Pouco tempo depois de o governo italiano ter confirmado que a doação seguiria adiante, a Marinha da Indonésia passou a se mexer para preparar a chegada e a futura operação do porta-aviões Garibaldi. O navio, que serviu por anos como uma das principais unidades da Marina Militare, tende a virar mais um elo de aproximação entre Roma e Jacarta na área de defesa. O tema voltou a ganhar destaque após circular um vídeo mostrando, em uma base naval, a marcação de uma “pista” no solo que imitaria o convoo do porta-aviões - indício de que o treinamento para operar a partir do navio já começou.
Nesse contexto, um relatório assinado por Fauzan Malufti aponta que as imagens teriam sido feitas na Base Aeronaval de Juanda, sede do Esquadrão 100 da Marinha da Indonésia. Voltada para guerra antissubmarino, a unidade opera principalmente helicópteros AS565 Panther - modelo que estaria entre os selecionados para compor a ala embarcada do Garibaldi. O navio, segundo especulações, poderá ser renomeado como KRI Gajah Mada, em referência a um militar e político do século XIV.
Sobre a pista pintada na base, analistas estimam que ela teria cerca de 180 metros de comprimento por 33 metros de largura, dimensões que, no contorno, batem com as do ex-navio capitânia da Marina Militare, apesar de pequenas diferenças na posição dos elevadores. A leitura é que o objetivo seria montar um convoo simulado provisório para adiantar o treinamento dos pilotos, enquanto a Marinha da Indonésia ganha tempo para preparar uma instalação mais completa sem perder o ritmo de familiarização.
Por outro lado, embora ainda não exista uma data oficial para a entrega do navio à Marinha da Indonésia, foi divulgado que Jacarta esperaria recebê-lo próximo às comemorações do Dia das Forças Armadas, em 5 de outubro. Se isso se confirmar, os prazos seriam mais curtos do que os inicialmente previstos pela Itália ao anunciar a doação, já que o cronograma, antes, apontava apenas para o próximo mês de dezembro.
Quando a transferência se concretizar - seja qual for a data - o porta-aviões ainda deverá passar por uma modernização e por reequipamentos relevantes para se adequar a cenários operacionais atuais. Vale lembrar que o governo italiano o doará sem equipamentos que o caracterizem como uma plataforma ofensiva, para se manter dentro dos limites legais vigentes em Roma, reduzindo assim sua capacidade em operações complexas. Como já destacamos em outras ocasiões, isso levou a Marinha da Indonésia a afirmar que o Garibaldi seria empregado apenas em missões de apoio emergencial em desastres naturais e em outras ações humanitárias, ao longo dos 15 anos de vida útil que ainda restariam ao navio.
Os esforços da Indonésia para fortalecer suas Forças Armadas
É útil destacar, neste ponto, que o porta-aviões Garibaldi que a Marinha da Indonésia pretende incorporar é apenas uma das frentes de um movimento mais amplo, que inclui tanto novas aeronaves quanto navios obtidos junto a parceiros europeus, com foco em ampliar e consolidar suas capacidades militares.
No campo da aviação, por exemplo, o país asiático realizou recentemente uma cerimônia em que apresentou os seis primeiros dos 42 caças Rafale F4 adquiridos da França, divididos em 30 unidades monoplace e 12 da variante biplace. Pelas imagens divulgadas do evento, é possível ver que as aeronaves apareceram ao lado de réplicas de mísseis Meteor e bombas Hammer, sinalizando o armamento esperado para o futuro.
Na mesma ocasião - realizada na Base Aérea de Halim, a leste de Jacarta - a Indonésia também exibiu sua frota de seis aeronaves Falcon 8X, incluindo as incorporadas entre 2023 e 2024. Também foi possível observar duas aeronaves A400M, que cumprirão a função de transporte pesado. O momento ainda foi aproveitado para apresentar ao público um novo radar de longo alcance GM400, fabricado pela francesa Thales.
Pensando especificamente no vínculo com a Itália, não se pode ignorar que a doação do porta-aviões Garibaldi pelo governo italiano abriria espaço para a Indonésia avançar na adjudicação de contratos que podem chegar a 1,53 bilhão de euros. Isso já havia sido apontado meses atrás como uma das razões para não optar por uma venda direta do navio, como defendiam alguns setores do Legislativo italiano. Entre as possibilidades em avaliação, figuram novos submarinos do tipo DGK, fabricados pela empresa Drass, além dos treinadores M-346 desenvolvidos pela Leonardo e novos aviões de patrulha marítima.
Isso se somaria à entrega recente de patrulheiros multipropósito produzidos pela Fincantieri, pertencentes à classe Thaon di Revel, pelos quais Jacarta investiu mais de 1,25 bilhão de dólares. Como assinalamos oportunamente, a empresa já concluiu a entrega do segundo exemplar dessa classe em dezembro de 2025 - o KRI Prabu Siliwangi-321 -, que sucedeu o KRI Brawijaya-320, transferido em julho daquele mesmo ano.
Imagens utilizadas a título ilustrativo
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