Com o objetivo de renovar a frota de aviões de transporte da Força Aérea Indiana, a brasileira Embraer e o consórcio Mahindra Group divulgaram planos para criar, na Índia, um centro de manutenção, reparo e revisão (MRO). A medida busca reforçar a candidatura do C-390 Millennium no programa de Aeronaves de Transporte Médio (MTA).
O anúncio foi realizado na última quinta-feira, dia 19 deste mês, em Nova Délhi, na Índia. A iniciativa pretende fortalecer a proposta do C-390 por meio de uma estrutura sólida de apoio logístico e industrial. O plano prevê uma unidade apta a executar manutenção de linha e manutenção geral, inspeções estruturais, reparos de componentes, suporte de aviônica e programas de capacitação, buscando assegurar elevados índices de disponibilidade operacional caso o avião seja escolhido.
C-390 Millennium e a renovação do transporte tático indiano
Apresentado como uma aeronave de transporte tático de nova geração, o C-390 tem capacidade para transportar até 26 toneladas de carga útil e foi desenvolvido para cumprir diversas missões. Entre elas estão o transporte de tropas e cargas, lançamentos aéreos, evacuações médicas, operações de busca e salvamento e assistência humanitária em situações de emergência. Pela versatilidade e pelo desempenho, é apontado como substituto natural dos Il-76, já ultrapassados, atualmente empregados pela Índia, reunindo maior alcance, velocidade e eficiência operacional do que aeronaves de sua categoria.
Desde a apresentação do modelo na Aero India 2023, a atuação da Embraer no mercado indiano vem se intensificando. Em 2024, a companhia firmou um Memorando de Entendimento com a Mahindra. Em seguida, em outubro de 2025, as empresas assinaram um Acordo de Cooperação Estratégica voltado ao avanço da produção local da aeronave. Paralelamente, a Força Aérea Indiana publicou, em dezembro de 2022, uma Solicitação de Informações (RFI) para aeronaves com carga útil entre 18 e 27 toneladas, ampliando depois esse limite para 30 toneladas e abrindo espaço para novos competidores.
Concorrência no programa de Aeronaves de Transporte Médio (MTA)
Entre os principais rivais no programa estão o A400M, da Airbus, e o C-130J Super Hercules, da Lockheed Martin. A expansão dos requisitos também habilitou a entrada do C-2, produzido pela japonesa Kawasaki. Nesse cenário, o C-390 combina capacidade de 26 toneladas, velocidade, alcance e flexibilidade operacional, além de apresentar uma proposta de suporte industrial e transferência de tecnologia ajustada às demandas indianas.
A estrutura de manutenção e suporte industrial é, justamente, um dos eixos centrais da proposta. Embraer e Mahindra planejam integrar uma cadeia de fornecimento nacional, transferir competências técnicas e implantar uma instalação de MRO (Manutenção, Reparo e Revisão) de última geração. Além de servir à futura frota indiana, a unidade poderá transformar o país em um polo regional de apoio a outros operadores do C-390. Sobre o tema, o presidente da Embraer Defesa & Segurança, Bosco da Costa Júnior, declarou: “A Embraer está comprometida não apenas em entregar uma aeronave de classe mundial, mas também em desenvolver um ecossistema de suporte robusto e duradouro, adaptado às necessidades operacionais e industriais da Índia”.
Cooperação industrial entre Embraer, Mahindra e Índia
A iniciativa ainda carrega uma dimensão estratégica mais ampla. Com respaldo político do Brasil e uma oferta de compensações industriais relevantes, a Embraer pretende alinhar-se às políticas “Make in India” e “Atmanirbhar Bharat”, estimulando capacidades locais e autonomia tecnológica. Na avaliação final da Força Aérea Indiana, serão considerados não apenas fatores técnicos e operacionais, mas também o potencial de criação de empregos qualificados e de integração da indústria nacional.
Por meio deste acordo, a Embraer reafirma sua aposta no C-390 Millennium como uma alternativa moderna e flexível, sustentada por cooperação estreita com a indústria indiana. Caso a seleção seja concluída, a aeronave brasileira poderá tornar-se o novo pilar do transporte tático da Força Aérea Indiana e representar o fortalecimento da cooperação aeroespacial entre os dois países.






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