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El Niño pode ser ainda mais intenso até o outono, alertam NOAA e JMA

Homem com fone de ouvido analisa mapa digital com dados e gráficos em escritório moderno ao entardecer.

O mundo inteiro acompanha com apreensão um evento que promete ser especialmente intenso. A menos que os modelos climáticos estejam errados (o que parece pouco provável), o El Niño pode nos colocar sob forte pressão até o outono.

Sinais e alertas das agências NOAA e JMA

No início de junho, meteorologistas de vários países já haviam acendido o sinal de alerta: era mais do que provável que o El Niño voltasse neste ano. Agora é oficial: recebemos a confirmação há poucos dias pela Japan Meteorological Agency (JMA), seguida pela National Oceanic and Atmospheric Administration (NOAA). “O fenômeno El Niño se estabeleceu no Pacífico tropical”, declarou a agência norte-americana. Antecipando as projeções iniciais dos climatologistas, há possibilidade de ele ser bem mais intenso do que o episódio de 2023, que já havia elevado a temperatura média global a patamares impressionantes no ano seguinte.

O que é El Niño?

Um fenômeno natural e cíclico, que retorna a cada dois a sete anos, o El Niño começa quando os ventos tropicais perdem força. Em condições normais, esses ventos empurram as águas mais quentes do Pacífico em direção ao Sudeste Asiático e ajudam a regular a temperatura da superfície do oceano ao longo do equador. Quando eles enfraquecem, é como se uma barragem se rompesse: a enorme massa de água quente acumulada no oeste do Pacífico recua para leste e aquece as águas superficiais de praticamente toda a bacia do Pacífico.

Esse deslocamento repercute rapidamente na circulação atmosférica do planeta: secas se agravam na Austrália e no Sahel, a América do Sul recebe chuvas torrenciais, e o Sudeste Asiático enfrenta ondas de calor intensas. Mesmo estando longe do Pacífico, a Europa também sente os efeitos do El Niño, com invernos que podem ficar mais úmidos no Sul e mais frios no Norte.

Por que as temperaturas globais disparam

Em escala global, as médias de temperatura entram em aceleração por causa do volume gigantesco de calor liberado para a atmosfera. Além disso, o aquecimento global de origem humana tende a piorar o quadro, já que o “termômetro” do planeta marca hoje 1,4 °C acima dos níveis pré-industriais. Somado a essa base já elevada, o El Niño amplifica um desequilíbrio de fundo que já não conseguimos conter.

Um episódio potencialmente histórico

De acordo com as previsões da NOAA, o El Niño deve se intensificar ao longo deste ano e alcançar “um nível moderado a forte no outono”, com 63% de probabilidade de as temperaturas da superfície em algumas áreas do Pacífico ficarem mais de 2 °C acima do normal. Se esse patamar for atingido, ele pode superar recordes que remontam a 1877 - considerado o pior episódio já observado.

Impactos esperados nas Américas e na Europa

Nos EUA, o Centro-Oeste (Midwest) pode enfrentar estresse térmico extremo, enquanto estados mais ao sul, assim como o Canadá, veriam as temperaturas dispararem, elevando o risco de incêndios no verão. Na Europa, a temporada de inverno pode ficar totalmente fora do padrão, com início mais ameno e a ocorrência de ondas de frio tardias.

Ken Graham, diretor do Serviço Meteorológico Nacional da NOAA, ainda assim evita cair no catastrofismo: “Cada El Niño é diferente; cada um deixa sua própria marca no nosso clima. Os avanços no monitoramento e na compreensão do fenômeno nos permitem antecipar melhor e preparar melhor o público para o que vem”. As próximas semanas serão decisivas: saberemos se essas projeções se confirmam ou não, mas, infelizmente, há grandes chances de o episódio de 1877 ganhar um sucessor neste ano.

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