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De acordo com documentos oficiais divulgados recentemente, a Marinha dos Estados Unidos (US Navy) pretende recolocar em serviço ativo o destróier USS Zumwalt (DDG-1000) no próximo mês de setembro, já com os novos lançadores para mísseis hipersônicos Intermediate-Range Conventional Prompt Strike (IRCPS) instalados. Ainda assim, o navio-líder da classe homônima retornará sem as armas que justificam a modernização: o destróier voltará à ativa como a primeira unidade de superfície da US Navy equipada com lançadores de mísseis hipersônicos, porém sem mísseis embarcados, já que o armamento segue em desenvolvimento e em fase de testes.
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Uma acumulação contínua de atrasos no cronograma
Para entender o andamento do programa, é útil separar dois números que frequentemente se confundem nas análises da modernização da classe. De um lado, as obras no USS Zumwalt, iniciadas em 2023, já somam cerca de 10 meses de atraso, em grande parte por causa do primeiro desligamento completo do complexo Integrated Power System (IPS) desde a entrega do navio à Marinha, há seis anos. Esse é o sistema responsável por fornecer a energia necessária tanto para a propulsão quanto para a operação dos sistemas avançados da embarcação.
Em um plano mais amplo, o relatório da Government Accountability Office (GAO) publicado em 17 de julho concluiu que a Marinha norte-americana acumula 24 meses de atraso no esforço para modernizar os três destróieres da classe Zumwalt a fim de operar o míssil hipersônico Conventional Prompt Strike (CPS). Esse total se refere ao programa CPS como um todo - incluindo produção de mísseis, testes e coordenação com o Exército - e não apenas às intervenções realizadas no USS Zumwalt.
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O que a modernização do USS Zumwalt incorpora?
O foco central da modernização é trocar o armamento original do USS Zumwalt por uma nova capacidade de ataque de longo alcance baseada em mísseis hipersônicos. Os quatro novos tubos de lançamento - cada um apto a acomodar três mísseis IRCPS - foram instalados no espaço antes ocupado pelos dois canhões originais Advanced Gun System (AGS) de 155 mm, totalizando 12 mísseis por navio quando o sistema estiver operacional.
Segundo a GAO, ao fim de janeiro passado a modernização da embarcação estava 94% concluída. No entanto, tarefas não previstas - somadas à complexidade dos sistemas característicos da classe Zumwalt - continuaram a empurrar o cronograma para frente.
Por que ainda não leva mísseis hipersônicos?
A falta de armamento a bordo não está ligada a um problema do navio, e sim do míssil. Conforme o relatório da GAO, o primeiro disparo real em ambiente marítimo a partir do destróier foi adiado de 2025 para 2027. Entre os motivos, o órgão apontou questões de qualidade e de produção que mantêm a cadência de fabricação do CPS muito abaixo da meta de 12 mísseis ao ano.
Além disso, há fatores ligados ao próprio processo industrial: a GAO observou que as instruções de trabalho muitas vezes são redigidas como especificações de engenharia e entregues a operadores recém-saídos do ensino médio ou de escolas técnicas, o que - segundo responsáveis pela supervisão da produção na Marinha - é uma exigência pouco razoável sem treinamento adicional.
O restante da classe Zumwalt
O USS Zumwalt não é um ponto fora da curva dentro de sua classe. Os outros dois destróieres, o USS Michael Monsoor (DDG-1001) e o futuro USS Lyndon B. Johnson (DDG-1002), receberão o mesmo pacote de alterações. No caso deste último, os trabalhos já estão em andamento com vistas à entrega, agora prevista para abril de 2027.
A Marinha também planeja ampliar a capacidade IRCPS para além de plataformas de superfície, já que o programa tem como meta, no futuro, integrar o sistema aos submarinos da classe Virginia do Bloco V, expandindo o conjunto de plataformas capazes de empregar o CPS.
Uma mesma arma, dois serviços
O míssil destinado ao Zumwalt não será exclusivo da Marinha: é o mesmo sistema que o Exército dos EUA desenvolve na versão terrestre sob a denominação *Dark Eagle*, baseada em um lançador montado sobre reboque. A principal diferença técnica entre as duas versões está no método de lançamento: enquanto o CPS naval utiliza ejeção por gás frio antes da ignição, a variante do Exército adota lançamento a quente.
Apesar de compartilharem a mesma linha de produção de mísseis, a GAO identificou falhas de coordenação entre as duas forças. O relatório destacou que a Marinha não pode decidir de forma isolada, uma vez que o Exército compra seus próprios mísseis e administra aspectos essenciais da produção - algo que, segundo o órgão, pode levar ao uso ineficiente de mais de US$50.000 milhões investidos conjuntamente por ambos os serviços nesse esforço hipersônico.
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