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Análise do Volkswagen Polo Bluemotion: economia exemplar, prazer ao volante em falta

Carro Volkswagen prata em movimento em estrada rodeada por árvores com placas europeias.

Comecemos esta análise do Volkswagen Polo com uma verdade simples: para prosperar no universo da TopGear, um carro ecológico precisa: a) levar você até um destino bem distante com um único tanque de combustível e b) fazer você dar risada sozinho enquanto isso acontece. Este novo Volkswagen Polo Bluemotion, infelizmente, só entrega a primeira parte.

Expectativas para um carro ecológico

O segredo num modelo desse tipo é acertar o ponto de equilíbrio entre eficiência e prazer ao volante. Com números de 83.1mpg e 90g/km de CO2, o Polo cumpre bem o papel da economia, mas estraga o próprio mérito com uma experiência de condução completamente arrastada.

Tecnologia e números do Volkswagen Polo Bluemotion

Antes de falar da condução, vale olhar a engenharia. Esta é a segunda geração do Polo Bluemotion e traz um 1.2-litre turbodiesel de três cilindros totalmente novo. Pela primeira vez num Polo, entram em cena a travagem regenerativa e o sistema stop/start - soluções que empurram o consumo para a “zona mágica” dos 80 e mantêm as emissões de CO2 naquela faixa crucial isenta de imposto.

E não se trata apenas de um motor “reprogramado”. Ele foi concebido com foco em mpg e, como atrito é o inimigo da eficiência, vários componentes (como o virabrequim, as válvulas e a bomba de óleo) foram retrabalhados, com superfícies mais polidas e melhorias para reduzir resistência e, assim, queimar menos combustível. Para aproveitar essa suavidade mecânica, as relações de marcha ficaram mais longas, mantendo o motor numa rotação mais eficiente por mais tempo. Isso é comum em carros ecológicos, mas, aqui, os engenheiros da VW parecem ter passado do ponto.

Condução: quando a eficiência cobra caro

Nas primeiras milhares de rotações no Polo, a sensação é de estar a conduzir dentro de um lodo espesso. Dá para bocejar - com direito a criatividade - antes de terminar uma marcha, até que um ícone no painel se acenda a pedir que você passe para cima. Só que, se você obedece, o carro afoga na marcha seguinte, e você fica se mexendo no banco, implorando para ele, pelo amor, ganhar velocidade. É lento como um barco a remo.

E não precisava ser assim. No Fiesta Econetic - o némesis do Polo - ainda existe diversão: chassi bem amarrado, direção esperta e um 1.6-litre diesel que consegue equilibrar uma boa dose de força com uma economia de 76.3mpg.

Claro: tire os autocolantes Bluemotion e continua lá um carro refinado, bem construído e bonito - talvez um “Golf em versão leve”. Mas o tempo todo você se lembra de que está num carro ecológico e de que a condução sem graça é o preço a pagar por aqueles números de destaque.

Na busca pela eficiência absoluta, o Bluemotion continua a ser algo quase santo, a brilhar como uma auréola sobre a grande cabeça corporativa da VW. Já para quem gosta de carros com um pouco mais de brilho, o dia em que você realmente desejar um é o dia em que deve largar a revista TopGear e comprar um exemplar da Bowls International.

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