral da ACAP (Associação Automóvel de Portugal), disse à Razão Automóvel que discorda da medida. Ainda assim, começou por contextualizar que “o assunto das Zonas de Emissões Reduzidas (ZER) está na agenda europeia e tem feito parte dos assuntos em discussão na nossa Associação europeia”.
Ao mesmo tempo, ele fez questão de distinguir o que vem sendo adotado por cidades espanholas do que está em debate com parceiros europeus:
“(…) de modo algum, se preconizam (nas discussões a nível europeu) medidas como esta que é adotada em Espanha que discrimina os tipos de combustíveis e, de igual, frusta as expectativas de quem adquiriu os seus veículos quando ao fim de 10 anos não poderão continuar a circular.”
Helder Barata Pedro, secretário-geral da ACAP
Posição do ACP e cenário em Portugal
O ACP (Automóvel Club de Portugal) também se colocou contra a medida, nas palavras do seu presidente, Carlos Barbosa.
Depois de questionado sobre a possibilidade de algo semelhante ser implementado em cidades portuguesas, foi direto: “não é possível aplicar em Portugal, porque o parque automóvel é muito mais velho”. Em seguida, arrematou que “parava metade do parque automóvel Diesel”.
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