O emblemático maciço florestal de Seine-et-Marne enfrenta, desde este fim de semana, um incêndio de “proporções excepcionais”. Alimentado por uma onda de calor sufocante, o fogo já destruiu mais de 1 900 hectares.
Atualização em 14 de julho às 09h50: após 1 300 hectares na noite de segunda-feira, o ministro do Interior, Laurent Nunez, declarou na manhã de terça-feira que mais de 1 900 hectares da floresta de Fontainebleau haviam queimado. A situação segue fora de controlo e até 900 pessoas foram retiradas de casa. Em paralelo, pelo menos duas pessoas foram detidas, suspeitas de terem provocado o incêndio nas proximidades de um dos palácios reais mais conhecidos de França.
Os primeiros números provisórios impressionam: entre 800 e 1 000 hectares de mata já foram atingidos pelas chamas. O incêndio começou em Noisy-sur-École e, em seguida, avançou na direção das famosas gargantas de Apremont, afetando um dos ecossistemas mais valiosos e mais visitados da região de Île-de-France.
O subprefeito de Fontainebleau, Yannis Bouzar, alertou que a intervenção será prolongada e deve estender-se por uma a duas semanas. Quase 400 bombeiros atuam no terreno, com apoio de mais de 80 veículos pesados. Reforços nacionais também estão a caminho de outras regiões. Além disso, agricultores locais prestam apoio de emergência, usando tratores e tonéis de borda para abastecer com água os camiões dos bombeiros.
Incêndio na floresta de Fontainebleau: resposta aérea inédita
Pela primeira vez na história da região parisiense, foram mobilizados dois aviões Dash, dois helicópteros de lançamento de água e dois Canadairs. De acordo com o coronel Olivier Compta, que comanda as operações, esses lançamentos aéreos permitiram evitar, no último momento, a evacuação total das aldeias de Noisy-sur-École e do Vaudoué.
Um terreno muito difícil de operar
Os bombeiros enfrentam obstáculos concretos, porque o maciço dos Três-Pignons e a área das gargantas de Apremont são marcados por um caos de rochas e encostas íngremes. Os veículos pesados não conseguem entrar no interior dessas zonas acidentadas, obrigando as equipas a avançar a pé com linhas retráteis de mangueiras de combate a incêndio.
Além disso, as condições meteorológicas complicam severamente a estratégia: para lá das temperaturas extremas associadas ao alerta vermelho por onda de calor, os socorros têm de lidar com ventos variáveis e instáveis. Por fim, o solo de Fontainebleau - por vezes muito turfoso e cheio de raízes - retém calor. O incêndio infiltra-se em profundidade e serpenteia sob o caos rochoso. Por isso, é necessário encharcar completamente as parcelas com toneladas de água para selar o solo.
Suspeita de origem criminosa
Registaram-se vários focos de incêndio praticamente ao mesmo tempo, o que levou as autoridades a privilegiar a hipótese de origem criminosa.
Evacuações pontuais foram realizadas
Diante do avanço extremamente rápido das chamas, intensificado pelo calor, as autoridades executaram evacuações preventivas e direcionadas desde a noite de domingo. Cerca de quinze casas consideradas particularmente expostas foram evacuadas na aldeia do Vaudoué. Já outras moradias situadas na borda da floresta, em Noisy-sur-École e Achères-la-Forêt, ficaram sob proteção direta das linhas de mangueiras operadas pelos bombeiros.
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