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Governo dos Países Baixos renuncia ao controle da Nexperia, controlada pela chinesa Wingtech

Carro esportivo elétrico prateado futurista em exibição em salão moderno com grandes janelas e piso brilhante.

Depois de várias semanas marcadas por incertezas, o Governo dos Países Baixos optou por abrir mão do controle sobre a Nexperia - fabricante holandesa de chips que responde por mais de 20% do mercado automotivo europeu e que está sob controle da chinesa Wingtech.

Mesmo com a continuidade do abastecimento ainda tratada como um ponto sensível, a medida é interpretada como um gesto de redução das tensões recentes e um passo, ainda que gradual, rumo à normalização.

De acordo com o ministro dos Assuntos Econômicos dos Países Baixos, Vincent Karremans, foi revogada a ordem que permitia ao país bloquear ou reavaliar decisões da Nexperia, descrita como “uma demonstração de boa vontade”. O ministro também afirmou que as conversas com as autoridades chinesas continuam.

“O grupo Nexperia não demonstra atualmente qualquer sinal de que irá continuar com o comportamento que motivou a ordem, nem qualquer intenção de o fazer”, afirmou o ministro numa carta ao Parlamento.

Reação chinesa

O Ministério do Comércio da China recebeu positivamente a decisão holandesa, classificando-a como “um primeiro passo na direção certa”. Ainda assim, Pequim segue esperando que a ordem administrativa que deu origem à intervenção do país europeu seja retirada por completo.

Para a China, essa ordem representou uma interferência que acabou gerando turbulência e perturbações nas cadeias globais de abastecimento de semicondutores.

Vale lembrar que o Governo chinês proibiu a exportação de chips produzidos pela divisão chinesa da Nexperia, como resposta à decisão dos Países Baixos - sob pressão dos EUA - de nacionalizar temporariamente a empresa para limitar a influência da Wingtech. A medida interrompeu diversas linhas de produção automotiva na Europa.

Reações da indústria

Maroš Šefčovič, comissário de Comércio da União Europeia, declarou que a decisão dos Países Baixos deve ajudar a dar estabilidade às cadeias de abastecimento. “O diálogo construtivo e contínuo com os parceiros permanece essencial para garantir fluxos globais confiáveis”, disse.

A ACEA (Associação Europeia de Fabricantes Automóveis) avaliou o movimento como “muito bem-vinda”, mas destacou que “o problema não está resolvido, já que a continuidade do abastecimento continua crítica a curto prazo”. A VDA (Associação Alemã da Indústria Automóvel) reforçou a mesma preocupação, afirmando que as interrupções na cadeia de abastecimento ainda não foram totalmente superadas.

Montadoras e fornecedores como BMW, Bosch e Aumovio receberam o desfecho de forma favorável, mas consideraram cedo para medir o impacto real. A Mercedes-Benz e o Grupo Volkswagen preferiram não comentar.

A situação atual

Apesar de o Governo dos Países Baixos ter recuado, muitos fabricantes já recorreram a fornecedores alternativos, o que coloca em risco o espaço da Nexperia no setor automotivo.

Na Europa, as montadoras vêm acompanhando com apreensão as mudanças geopolíticas que estão redesenhando a indústria e buscam caminhos para diminuir a dependência de componentes fabricados na China.

Os Países Baixos mantêm a ordem suspensa e podem reativá-la caso o fornecimento volte a ficar ameaçado. No setor, o sentimento segue sendo de “otimismo cauteloso” quanto à retomada da produção e à estabilização das cadeias de abastecimento.

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