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USAF e Boeing ajustam cronograma de entregas do KC-46A Pegasus

Dois homens apertam as mãos em frente a um avião militar KC no aeroporto ao entardecer.
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USAF e Boeing: novo cronograma do KC-46A Pegasus e reforço de recursos

Em um comunicado divulgado nesta semana em seus canais oficiais, a Força Aérea dos Estados Unidos (USAF) informou ter fechado com a Boeing um novo calendário de entregas do avião-tanque KC-46A Pegasus. A revisão busca recuperar prazos depois das paralisações e atrasos que atingiram o programa. De acordo com a própria força, o plano também prevê uma nova injeção de recursos no ano fiscal de 2027, com potencial de elevar a disponibilidade das aeronaves em até 20% no início da próxima década.

Sobre o assunto, o atual Secretário da Força Aérea dos EUA, Troy Meink, declarou: “O KC-46 é um pilar da projeção de poder dos Estados Unidos, e estamos colaborando ativamente com a Boeing para garantir que ele esteja sempre pronto para cumprir sua função. Ao estabelecer essa abordagem abrangente, melhoramos diretamente a disponibilidade das aeronaves, aceleramos a entrega de novas capacidades vitais e otimizamos de forma significativa a capacidade geral de manutenção da frota.”

Três pilares do acordo: reaproveitamento, RVS 2.0 e logística baseada em desempenho

Ao detalhar o entendimento, a USAF destacou três frentes principais. A primeira é o que foi descrito como “reaproveitamento” de aeronaves produzidas originalmente com o objetivo de ampliar, no curto prazo, o número de plataformas disponíveis - incluindo cinco KC-46A Pegasus nesse grupo. Na avaliação do serviço, a medida traz efeitos positivos amplos, como a liberação de células para a condução de novos testes e a obtenção de uma quantidade significativa de peças de reposição que podem ser aplicadas na frota já em operação.

O segundo ponto envolve mudanças para antecipar o cronograma da modernização crítica RVS 2.0, que inicialmente estava prevista para começar em 2028. No novo plano, Boeing e USAF pretendem incorporar esse trabalho às janelas regulares de manutenção básica das aeronaves e, ao mesmo tempo, acelerar a entrega dos conjuntos necessários para executar a atualização. As projeções atuais indicam uma redução expressiva no tempo total do processo: de 13 anos para apenas 7.

Por fim, o terceiro pilar é a adoção de um novo modelo de logística baseada em desempenho, voltado a enfrentar obstáculos sistêmicos do programa - em especial no campo da manutenção. A iniciativa busca assegurar fornecimento contínuo e confiabilidade das peças entregues pela Boeing, aspecto apontado como um dos principais entraves para manter os níveis de disponibilidade esperados na frota.

A greve geral e seu forte impacto nos programas da Boeing

Como já indicado no início, as entregas de novos aviões-tanque KC-46A Pegasus e projetos associados sofreram atrasos consideráveis devido a uma grande greve de trabalhadores dentro da Boeing. Em 2025, os empregados recorreram à paralisação para pressionar por melhores salários, em uma reivindicação que, segundo a empresa, girava em torno de um aumento de aproximadamente 40%. À época, foi informado que mais de 3,000 funcionários participaram, com apoio da International Association of Machinists and Aerospace Workers.

Tratou-se da primeira greve geral registrada no setor industrial de defesa desde a década de 1990, embora não tenha sido o único episódio desse tipo em anos recentes em um panorama mais amplo. Em 2024, mais de 30,000 trabalhadores paralisaram atividades no segmento de aviação comercial, reduzindo de forma significativa o ritmo de produção e também as receitas previstas para aquele período.

Para tornar o impacto concreto, vale lembrar que não apenas as entregas do KC-46A Pegasus foram afetadas, mas também as do caça F-15EX Eagle II, que vem sendo incorporado pela Força Aérea dos EUA. Como registramos em fevereiro, isso trouxe dificuldades para cumprir cronogramas de implantação da plataforma em bases no Japão onde Washington mantém presença, como substituta dos antigos F-15C/D, com destaque para a Base Aérea de Kadena. Com isso, o serviço precisou manter um sistema de rodízio adotado desde 2022, envolvendo caças F-16, F-15E, F-22 e F-35A.

Além das frotas dos EUA: Israel, KC-46 Gideon e o pacote de F-15

Também é importante lembrar que a plataforma de reabastecimento desenvolvida pela Boeing não está sendo incorporada apenas pela USAF, mas igualmente por um de seus principais parceiros internacionais: Israel. Sob a designação KC-46 Gideon, o país busca colocar em operação uma frota de seis aeronaves, renovando suas capacidades atuais - hoje baseadas em um modelo de origem norte-americana, o Boeing 707 Re’em.

Israel avançou com a compra em duas etapas: a primeira em 2022 e a segunda em 2025, adquirindo quatro e duas aeronaves, respectivamente, por um valor superior a 1.4 bilhões de dólares. No início de maio do ano corrente, a Força Aérea de Israel pôde comemorar que o primeiro de seus novos KC-46 Gideon completou seu voo inaugural em céus norte-americanos, o que sugere que a entrega pode ocorrer em menos de um mês.

Além disso, Israel também adquiriu da Boeing mais de 50 caças F-15IA - a versão israelense do F-15EX Eagle II - seguindo um esquema semelhante em duas etapas, com 25 aeronaves em cada lote, e acrescentando um conjunto de itens para modernizar os modelos F-15I já em serviço no país. Embora ainda não se saiba o quanto o cronograma de entregas será afetado, vale registrar que as primeiras aeronaves são esperadas para o início da próxima década, mantendo um ritmo de entrega entre quatro e seis caças por ano.

Imagens usadas apenas para fins ilustrativos

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