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NASA prepara a próxima geração de helicópteros marcianos após Ingenuity

Astronauta em solo marciano com helicópteros voando e equipamentos de pesquisa ao redor ao entardecer.

Voar em Marte voltou a entrar no radar da NASA cinco anos depois do voo histórico do Ingenuity. Agora, a agência já trabalha na próxima geração de helicópteros marcianos - e com ambições bem maiores: em testes recentes, as pontas das pás de rotor ultrapassaram a barreira do som, um passo importante para criar veículos capazes de explorar o planeta vermelho de um jeito inédito.

Voar em Marte: um desafio extremamente complexo

Gerar sustentação em Marte é uma tarefa especialmente difícil. A atmosfera marciana é cerca de cem vezes mais rarefeita do que a da Terra, o que reduz drasticamente o “apoio” disponível para manter uma aeronave no ar. Ao mesmo tempo, a gravidade do planeta continua relevante, em torno de 38 % da que sentimos aqui.

O legado do Ingenuity e os limites da primeira geração

É justamente por isso que o Ingenuity, que chegou a Marte em 2021, representa um feito extraordinário. O pequeno helicóptero realizou o primeiro voo motorizado e controlado em outro planeta e, depois, somou 72 voos - muito acima das expectativas iniciais. Foi uma demonstração impressionante.

Mas havia limites claros: por ter sido concebido como uma prova de conceito, o Ingenuity não levava instrumentos científicos.

Além disso, para reduzir riscos, a NASA restringiu a rotação das pás a 2 700 tours par minute, mantendo as pontas em Mach 0,7. Isso porque, próximo de Mach 1 - a velocidade do som - o comportamento físico se torna menos previsível, e as cargas mecânicas nas pás passam a ser mais difíceis de controlar. Esse “colchão” de segurança evitou incidentes, mas também impôs um teto ao desempenho do veículo.

Dois rotores testados

Para avançar além dessas limitações, engenheiros do Jet Propulsion Laboratory (JPL) da NASA decidiram ir adiante. Em março, eles conduziram 137 testes com dois rotores em um laboratório capaz de reproduzir condições marcianas: no lugar do ar, usa-se dióxido de carbono de densidade muito baixa, enquanto ventos artificiais simulam o cenário real de voo.

O primeiro conjunto, com três pás, atingiu Mach 1,08 nas pontas sem apresentar qualquer dano. “Achávamos que teríamos sorte se chegássemos a Mach 1,05, e alcançamos Mach 1,08 nos nossos últimos testes”, comemorou Shannah Withrow-Maser, aerodinamicista do NASA Ames Research Center.

O segundo rotor, com duas pás e um pouco mais longo, foi projetado especificamente para a futura missão SkyFall, prevista para 2028. O comprimento extra permite alcançar velocidades semelhantes na ponta das pás com menos rotações por minuto - um ganho relevante do ponto de vista do projeto. No total, esses testes elevaram a capacidade de sustentação dos veículos em 30 %.

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Novas possibilidades de exploração em Marte

Na prática, esse aumento de desempenho muda o jogo. Os próximos helicópteros marcianos poderão levar instrumentos científicos, sensores mais avançados e baterias maiores, o que abre espaço para missões mais longas e para cobrir distâncias superiores.

Vale lembrar que a SkyFall deve transportar três helicópteros de nova geração para Marte. Esses aparelhos terão condições de investigar áreas inacessíveis aos rovers - por serem acidentadas demais ou simplesmente distantes - e analisar a superfície a uma altitude que os orbitadores não conseguem alcançar.

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