Os dados são de 2025, mas chamam atenção - e dificilmente ficarão muito distantes do que deve ser visto em 2026. Só nos primeiros seis meses do ano passado, a China colocou no mercado mais novidades automotivas do que EUA e Europa costumam receber juntos ao longo de um ano inteiro.
Ritmo de lançamentos no mercado automotivo chinês
De acordo com números da plataforma chinesa Dongchedi, citados pela Bloomberg, cerca de 650 novidades chegaram ao mercado chinês entre janeiro e junho - o que equivale a mais de 3,5 lançamentos por dia.
Esse total não contempla apenas modelos totalmente inéditos: inclui também atualizações de produto, como novas versões, novas cores ou mudanças de configuração. Ainda assim, mesmo quando se olha apenas para os carros completamente novos, a velocidade com que as marcas atualizam suas linhas continua a impressionar.
Pela análise da Bloomberg, os modelos inéditos somaram cerca de 30 lançamentos por mês desde janeiro. No agregado, isso significa que o mercado chinês recebeu aproximadamente 180 automóveis novos no primeiro semestre.
EUA e Europa ficam bem atrás
A distância é grande. Considerados em conjunto, os mercados dos EUA e da Europa operam muito abaixo desse ritmo. Segundo o estudo Car Wars, do Bank of America Securities, também citado pela Bloomberg, os EUA devem receber apenas 159 novos modelos entre 2026 e 2029 - depois de terem apresentado somente 29 em 2024.
Na Europa, o panorama é semelhante: conforme a Association of European Vehicle Logistics, o mercado europeu costuma receber, por ano, de 35 a 50 modelos totalmente novos.
“É de loucos”
“É de loucos.” É assim que He Zhiqi, vice-presidente executivo da BYD, define o mercado automotivo chinês em uma publicação no Weibo, descrevendo-o como “brutal”.
Para o executivo, em um setor em que criar um modelo novo tradicionalmente levava vários anos, hoje o interesse por um lançamento “mal se aguenta três meses antes de esfriar”.
Demanda em queda, guerra de preços e carros como tecnologia
Esse ritmo acelerado de lançamentos aparece num momento em que a demanda doméstica começa a mostrar sinais claros de desaceleração. Em junho, as vendas de carros de passeio na China recuaram 23% em relação ao mesmo mês do ano passado, segundo dados da associação chinesa de montadoras (CPCA).
Essa mesma cadência de lançamentos ocorre justamente quando o consumo interno dá sinais evidentes de perda de fôlego: em junho, as vendas de automóveis de passageiros na China caíram 23% na comparação com o mesmo mês do ano anterior, conforme números da associação chinesa de construtores (CPCA).
A necessidade de apresentar novos modelos é reforçada por uma guerra de preços que já dura há vários anos e por um ambiente em que os automóveis são cada vez mais vistos como produtos de tecnologia. Para não perder a atenção do consumidor, as montadoras acabam obrigadas a renovar a oferta de forma contínua.
Ao mesmo tempo, fabricantes chineses conseguiram encurtar de maneira drástica os prazos de desenvolvimento, colocando no mercado com mais rapidez novas baterias, sistemas de assistência à condução e outras tecnologias.
Na visão de He Zhiqi, essa concorrência extrema deve, no fim, deixar as marcas chinesas mais fortes globalmente. “A competição também gera prosperidade”, escreve, ao comparar o mercado chinês a um campo de treinamento: “É preciso rastejar e lutar nele para construir um corpo forte”, conclui.
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