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Teste do 2020 Mazda MX-5 RF 2.0 GT Sport Tech

Carro esportivo cinza escuro em movimento em estrada cercada por árvores ao entardecer.

Uau, carrinho, nome GIGANTE.

Pois é. Respira fundo e dá as boas-vindas ao novo Mazda MX-5 RF 2.0 GT Sport Tech 2020. Mas calma: para 2020, a novidade mesmo é só o sobrenome “GT Sport Tech”, se é que você me entende.

Em termos bem diretos, se um MX-5 comum é um Snickers - simples e certeiro - este aqui é um Ferrero Rocher. Ele se acha chique, todo refinado e “de categoria”, mas no fundo entrega praticamente a mesma dose, só que embrulhada num pacote brilhante.

Então, o que o “GT Sport Tech” acrescenta de verdade?

Para começar, apenas ele e o Sport Tech (um degrau abaixo) podem ser combinados com o ótimo motor 2.0. Foi o propulsor que a Mazda deu uma bela afiada no ano passado, usando componentes internos mais leves para liberar mais potência e deixar as respostas mais vivas. É um motor precioso: sobe de giro com um entusiasmo de “banzai”, cantando até 7.500 rpm. É a coisa mais perto que existe hoje de um Honda S2000 moderno.

Imagino que os MX-5 mais “classe média” venham com algum outro motor

Vêm, sim: um 1.5 de quatro cilindros que continua simpático, mas é bem menos nervoso. Ele rende 130 bhp - 52 bhp a menos do que o belo 2.0. E aí você vai acabar esticando giro por necessidade.

E além da pimenta debaixo do capô?

Ao escolher o GT Sport Tech, dá para optar por câmbio automático no lugar do manual de primeira - perfeito caso você queira que quem estava sorrindo ao olhar o carro troque o sorriso por uma careta de decepção.

O lado “GT” e “Sport” do folheto aparece principalmente nos bancos em couro Nappa na cor de vinho tinto e nas belas rodas BBS de 17 polegadas. Já a parte “Tech” vem com câmera de ré de série, alerta de ponto cego e faróis LED automáticos.

Parece um pacote bem completo

Sem dúvida. E quando o MX-5 GT Sport Tech chegou para o teste, com aquelas “colunas” traseiras que lembram, em miniatura, uma Ferrari 812 GTS (o teto rígido retrátil RF custa £1.900 a mais do que o teto de lona), e ainda por cima vestido na pintura metálica Polymetal Grey Metallic com efeito “líquido”, ficou difícil não desejar. Tinha um quê de ameaçador, era fofo e, ao mesmo tempo, elegante. Tipo um filhote de bulldog em cima de uma almofada de veludo.

Certo… guarda o dicionário de sinónimos. Onde está o porém?

O porém é que este MX-5, completo e “com tudo”, sai por £31.805. Some a pintura cinza “exótica” e ele passa fácil de £32 mil.

E o MX-5 nem tem tantos rivais diretos. O seu meio-primo italiano, o Fiat 124 Spider, ficou no mercado mais ou menos o tempo que uma escultura de gelo aguentaria no centro do Cairo. Existem o Toyota GT86 e o Subaru BR-Z, mas eles já mostram a idade e, por serem cupês 2+2 com teto fixo, também não são exatamente a mesma proposta.

Então, dá para argumentar que a Mazda cobra o que quiser. Só que por £32 mil, este MX-5 em específico tropeça no adversário mais cruel de todos: outro MX-5. Um mais barato.

Um caso em que menos é mais?

Exatamente. Se a sua meta é viver o roadster clássico, eu não tenho certeza de que o MX-5 topo de linha melhore o suficiente para justificar esse preço. Na faixa dos trinta e poucos mil, defeitos que normalmente a gente releva - como a direção estranhamente anestesiada e um controle de carroçaria um pouco “molenga” - ficam mais difíceis de perdoar.

O MX-5 RF é um companheiro delicioso para passear sem pressa, enchendo os pulmões com ar do interior e deixando as pontas das orelhas vermelhas no sol da tarde. Faz bem. Você ocupa pouco espaço na estrada, bebe muito pouco (fazer 40 mpg é bem fácil) e transmite uma vontade genuína de brincar.

Mas, ao contrário de um desportivo de verdade, ele não fica melhor quanto mais você exige. E com um motor tão solto e viciante em giros quanto este 2.0 mais recente, ele deveria ficar. O chassis tinha de ser mais preciso, mais ligado no asfalto e mais disposto a aceitar traquinagem.

A Mazda equipa todos os MX-5 2.0 com barra de amarração dianteira, amortecedores Bilstein e diferencial autoblocante, mas o resultado final - por mais encantador que seja muitas vezes - não chega a ser a soma perfeita dessas peças apetitosas.

Então fica aqui o meu pedido à Mazda: se existe mercado para um MX-5 “de luxo” de £31 mil (e claramente existe, já que o RF GT Sport Tech está aí), que tal fazer uma série limitada mais baixinha e mais focada, para nós, os nerds de condução?

Tipo um MX-5 GT2 RS?

Nada tão radical. Mantém o conjunto mecânico exatamente como está, usa o teto de lona de desenho elegantemente simples, baixa a altura do carro e deixa as respostas mais firmes.

Depois, sequestra um engenheiro da Porsche e exige que ele reescreva o código do computador da direção elétrica para ficar mais tátil. Talvez um volante em camurça e um banco com abas laterais mais marcadas.

Nem precisa de um escape barulhento - o MX-5 já faz um ronco suficientemente agradável. E estas rodas BBS arrumadinhas continuam perfeitas.

Ah, e não joga o multimédia no lixo do “alívio de peso”. A Mazda podia ensinar a muitos fabricantes “premium” como se faz um ecrã de carro fácil de usar.

À medida que as leis de emissões de CO₂ apertam, que os carros precisam de eletrificação para sobreviver - e que as vendas de desportivos desabam - é hora de a Mazda construir a carta de amor definitiva ao seu roadster mais emblemático, antes que seja tarde demais.

Há um hotel em Itália onde ele certamente encontraria um lar feliz…

Nota: 7/10

Especificações: 1998 4 cil., 182 bhp, 151 lb ft, 0–100 km/h (0–62 mph) em 6,8 s, 220 km/h (137 mph), 14,5 km/l (40,9 mpg), 155 g/km, 1094 kg, £31.805

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