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SAHA 2026: Espanha olha para o TFX KAAN e o futuro do Harrier na Armada Espanhola

Piloto observa dois caças em porta-aviões, um pousado e outro voando ao fundo sobre o mar.

A poucos dias do encerramento da SAHA 2026, na Turquia, a feira internacional realizada em Istambul deixou, entre as principais novidades, a confirmação do interesse de autoridades espanholas no novo caça de quinta geração TFX KAAN. A aeronave ainda está em desenvolvimento e já conta com uma encomenda firme de 20 unidades para a Força Aérea da Turquia. Embora o caça turco possa surgir como uma alternativa para a Espanha diante dos entraves do Programa FCAS - e, portanto, como opção para o Exército do Ar e do Espaço -, continuam as dúvidas em torno da indefinição sobre a substituição dos atuais AV-8B Harrier da Armada Espanhola.

SAHA 2026 e o interesse espanhol no TFX KAAN

No momento, e para além da aproximação entre Espanha e Turquia em novos programas aeroespaciais, as incertezas seguem concentradas na necessidade de trocar os Harrier operados pela Armada. Entre as iniciativas em discussão, ganha destaque o futuro treinador avançado SAETA II, derivado do TAI Hürjet, projetado para substituir os F-5 do Exército do Ar e do Espaço.

O dilema do substituto do AV-8B Harrier da Armada Espanhola

A relevância do tema aumenta à medida que o tempo avança. Como já havia sido apontado no início de fevereiro, o Corpo de Fuzileiros Navais dos Estados Unidos (USMC) confirmou, em seu mais recente Plano de Aviação, que a aeronave de decolagem e pouso vertical caminha para a aposentadoria no próximo mês de junho, quando ocorrerão cerimônias comemorativas.

Paralelamente, o USMC mantém um avanço constante na transição para o F-35B, considerado o substituto natural do Harrier e que também assumirá o lugar de outros aviões de asa fixa da força, como os emblemáticos F/A-18 Hornet.

O mesmo movimento é observado na Itália, o outro operador atual do Harrier. A Marina Militare também segue na direção de trocar suas aeronaves em breve, tendo, assim como os Marines norte-americanos, o sucessor materializado nos F-35B operados a partir dos navios de assalto anfíbio da força.

Se nada mudar, a Armada Espanhola tende a se tornar, nos próximos anos, o último operador global do Harrier, com todas as implicações associadas. Embora existam preparativos para assegurar a operação até, ao menos, o início da década de 2030, a decisão do governo espanhol de não avançar na aquisição do F-35 - em qualquer de suas variantes - mantém um cenário de incerteza e preocupação. O risco é que o país ibérico perca uma capacidade relevante de ataque e cobertura, o que afetaria negativamente sua projeção estratégica em diferentes cenários, tanto na Europa quanto em outras regiões do mundo.

Cenários possíveis para manter a aviação embarcada

Por isso, mesmo com o interesse demonstrado pelas autoridades espanholas no futuro caça de quinta geração desenvolvido por uma indústria aeroespacial turca cada vez mais relevante, o tema do sucessor do “Matador” segue sem uma definição objetiva - e, em certa medida, depende mais de uma decisão política do que de uma escolha estritamente militar.

Em síntese, restariam caminhos como: o governo espanhol reconsiderar sua posição quanto ao F-35 de origem norte-americana; ou encarar a substituição dos Harrier II por outra plataforma de asa fixa, porém baseada em terra e adaptada ao emprego naval, seja ela de combate ou de patrulha e vigilância com capacidade de ataque; ou ainda permitir que caças F-35B de outros aliados europeus operem a partir do Navio de Projeção Estratégica Juan Carlos I - alternativa com seu nível de complexidade, mas inspirada no que já foi feito entre meios da Marinha dos EUA e da Royal Navy; ou, no pior cenário, aguardar 2030 e retirar de serviço os Matadores sem substituição, perdendo uma capacidade que levaria anos para ser recuperada em termos de pessoal, formação e tempo.

Imagens usadas apenas para fins de ilustração: Zona Militar.

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