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Hyundai e o Unmanned Firefighting Robot: robô 6x6 para enfrentar incêndios

Robô equipado com mangueira combatendo fogo em ambiente industrial com bombeiros ao fundo.

Pelo menos, ele não corre o risco de se ferir - nem de hesitar diante das chamas.

Hyundai Motor Group além dos carros

Quando se fala em Hyundai Motor Group, é natural pensar primeiro nos automóveis (como o Inster ou o Ioniq 9). Só que o grupo atua em frentes bem mais amplas. A empresa também produz veículos militares, como o K2 Black Panther e os K808/K806, além de soluções de resposta a emergências voltadas ao combate a incêndios. Nesse segmento, aliás, a marca construiu fama por uma confiabilidade fora da curva - e alguns componentes, como o chassi Hyundai XCIENT (base dos maiores caminhões de combate a incêndio), são considerados referência internacional.

A partir de 2024, a companhia passou a direcionar mais esforços para veículos de intervenção autônomos e, por cerca de dois anos, adaptou tecnologia usada em projetos militares para dar vida ao Unmanned Firefighting Robot. Ele não é um humanoide: trata-se de uma máquina blindada de seis rodas, feita para suportar temperaturas extremas e operar sem piloto. O primeiro exemplar acabou de chegar às mãos da Brigada Nacional de Bombeiros da Coreia do Sul.

Uma máquina nascida para o inferno

Esse “monstro” foi criado a partir do robô HR-SHERPA, um drone terrestre grande, mais ou menos do tamanho de um carro pequeno. A plataforma, originalmente pensada como solução multiuso para fins militares, foi convertida aqui em um veículo autônomo de combate a incêndios. O conjunto usa seis rodas para maximizar a tração e roda com um software que permite tanto operação por controle remoto quanto atuação com autonomia para avançar em direção ao foco do fogo.

Para suportar condições extremas, ele traz um sistema de auto-resfriamento por aspersão: um jato constante forma uma cortina de água ao redor do veículo, mantendo a temperatura externa entre 50 e 60 °C mesmo quando o ambiente ultrapassa 800 °C.

Cada roda tem seu próprio motor integrado (o 6×6 in-wheel da Hyundai Mobis), com módulos elétricos vedados, e pneus que não furam. Esse conjunto dá ao robô a capacidade de girar 360° no próprio eixo (como um tanque ou um skateboard) e seguir se movimentando mesmo que várias rodas sofram danos.

Dimensões, desempenho e alcance do jato

As medidas ficam em torno de 3,3 metros de comprimento, 2 metros de largura e 1,9 metro de altura, com apenas 2 toneladas. Para um veículo de intervenção dessa categoria, ele não é tão grande - e esse porte ajuda a atingir com facilidade 50 km/h (velocidade máxima) e a vencer rampas de até 40% de inclinação, impulsionado pelo torque elevado gerado pelos seis motores.

No combate direto, há um canhão de água de alta pressão capaz de lançar um jato (ou uma névoa d’água) a até 50 metros de distância. A ponta é uma bucha multifunção controlada remotamente, permitindo alternar entre os dois modos.

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Músculos de sobra, e cérebro também

As câmaras infravermelhas conseguem atravessar fumaça densa e enviar imagens nítidas em tempo real do local de atuação para os bombeiros que permanecem do lado de fora. Já a linha de ataque puxa atrás de si uma mangueira fotoluminescente, que, ao ser desenrolada, ajuda a marcar visualmente rotas de saída no escuro. O canhão também trabalha com câmaras térmicas (infravermelho de ondas curtas e longas), para que a IA faça a leitura do quadro ao vivo e identifique com precisão o ponto mais quente a ser resfriado - mesmo quando o operador não consegue ver nada a olho nu.

Outra função que chama atenção: assim que entra em operação, o robô regista tudo ao redor. Volume e tipo de fumaça, temperatura, comportamento e natureza das chamas… esse pacote de dados pode ser aproveitado depois para refinar modelos de intervenção e melhorar sistemas de apoio à tomada de decisão.

Implantação, custos e próximos passos

Por enquanto, duas unidades já foram colocadas em serviço nas regiões Capital e Yeongnam, e outras duas devem chegar em breve. A Hyundai não comercializa o equipamento: faz a doação para a Agência Nacional de Incêndios (KNFA), já que cada unidade tem um custo extremamente alto (cerca de 1,4 milhão de euros). É um investimento gigantesco que nenhuma corporação local conseguiria bancar, mas a Hyundai afirmou que a iniciativa pretende reduzir o número de bombeiros feridos ou mortos.

O movimento é importante, mas ainda é só o começo. O presidente do Hyundai Motor Group, Euisun Chung, declarou que a meta, no longo prazo, é produzir e distribuir 100 dessas máquinas por toda a Coreia do Sul. E, se os modelos atuais operam sobretudo por teleoperação com assistência à condução, as próximas versões devem incorporar uma IA física bem mais avançada.

É o tipo de veículo que muita gente gostaria de ver atuando em áreas severamente atingidas por incêndios todos os anos - Los Angeles, a Austrália ou a Colúmbia Britânica (Canadá) e, quem sabe, também no sul da França. Na prática, porém, dá para dizer que isso ainda é mais um desejo do que um plano, já que a Hyundai nunca operou veículos de intervenção na Europa - e menos ainda em território francês.

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