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Câncer de intestino na Austrália: por que cresce antes dos 50 e como o rastreamento ajuda

Casal jovem lendo bula de remédio na cozinha, com salada e tênis sobre a mesa.

O câncer de intestino é o quarto tipo de câncer mais frequente na Austrália, com mais de 15,000 diagnósticos por ano. Ele também ocupa o segundo lugar entre as causas de morte por câncer.

Nos últimos tempos, manchetes têm alertado para um aumento de casos em adultos mais jovens, destacando que, na Austrália, os diagnósticos de câncer de intestino em pessoas com menos de 50 anos estão entre os mais altos do mundo.

Embora isso seja muito preocupante, é essencial colocar o dado em perspectiva: no conjunto da população australiana, a taxa de novos casos de câncer de intestino vem diminuindo ao longo de aproximadamente 20 anos. A maior parte dos diagnósticos ainda ocorre em adultos acima de 50 anos e, com a ajuda de um programa nacional de rastreamento nessa faixa etária, as taxas vêm caindo.

Diante disso, por que os números estão subindo entre os mais jovens - e como reduzir o risco?

O rastreamento nacional está funcionando

A Austrália foi um dos primeiros países a implementar um rastreamento populacional para câncer de intestino. O Programa Nacional de Rastreamento do Câncer de Intestino começou em 2006. A cada dois anos, um kit é enviado pelo correio para adultos de 50–74.

Esse teste simples de fezes identifica quantidades microscópicas de sangue, o que pode sinalizar a presença de câncer ou de uma lesão pré-cancerosa. Com isso, aumenta-se a chance de detectar o problema mais cedo e melhorar as taxas de sobrevivência.

Mesmo com a comprovada eficácia do programa, a adesão ainda está aquém do ideal: fica em torno de 40%. Se mais pessoas participassem, seria possível observar quedas ainda maiores nas taxas de câncer de intestino.

E os adultos mais jovens?

Enquanto a incidência de câncer de intestino diminui entre pessoas mais velhas, dados que vêm surgindo nos últimos anos mostram um cenário diferente para quem tem menos de 50.

Uma pesquisa que realizei com colegas apontou crescimento tanto de câncer de intestino quanto de câncer retal entre 1982 e 2014 na Austrália, especificamente em pessoas com menos de 50.

Uma pré-publicação recente (um estudo que ainda não passou por revisão por pares) traz dados até 2020 e reforça essa tendência. O trabalho sugere que pessoas nascidas nos anos 1990 têm de duas a três vezes mais risco de câncer de intestino do que aquelas nascidas nos anos 1950.

Movimentos parecidos foram observados em diversos países. Ainda assim, comparações internacionais indicam que as taxas de câncer de intestino de início precoce na Austrália estão entre as mais altas do mundo.

O que está por trás desse aumento?

Por enquanto, as causas não estão bem estabelecidas. Parte dos estudos tem investigado fatores como alimentação e estilo de vida, obesidade e consumo de carne vermelha.

No entanto, estudar dieta como causa de doenças é notoriamente difícil. Isso ocorre porque é necessário obter informações de longo prazo sobre o que as pessoas consomem e acompanhá-las até que a doença se desenvolva (o que se chama de estudo observacional).

Se um estudo observacional encontrar uma associação positiva, pesquisadores podem então tentar testar a hipótese em um ensaio clínico randomizado e controlado: um grupo consome determinado alimento (como carne vermelha) e o outro não, e depois se comparam, ao longo do tempo, as taxas de câncer de intestino entre os grupos.

Como esse tipo de ensaio é praticamente impossível de conduzir - já que os participantes precisariam seguir regras alimentares rigorosas por anos -, comprovar causas alimentares se torna particularmente desafiador.

Pesquisas mais recentes têm dado atenção ao possível papel de infecção por E. coli na infância, com a proposta de que a infecção por algumas cepas poderia provocar alterações precoces no DNA e, mais adiante, aumentar o risco de câncer. Outros estudos investigam a participação de um microbioma intestinal alterado. Essas hipóteses ainda precisam de mais evidências.

O que as pessoas podem fazer para reduzir o risco?

Vale ficar atento a sinais novos ou que causem preocupação. Presença de sangue nas fezes, especialmente quando isso surge pela primeira vez, ou qualquer mudança no funcionamento intestinal habitual são motivos importantes para marcar uma consulta médica sem demora.

Além disso, embora os kits de rastreamento sejam enviados a cada dois anos a partir dos 50, desde 2024 pessoas de 45–49 podem solicitar que um kit seja enviado.

Como a participação no programa de rastreamento do câncer de intestino ainda é menor do que o ideal, quem tem mais de 50 e recebe o kit em casa é fortemente incentivado a realizar o teste o quanto antes. Aumentar a adesão ao rastreamento continua sendo uma das formas mais importantes de reduzir a carga do câncer de intestino na Austrália.

Suzanne Mahady, Professora Associada, Gastroenterologista e Epidemiologista Clínica, Monash University

Este artigo foi republicado do The Conversation sob uma licença Creative Commons. Leia o artigo original.

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