Pular para o conteúdo

Menopausa precoce aumenta o risco de doença cardíaca, aponta estudo da Northwestern Medicine

Paciente conversa com médica que explica sobre o coração usando tablet e folheto informativo.

A menopausa costuma ser tratada como uma etapa natural do envelhecimento, mas o momento em que ela acontece pode ter impacto importante na saúde ao longo dos anos.

Um novo estudo da Northwestern Medicine indica que entrar na menopausa cedo eleva o risco de doença cardíaca. O achado muda a forma de encarar esse período: não se trata apenas do fim da fase reprodutiva, e sim de uma questão de proteção do coração por décadas.

Menopausa ligada ao risco cardíaco

Pesquisadores da Northwestern University Feinberg School of Medicine analisaram dados de mais de 10.000 mulheres em diferentes regiões dos Estados Unidos.

O acompanhamento cobriu um intervalo longo, de 1964 a 2018. Nesse período, foram registrados mais de 1.000 casos de doença arterial coronariana, incluindo infartos fatais e não fatais.

Esse tempo extenso de observação permitiu relacionar a menopausa precoce com desfechos cardiovasculares que surgem mais tarde na vida.

O que é doença arterial coronariana?

A doença arterial coronariana ocorre quando os vasos sanguíneos que irrigam o coração ficam estreitos ou obstruídos. Com o passar do tempo, material gorduroso chamado placa se acumula dentro das artérias.

Esse acúmulo reduz o fluxo de sangue, e o coração passa a receber menos oxigênio. Quando o fluxo cai, o risco de infarto aumenta. Além disso, o músculo cardíaco pode enfraquecer gradualmente.

“Quando a menopausa acontece antes dos 40 anos, as mulheres ainda têm mais da metade da expectativa de vida pela frente”, afirmou a autora principal do estudo, a Dra. Priya Freaney, professora assistente de medicina.

“Entender o risco acumulado ao longo da vida de doença cardíaca relacionada a obstruções é fundamental.”

Risco mais alto com menopausa precoce

O estudo encontrou uma associação forte entre menopausa precoce e doença cardíaca. Mulheres que entram na menopausa antes dos 40 anos apresentam cerca de 40 por cento mais risco, ao longo da vida, de desenvolver doença arterial coronariana em comparação com aquelas que chegam à menopausa mais tarde.

Esse aumento permaneceu mesmo depois de os pesquisadores levarem em conta outros fatores de risco. Entre eles estavam tabagismo, obesidade, pressão alta e diabetes. O trabalho também identificou diferenças entre grupos.

Aproximadamente 15,5 por cento das mulheres negras tiveram menopausa precoce, contra 4,8 por cento das mulheres brancas. Para os autores, fatores sociais, ambientais e de saúde provavelmente contribuem para essa diferença.

Mudanças dentro do corpo

A menopausa provoca queda do estrogênio, hormônio associado à proteção cardiovascular. Quando o estrogênio diminui, o organismo passa por uma série de alterações que, aos poucos, podem elevar o risco para o coração.

“À medida que o estrogênio natural cai, independentemente da idade em que isso ocorre, o colesterol e a pressão arterial sobem, a distribuição de gordura corporal muda para a região abdominal, a massa muscular diminui, a glicose pode se desregular e as artérias ficam mais rígidas”, disse a Dra. Freaney.

Quando a menopausa começa mais cedo, essas mudanças também se iniciam antes e se prolongam por mais tempo. Essa exposição prolongada tende a aumentar, com o passar dos anos, a sobrecarga sobre o coração.

Por que a menopausa pode começar cedo

Nos Estados Unidos, a menopausa costuma ocorrer por volta dos 51 anos. A menopausa precoce é definida entre 40 e 45 anos. Já a menopausa prematura acontece antes dos 40. Nem sempre a causa exata é conhecida.

Os pesquisadores apontam algumas explicações possíveis. A genética pode influenciar. Fatores de estilo de vida, como fumar e ter obesidade, também podem contribuir.

Exposições ambientais e estresse de longa duração igualmente podem afetar o corpo. Alguns cientistas ainda levantam a hipótese de que o início mais cedo dos ciclos menstruais esteja relacionado. Para esclarecer completamente esses motivos, ainda são necessários mais estudos.

O que isso significa no dia a dia

A menopausa precoce pode funcionar como um sinal de alerta para problemas cardíacos no futuro. Quem passa por isso precisa observar a saúde do coração com mais atenção desde mais jovem. Medidas pequenas, quando adotadas cedo, podem reduzir o risco ao longo do tempo.

“Diga a si mesma: eu preciso ser muito mais proativa do que minha vizinha em relação à minha própria saúde do coração”, afirmou a Dra. Freaney. “A grande maioria das doenças cardíacas é evitável, mas as pessoas precisam saber que estão em risco ainda no início da vida, porque a prevenção eficaz leva décadas.”

Hábitos como praticar atividade física com regularidade, manter uma alimentação equilibrada e fazer consultas e exames de rotina podem ter grande impacto.

Um novo jeito de enxergar a menopausa

Por muitos anos, a assistência em saúde tratou a menopausa sobretudo como um tema reprodutivo. Este estudo indica que os efeitos vão além, incluindo a saúde cardiovascular. Na avaliação de risco, médicos e médicas precisam considerar a idade em que a menopausa ocorreu.

A Dra. Freaney reforça essa necessidade de forma direta: “Todos os profissionais de saúde precisam se sentir à vontade para perguntar sobre menopausa, porque temos receptores de estrogênio da cabeça aos pés.”

A pesquisa incentiva uma visão mais ampla da saúde das mulheres. Compreender o momento da menopausa pode ajudar a identificar riscos mais cedo, favorecendo um cuidado melhor e trajetórias de vida mais saudáveis no longo prazo.

Para a análise, a equipe reuniu dados de grandes projetos de pesquisa, como o Framingham Heart Study, o Atherosclerosis Risk in Communities Study e o Women’s Health Initiative.

Esses estudos acompanharam a saúde das participantes por muitos anos, o que ajudou os cientistas a enxergar padrões com mais nitidez.

Comentários

Ainda não há comentários. Seja o primeiro!

Deixar um comentário