Ainda existe espaço para as peruas? A Volkswagen Passat garante que sim - e os argumentos dela vão além disso.
Por décadas, as peruas foram a escolha óbvia de muitas famílias europeias: fáceis de usar no dia a dia, amplas e prontas para acompanhar diferentes fases da vida. Com o tempo, esse protagonismo diminuiu diante da ascensão constante dos SUVs, que combinam essas qualidades com uma posição de dirigir mais alta.
Ainda assim, mesmo com o segmento perdendo força, as peruas não ficaram sem razões para existir - e a Volkswagen Passat é uma boa prova disso. Vendida apenas como Variant, ela se coloca como opção para quem segue priorizando espaço, conforto e eficiência, só que com uma posição de dirigir mais baixa.
E aqui existe um detalhe importante: mais do que apenas uma perua, a Passat é o modelo topo de linha da marca de Wolfsburgo, com a missão de representar o melhor que a Volkswagen tem a oferecer em qualidade, tecnologia e versatilidade.
Em um mercado dominado por SUVs, será que a maior perua da Volkswagen ainda consegue se impor como a escolha de quem continua acreditando nesse formato? Foi isso que decidi descobrir nos dias em que convivi com ela - e, na unidade testada, havia mais um (grande) trunfo: o sistema híbrido plug-in. Mas já chegamos lá.
Visual que conquista
O design da Volkswagen Passat está longe de ser do tipo que impressiona de primeira. Em vez disso, ela vai nos ganhando com o convívio, graças a linhas equilibradas e elegantes, sem apostas exageradas, pensadas para agradar à maioria - e consegue fazer isso muito bem.
Mas, como se costuma dizer, “gostos não se discutem”. E não é exatamente no apelo estético que este modelo tenta se destacar. A Volkswagen Passat foi concebida como um carro de família, com espaço para tudo e para todos - e é justamente aí que a alemã mais brilha.
Nesta nona e (provavelmente) última geração, ela passou a existir somente como perua e cresceu em todas as dimensões, já que a produção agora está sob responsabilidade da Skoda, que tem na nova Superb a sua parente mais próxima.
Na prática, isso significa 4,917 m de comprimento (mais 14,4 cm que a anterior) e 1,849 m de largura (+ 2 cm), enquanto a altura permaneceu em 1,521 m. O entre-eixos também aumentou 5 cm, chegando a 2,841 m.
Grande por fora, gigante por dentro
Como era de se esperar, esse crescimento aparece no interior. E não tem outra forma de colocar: é “gigante”, principalmente no banco traseiro, onde cruzar as pernas vira uma tarefa relativamente fácil.
Só que espaço não é algo desejável apenas na segunda fila. O porta-malas faz jus ao posicionamento familiar do modelo, com 510 litros ou 1770 litros com os bancos rebatidos. Já as versões somente a combustão oferecem entre 690 l e 2000 l, respectivamente. Esse ganho é explicado pela ausência da bateria sob o assoalho do porta-malas.
Em qualidade percebida e montagem, a Passat entrega o que se espera de um Volkswagen. A maior parte das superfícies traz materiais macios ao toque, inclusive nas áreas das portas, mostrando a atenção da marca aos detalhes.
Em pontos menos visíveis, porém, não há mágica: aparecem alguns plásticos mais simples. Ainda assim, nada que seja suficiente para prejudicar a impressão geral de qualidade da cabine.
Tecnologia na medida certa
Na parte tecnológica, a Volkswagen Passat não entrou na moda de espalhar telas por todos os cantos. Aqui ficam apenas as que considero essenciais: uma de 10,25″ no painel de instrumentos e outra de 12,9″ (ou 15″, como opcional) para o sistema de infotainment.
Se a quantidade de telas é adequada, não posso dizer o mesmo sobre a presença de botões físicos. Nesse ponto, a Volkswagen segue errando ao oferecer poucos comandos e concentrar funções demais no infotainment.
Num momento em que a segurança é um dos pilares dos carros modernos - basta ver a quantidade de sistemas de assistência e de apoio à condução disponíveis -, soa contraditório obrigar o motorista a desviar os olhos da estrada para mexer numa tela que reúne até funções básicas, como o controle do ar-condicionado.
Pelo menos a marca parece ter aprendido com as críticas sobre usabilidade em lançamentos recentes. O volante, que antes tinha comandos hápticos, voltou a usar botões físicos - e a experiência melhora claramente.
Volkswagen Passat = conforto
Cada vez menos modelos oferecem uma gama ampla de motorizações. Muitos migraram para a eletrificação total, outros ficaram pelo caminho e alguns se limitaram a duas alternativas.
A Volkswagen Passat, porém, segue por outra rota. Sem tentar abraçar todo mundo, ela disponibiliza as opções que mais concentram demanda: gasolina e gasolina mild-hybrid 48 V, diesel e híbridas plug-in. E foi justamente esta última que tive a chance de avaliar.
Com dois patamares de potência - 204 cv e 272 cv -, passei alguns dias com a versão menos potente. Mesmo assim, os 68 cv a menos não atrapalharam em nada a experiência. Na prática, é muito fácil esquecer que se está conduzindo mais de 1,8 tonelada.
Desempenho é mais do que suficiente? Sim. Faz curvas bem? Muito. Mas a realidade é outra: dá para perceber que esse não é o ritmo que a Passat sugere. Afinal, como familiar, a proposta é ser uma viajante confortável - e, nesse aspecto, ela é realmente competente.
Isso aparece tanto no conforto de rodagem quanto no isolamento acústico, onde o nível é de fato bem alto. E ajudam bastante os vidros duplos dianteiros e traseiros, um opcional da unidade testada.
Eficiência é “chave”
Mas, por ser um híbrido plug-in, a “cereja do bolo” está longe de ser a potência. Na nova Volkswagen Passat eHybrid, o destaque é a bateria: 25,7 kWh (úteis), o dobro da capacidade da geração anterior (13 kWh).
No papel, isso representa 126 km (WLTP) em que dá para esquecer que existe um motor a combustão em algum lugar. No mundo real, porém, a conversa muda: rodei 133 km sem “acordar” o conhecido 1.5 TSI (img. acima) e fiquei convencido de que, com um pouco mais de cuidado, dá para passar dos 140 km, tamanha é a eficiência do sistema híbrido.
Quando a carga termina, a Passat eHybrid passa a se comportar como um full-hybrid, alternando entre o motor a combustão e o elétrico de um jeito quase imperceptível.
E se a autonomia elétrica impressiona, os consumos também ficam no nível esperado para uma proposta desse porte. No uso urbano, o sistema privilegia o modo elétrico, mas mesmo em rodovia é bem fácil manter abaixo de 6 l/100 km.
Com isso, somando todo tipo de trajeto, finalizei o teste com cerca de 500 km rodados e consumo médio em torno de 3,8 l/100 km.
Muito por “pouco”
Mesmo sem estar na versão mais completa da linha - papel reservado à variante R-Line -, a Volkswagen Passat entrega de série um pacote de equipamentos condizente com um modelo de topo. E os preços, sem serem absurdos, permanecem em linha com os rivais.
Para clientes particulares, e se o sistema híbrido plug-in não for obrigatório, o motor 1.5 eTSI de 150 cv aparece como a alternativa mais equilibrada e acessível, a partir de 43 638 euros.
Já no uso corporativo ou para ENIs, a motorização testada é a que melhor atende às necessidades fiscais. Nesses casos, a Volkswagen Passat eHybrid pode ser comprada desde 34 990 euros + IVA.
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