Em vez de apostar numa virada brusca para o 100% elétrico, a Hyundai dá sinais de que pode seguir um caminho mais gradual - bem no estilo do que a Toyota fez para acelerar a eletrificação sem abandonar de vez os motores a combustão.
A ideia foi comentada por Gavin Donaldson, diretor de operações da Hyundai na Austrália, para quem a migração dos motores a gasolina para soluções híbridas e elétricas é apenas questão de tempo.
“Consideraríamos tornar os nossos carros convencionais em híbridos? Acho que é inevitável. Acho que a transição do motor a combustão para o híbrido e para o elétrico é inevitável”, afirmou o executivo ao site CarExpert.
Donaldson também deixou clara a referência que a marca tem observado de perto: “Acho que a Toyota fez um trabalho excecional na forma como conseguiu transitar tudo para híbrido”.
E a comparação com a Toyota não vem do nada. Nos últimos anos, a fabricante japonesa passou a oferecer modelos como Corolla, Corolla Cross e RAV4 apenas com mecânicas híbridas, deixando os motores puramente a combustão praticamente restritos aos esportivos da divisão GR.
Crescimento acelerado
Embora as declarações tenham sido feitas com foco no mercado australiano - onde os híbridos da Hyundai já vendem mais do que as versões só a combustão -, o movimento está longe de ser exclusivo daquele país.
Na Europa, os híbridos convencionais (full hybrid e mild hybrid) superaram, nos primeiros cinco meses do ano, as vendas somadas de carros a gasolina e Diesel.
Entre janeiro e maio, foram emplacados mais de dois milhões de híbridos, um aumento de 11,1% em relação ao mesmo período do ano passado. No sentido oposto, os modelos exclusivamente a combustão ficaram em cerca de 1,6 milhão de unidades, reforçando a tendência de queda dessas motorizações no mercado europeu, segundo dados da ACEA.
O que pode mudar na gama da Hyundai?
Hoje, a Hyundai ainda vende diversos modelos equipados apenas com motores a combustão, como i10, i20, Bayon e i30. Por enquanto, a marca sul-coreana não informou quais podem ser os primeiros modelos a adotar uma estratégia totalmente eletrificada, nem confirmou qualquer cronograma para essa transição.
Ainda assim, vale lembrar que a Hyundai já começou a “arrumar a casa”: recentemente anunciou o fim das suas peruas, encerrando um capítulo que, nos últimos anos, já se resumia basicamente ao i30 SW.
Também não há, por enquanto, confirmação oficial de uma terceira geração do i30 hatchback - e uma possível eliminação das motorizações exclusivamente a combustão pode, no fim das contas, acabar decretando o fim do modelo.
“Neste momento, temos alguns produtos com motores a combustão e, a menos que haja uma alternativa, temos de considerar se queremos mantê-los no portfólio”, disse o executivo.
E os desportivos N?
As incertezas também alcançam a linha de esportivos N da Hyundai. Questionado sobre o tema, Donaldson preferiu não cravar nada:
“A próxima questão que se impõe é: qual será a evolução do mercado de hot-hatches? Serão elétricos ou híbridos? Acho que ainda há muito para vir”, concluiu.
Vale lembrar que, este mês, Manfred Harrer, responsável por pesquisa e desenvolvimento da Hyundai, deu uma pista à Autocar, confirmando o retorno do i20 N e admitindo que a eletrificação deve fazer parte da receita - ainda que não em uma solução totalmente elétrica, como o Volkswagen ID. Polo GTI. Saiba mais aqui:
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