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Embraer e Anduril preparam C-390 Millennium para integrar o Barracuda-500M

Dois homens carregam equipamento em palete para abrir porta de avião em pista de aeroporto.

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Acordo Embraer e Anduril no Salão Aeronáutico de Farnborough

Depois de anunciarem um novo acordo estratégico durante o Salão Aeronáutico de Farnborough, no Reino Unido, a Embraer e a Anduril abriram espaço para uma evolução do C-390 Millennium: a integração do míssil de cruzeiro Barracuda-500M. A proposta pode transformar a aeronave de transporte tático em uma plataforma apta a executar ataques de longo alcance, mantendo, ao mesmo tempo, suas atribuições como avião de transporte tático.

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Integração do Barracuda-500M paletizado ao C-390 Millennium

O memorando de entendimento firmado entre as duas companhias prevê o desenvolvimento conjunto da integração da versão paletizada do Barracuda-500M (B-500M) ao C-390 Millennium. Desenvolvido pela Anduril como um míssil de cruzeiro de baixo custo e com produção escalável, o sistema foi pensado para lançamento a partir de aeronaves de transporte por meio de paletes. Na prática, isso permitiria que uma única aeronave empregasse dezenas de mísseis na mesma missão.

A ideia é expandir a capacidade de ataque a distância das forças aéreas, oferecendo uma alternativa flexível para operações de combate de alta intensidade.

Módulos roll-on/roll-off e emprego sem mudanças estruturais

A iniciativa marca mais um avanço na trajetória do C-390 como plataforma multimissão. De acordo com o que foi informado pelas duas empresas, a adoção de sistemas de missão do tipo roll-on/roll-off viabilizaria a integração modular de capacidades de ataque, valendo-se de procedimentos tradicionais de lançamento de carga aérea.

Nesse arranjo, não seria necessário alterar a configuração básica da aeronave nem comprometer suas funções centrais como avião de transporte tático. A Embraer avaliou que a integração aumentará a flexibilidade operacional do C-390 para atender às novas demandas das forças aéreas. Já a Anduril ressaltou que a combinação do Barracuda-500M com o avião entregaria aos países aliados uma nova capacidade de realizar ataques de precisão a distância a partir de uma plataforma de transporte já comprovada em serviço.

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Programa Barracuda-500M: testes, voo inicial e acordos

O anúncio também se apoia no nível de maturidade já atingido pelo programa Barracuda-500M. A Anduril recordou que a variante concebida para lançamento por paletes realizou seu primeiro voo bem-sucedido em setembro de 2024. Desde então, acumulou dezenas de testes para comprovar o desempenho do sistema, incluindo ensaios de autonomia colaborativa em rede, ataques contra alvos e avaliações com diferentes configurações de carga útil.

Para a empresa, o Barracuda-500M é uma solução voltada a reforçar rapidamente os estoques de munições dos Estados Unidos e de seus aliados. Essa estratégia é sustentada por acordos recentes de aquisição com o Departamento de Defesa norte-americano e por um entendimento para produção local na Polônia.

Antecedentes da Embraer e ampliação de capacidades além do transporte

A possibilidade de incorporar armamento ofensivo não é o primeiro passo da Embraer para ampliar o C-390 Millennium para além do transporte militar. Em 2024, a companhia e a Força Aérea Brasileira iniciaram estudos para desenvolver uma versão de Inteligência, Vigilância e Reconhecimento (ISR) direcionada à patrulha marítima.

As ilustrações e maquetes divulgadas nessa etapa já indicavam a instalação de mísseis antinavio sob as asas, sinalizando que o projeto considerava a integração de armamento como complemento das futuras capacidades de vigilância e controle no ambiente marítimo.

Operadores do C-390 Millennium e o impacto de uma capacidade de ataque

Hoje, o C-390 Millennium está em operação nas forças aéreas do Brasil, Portugal, Hungria e República Tcheca. Além disso, Áustria, Países Baixos, Coreia do Sul, Suécia, Eslováquia, Lituânia, Emirados Árabes Unidos e Uzbequistão já selecionaram o modelo.

Se a integração do Barracuda-500M se concretizar, a aeronave ampliará de forma significativa seu leque de emprego: deixaria de ser apenas um vetor de transporte tático para incorporar uma capacidade modular de ataque de precisão de longo alcance. Essa evolução permitiria que o C-390 assumisse novas funções em conceitos modernos de emprego distribuído, elevando seu valor operacional e reforçando sua posição como uma plataforma multimissão com um conjunto de capacidades bem mais amplo.

Créditos da imagem de capa: Embraer.

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