Por que a BMW desenvolveu um gigantesco V16 nos anos 80 e o colocou - com resultados variáveis - em um Série 7 E32 que, pelo visual, rapidamente passou a ser chamado de “Goldfisch”?
Pode parecer improvável hoje, mas houve um período em que consumo de combustível e emissões não apareciam no topo da lista de prioridades ao se criar um motor novo. A proposta por trás deste V16 era simples: equipar o Série 7 definitivo e, assim, encarar com mais força o concorrente de Stuttgart.
O V16 da BMW nos anos 80: origem e conceito
Lançado em 1987, esse propulsor era, basicamente, um V12 da marca alemã ao qual foram adicionados quatro cilindros - dois em cada bancada do bloco em V.
O resultado final foi um V16 com 6.7 l, 408 cv e 625 Nm de binário. À primeira vista, pode não soar como um número impressionante, mas é preciso colocar em perspectiva: naquela época, o V12 da BMW - mais especificamente o M70B50 de 5.0 l - entregava “apenas” 300 cv.
Além do acréscimo de cilindros, o motor trazia um sistema de gerenciamento que o administrava como se fossem dois oito cilindros em linha. Junto dele, havia um câmbio manual de seis marchas, e a tração permanecia exclusivamente traseira.
E nasce o BMW Série 7 “Goldfisch”
Com o V16 pronto, veio o passo seguinte: colocá-lo para trabalhar em testes reais. Para isso, a BMW instalou o enorme motor em um 750 iL, que passou a ser identificado internamente como 767iL “Goldfisch” ou “Secret Seven”.
Só que o BMW Série 7, apesar de grande, não tinha espaço físico para um conjunto tão comprido - o V16 acrescentava 305 mm de comprimento em relação ao V12. Por esse motivo, os engenheiros da BMW precisaram ser… criativos. A alternativa adotada foi manter o motor na dianteira e levar o sistema de arrefecimento, isto é, os radiadores, para a traseira.
Essa solução fez com que o Série 7 “Goldfisch” ganhasse uma grade (saída de ar) na parte de trás, lanternas traseiras menores e duas enormes entradas de ar laterais nos paralamas traseiros. É justamente por isso que (segundo a lenda) ele passou a ser conhecido como “Goldfisch”, numa associação entre as entradas de ar e as guelras de peixinhos-dourados.
Por que o protótipo foi deixado de lado
Infelizmente, mesmo tendo sido mostrado dentro dos “círculos internos” da BMW, o Série 7 “Goldfisch” acabou descartado - muito por culpa das… emissões e do consumo! Agora, resta observar se os V12 atuais da marca alemã não vão terminar ao lado desse V16 único no baú de lembranças da BMW.
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