2026 tende a ser um ano exigente para a Alpine. Após um longo período girando em torno de um único carro - o A110 - a fabricante francesa entra em outra etapa, guiada pela eletrificação e por escolhas que devem redefinir a sua identidade nos próximos anos.
Esse movimento começou em 2024 com o A290, ganhou continuidade com o A390 em 2025 e deve atingir um ponto-chave em 2026 com o modelo que ainda concentra o lado mais emocional da marca: um novo A110. O esportivo vai abandonar a combustão para também ser elétrico e passar a integrar o que a Alpine chama de “garagem de sonho elétrica”. Só que, no horizonte, já aparece a possibilidade de a combustão voltar a ter espaço. Parece contraditório? A gente explica…
A390 mostra o caminho para a Alpine crescer
O A390 é, até aqui, a iniciativa mais ousada e diferente já apresentada pela Alpine. Ele marca a estreia da marca em um crossover elétrico e foi pensado para elevar o volume de vendas, ampliando o alcance da Alpine sem abrir mão do seu DNA esportivo.
Apresentado em 2025, ele chega em breve às lojas com três motores elétricos, tração integral e potência de até 470 cv. É um formato inédito para a fabricante - e que já tivemos a chance de dirigir -; confira as nossas primeiras impressões:
Alpine A110 elétrico vai acontecer, mas…
Não é o A390 que concentra a maior incógnita da Alpine em 2026. O foco, na prática, recai sobre o sucessor do A110. Previsto para ser revelado na metade do ano, ele deve marcar uma virada tecnológica importante: o esportivo deixa de ser apenas a combustão para se tornar totalmente elétrico, fazendo com que a Alpine seja, pela primeira vez, uma marca 100% elétrica em 2026.
Embora o plano da “garagem de sonho elétrica” da Alpine já previsse, desde 2021, um sucessor elétrico para o A110, o cenário mudou bastante de lá para cá. A aceitação do mercado por esportivos 100% elétricos ficou bem abaixo do que se esperava - e isso obrigou a Alpine a revisar algumas convicções.
Dentro desse contexto, Philippe Krief, diretor-executivo da Alpine, reconheceu publicamente que existe a possibilidade de criar uma variante híbrida para o sucessor do A110, caso a reação do mercado indique essa necessidade.
Por enquanto, o que está definido é que o sucessor do A110 vai nascer como um modelo 100% elétrico. Ele será baseado na nova Alpine Performance Platform (APP), uma arquitetura de alumínio desenvolvida com um objetivo direto: controlar o peso. Se o A110 atual pesa pouco mais de 1100 kg, a meta da marca é manter o futuro A110 elétrico abaixo de 1500 kg - uma cifra ambiciosa no contexto atual.
Além disso, a Alpine escolheu um caminho pouco comum entre elétricos: vai “acomodar” as baterias atrás dos ocupantes, exatamente onde hoje fica o motor a combustão. Com isso, o A110 elétrico deve oferecer posição de dirigir bem baixa e uma distribuição de peso parecida com a do A110 com motor de combustão.
Combustão deve regressar… mais tarde
Como tem acontecido com vários fabricantes, o discurso da Alpine precisou se tornar mais flexível. Banir a combustão deixou de ser uma certeza, e essa tecnologia já volta a ser vista como parte da resposta.
Ainda não dá para afirmar se o próximo A110 terá motor de combustão, mas existe bem mais clareza sobre o futuro supercarro híbrido que a marca de Dieppe está desenvolvendo. Ele não deve aparecer em 2026 - talvez em 2028 - e será a evolução do Alpenglow, o conceito de um superesportivo híbrido com motor V6. Fala-se em mais de 1000 cv, e o protótipo também chama atenção por usar hidrogênio como combustível em vez de gasolina.
Mesmo que o hidrogênio não avance, o recado é direto: a eletrificação parece inevitável, o caminho até lá não será linear, e a Alpine já parece ter entendido isso.
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