Nem todo “híbrido” precisa parecer uma nave espacial. Às vezes, a eletrificação chega de mansinho: um empurrãozinho aqui, um motor desligando ali, e pronto - o carro fica mais esperto no dia a dia sem mudar completamente de personalidade.
É exatamente esse o caso, na mesma linha do Puma e do Fiesta recém-eletrificado. As versões mais fortes do 1.0 turbo EcoBoost agora trazem um sistema de 48 V com motor de partida-gerador, pensado para suavizar qualquer atraso do turbo e deixar o motor “dormir” por mais tempo no trânsito.
Existem duas opções de potência: a versão de 123 bhp, ou a EcoBoost Hybrid de 153 bhp. Este teste é com a segunda. Com overboost, ela entrega 177 lb ft (cerca de 240 Nm) de torque. No Focus, isso significa 0–62 mph (0–100 km/h) em 9,2 s. Mas, na prática, parece mais rápido do que o número sugere.
Então é um hot hatch?
Nada tão empolgante assim, mas é um motor simpático, daquele jeito disposto que os três-cilindros costumam ter. Ele quer agradar. Há um ícone no painel mostrando quando a energia armazenada está ajudando o motor, e a resposta é realmente pronta. Não aparece aquela sensação de “carro grande com motor pequeno” que você talvez espere.
Além disso, o sistema desliga o motor - mesmo com o pedal da embreagem pressionado - quando você está em roda livre abaixo de 15 mph (24 km/h), arrancando pequenas economias de combustível. Fizemos média de 45 mpg (aprox. 15,9 km/l) em dois tanques, com autonomia possível acima de 400 milhas (cerca de 640 km). Fica bem longe da média declarada pela Ford de 53,3 mpg (aprox. 18,9 km/l), mas ainda é um consumo respeitável para um hatch médio familiar a gasolina e turbo.
Posso escolher câmbio automático?
Não. Os Focus híbridos são apenas manuais. Mas o engate é bem preciso e gostoso de usar, se você curte isso. E, se não curtir, o torque extra do sistema híbrido ajuda a reduzir algumas trocas de marcha quando bate aquela preguiça.
No Fiesta menor, a versão de 123 bhp desse motor dá conta tranquilamente, mas para o Focus (maior e mais pesado) a gente ficaria com a de 153 bhp. Ela custa só £320 a mais.
O resto do Focus não está começando a envelhecer?
Essa geração “boca de tubarão-baleia” está por aqui há dois anos e meio, então não dá para chamar de antiga. Só que, nesse período curto, vários rivais se reorganizaram e voltaram mais fortes. Teve VW Golf novo e Seat Leon novo. O Mazda 3 mais recente é absurdamente bom. Indo para opções mais baratas, dá para levar um Skoda Skala, e existem escolhas mais “premium” como o BMW Série 1 recém-lançado, agora com tração dianteira.
Mas sabe de uma coisa? O velho confiável aqui continua firme. Enquanto o Golf novo e companhia deram uma bela escorregada com interiores sem botões e cheios de marcas de dedo, os botões e comandos táteis do Focus são uma dose bem-vinda de bom senso. Ele tem um dos conjuntos mais simples de touchscreen e painel de instrumentos do mercado. E, embora não seja exatamente um carro bonito, o Mazda 3 mais chamativo não é tão espaçoso.
Como de costume, a Ford não esqueceu das tarefas do dia a dia, onde esse tipo de carro realmente precisa entregar. E também não abriu mão de fazer um carro mais divertido em curva do que ele “precisaria” ser. Até um Focus “normal” como este é bem acertado numa estrada boa.
Por isso, quando colocamos o Focus contra o Leon bem mais novo, demos a vitória ao Ford. E isso foi antes dessa cereja híbrida deixar o pacote ainda mais interessante.
8/10
Ford Focus ST-line X Edition 1.0T EcoBoost Hybrid
£26,780
1.0-litro 3-cil turbo
153 bhp, 177 lb ft
0–62 mph em 9,2 s, 131 mph
53,3 mpg, 121 g/km CO2
1320 kg
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