Mercedes Classe M: de pioneira contestada a SUV bem-resolvido
Finalmente a Mercedes conseguiu acertar a mão na Classe M. Foi esse modelo que, em 1997 (aquela primeira geração mais “quadradona”), ajudou a disparar a febre dos SUVs de luxo. Um ano depois apareceu o primeiro BMW X5 (também com linhas bem retas) e, juntos, os dois passaram a dividir opiniões como se fossem cutelos de duas toneladas. Foram amados e criticados na mesma medida, mas havia um consenso: o Mercedes era um trambolho.
Nas curvas, ele se comportava como um pudim, e a montagem era tão descuidada que Clarkson chegou a enfiar um dedo inteiro no vão entre os faróis e o para-choque. Para ser justo, o desenho deu um salto em 2002 - e agora melhora ainda mais com esta versão nova e brilhante. Foi rápido, não foi?
Embora seja um projeto totalmente novo, ele começou no mesmo “pranchetão” do também recém-lançado Jeep Grand Cherokee - ambos eram do mesmo grupo antes de a Fiat “livrar” a Daimler de qualquer coisa com cheiro de Jeep. Mesmo assim, as semelhanças ficam praticamente restritas a parte do subchassi e ao assoalho. No restante, o carro é inconfundivelmente um Mercedes-Benz: da estrela na grade (agora com um tamanho próximo ao de uma cabeça humana) até a cabine com clima de boutique.
A silhueta básica da Classe M continua ali, com o vidro traseiro envolvente e a coluna C inclinada, só que o conjunto ficou um pouco maior.
ML 250 CDI e as mudanças que não aparecem por fora
As alterações mais importantes são justamente as que você não vê. Começando pela versão de entrada, a ML 250 CDI: ela traz um motor diesel 2.1 litros, quatro cilindros - algo que, até agora, simplesmente não existia em carros desse tipo.
Ela não entrega a mesma sensação de facilidade da 350 CDI com V6 diesel, mas os 204bhp dão conta de movimentar a massa considerável sem ficar sem fôlego, e o câmbio automático trabalha de forma suave e contínua.
Além disso, há a tecnologia AdBlue - ureia é adicionada aos gases de escape para neutralizar emissões nocivas - o que a coloca à frente no cumprimento dos padrões europeus de emissões. E quem carrega aquela implicância clichê contra SUVs vai precisar inventar outro argumento ao ver o CO2 de 158g/km.
Conforto, fora de estrada e o que faz mais sentido comprar
Se existia um ponto em que a última Classe M realmente se destacava, era o conforto. Nesta nova geração, isso se mantém - e agora dá para ter barras estabilizadoras ativas (opcionais) para melhorar ainda mais a rodagem, reduzindo a aspereza em pisos irregulares.
Vale mais a pena escolher esse item do que o sistema opcional de suspensão ativa, porque ele é útil por mais tempo e em mais situações, e dá para perceber como ele “alisa” o asfalto. De quebra, também ajuda quando o carro precisa se virar em pedras e blocos, algo que testamos com sucesso no percurso de avaliação. E, somado ao pacote off-road opcional, a Classe M consegue acompanhar um Land Rover sem drama por algumas bizarrices geológicas.
Mas, enfim. Você até pode ter um interesse ocasional em sujar o carro, só que o objetivo de verdade é ter um SUV grande sem uma conta de impostos e combustível tão grande quanto ele. Então, o caminho é não complicar: fique com a 250.
A Mercedes ainda não divulgou os preços, mas a expectativa é que ela chegue bem abaixo do valor de um BMW X5 3.0d SE básico de £45,055. Mais barata - e não muito mais simples.
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