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Aduana Nacional da Bolívia detalha apreensão de 189 quilos de ouro em voo para Dubai com Gulfstream G100 PS-ZRZ

Agente abre maleta com barras de ouro na pista de aeroporto ao lado de jato particular branco.
Neste artigo
  1. Apreensão no Aeroporto Internacional de Viru Viru
  2. Consulta ao SUMA e verificação do SENARECOM
  3. Detenções, liberação da aeronave e versões sobre o PS-ZRZ

Apreensão no Aeroporto Internacional de Viru Viru

A Aduana Nacional da Bolívia publicou um comunicado oficial para esclarecer como ocorreu a apreensão de cerca de 189 quilos de ouro que seriam embarcados em um voo fretado com destino a Dubai, saindo do Aeroporto Internacional de Viru Viru, em Santa Cruz de la Sierra.

O episódio passou a ter grande repercussão depois que veículos bolivianos noticiaram que quatro malas com o minério foram retidas pela Força Especial de Combate ao Crime (FELCC) antes do embarque. A aeronave citada no caso foi identificada como um Gulfstream G100 (IAI Astra), de matrícula brasileira PS-ZRZ, registrado em nome de Valdir José Zorzo, conforme informações disponíveis na ANAC. Zorzo é dono do Grupo Dallas Alimentos, que reúne diversas marcas de biscoitos e outros alimentos.

Um documento de autorização de sobrevoo obtido pelo jornal brasileiro MídiaMax indica que o piloto em comando seria Jim Clark D’Angelo Macedo Araújo. O avião decolou de Campo Grande no dia 21 de julho, realizou uma parada em Corumbá e, na sequência, seguiu para o Aeroporto Internacional de Viru Viru, em Santa Cruz de la Sierra, na Bolívia.

Segundo a Aduana Nacional, a equipe de plantão no aeroporto foi avisada pelo responsável pelo voo fretado de que alguns passageiros levavam ouro na bagagem de mão. A partir disso, os agentes iniciaram a checagem para confirmar se existia a autorização de exportação exigida pela legislação aduaneira boliviana. Ainda de acordo com as autoridades do país, o destino final informado para a aeronave seria o Aeroporto de Dubai, nos Emirados Árabes Unidos, sem que fossem divulgados os países de escala previstos para chegar ao Oriente Médio.

Consulta ao SUMA e verificação do SENARECOM

Durante a pesquisa no sistema informatizado SUMA, utilizado para registrar e autorizar operações de exportação, não apareceu qualquer lançamento relacionado à carga. Por esse motivo, a Aduana acionou um representante do Serviço Nacional de Registro e Controle da Comercialização de Minerais e Metais (SENARECOM), órgão encarregado de fiscalizar o setor mineral.

Conforme o comunicado, o servidor do SENARECOM avaliou o formulário M03 apresentado pelos responsáveis pela carga e concluiu que o documento teria sido reportado como inválido no processo de verificação.

Diante das divergências apontadas, a Aduana informou que, em coordenação com a Navegação Aérea e Aeroportos Bolivianos (NAABOL), solicitou o apoio da polícia para reter o ouro e iniciar as apurações sobre a tentativa de exportação.

Detenções, liberação da aeronave e versões sobre o PS-ZRZ

Ao todo, seis pessoas foram detidas inicialmente, porém somente um homem de 22 anos permaneceu preso por apresentar documentação falsa de exportação. Identificado como Adrián Lema Roca, ele seria o responsável pela carga de ouro, avaliada em US$ 25 milhões (R$ 128 milhões na cotação atual do dólar americano). A aeronave foi liberada alguns dias depois e atualmente está em Cuiabá.

Em declaração à imprensa reproduzida pelo Mídia Max, o Grupo Dallas disse que a aeronave pertence exclusivamente ao proprietário e que ela “fica à disposição para voos fretados” quando ele não está utilizando. No entanto, a ANAC aponta que o jato não é homologado para táxi-aéreo (RBAC 135) e que o único proprietário e operador é o próprio empresário, não havendo, portanto, vínculo com empresa habilitada a prestar serviços de fretamento de aeronaves.

Ainda segundo o advogado do grupo alimentício, em fala ao MídiaMax: “Ao que consta, não tem nenhuma situação em cima dessa aeronave. A gente sabe que ela costuma ser contratada para voos fretados. A gente tem o nosso piloto, que, por fazer parte de empresas que estão no meio da aviação, ele sempre tem os contatos. Ele faz todo o procedimento, os registros, os planos de voo… tudo é ele quem faz. Ele é o responsável irrestrito sobre qualquer local que a aeronave vai. A responsabilidade é dele, que está incomunicável no momento.”

Mais tarde, o Grupo Dallas encaminhou uma nota ao AEROIN afirmando que “a aeronave de prefixo PS-ZRZ é de propriedade particular, destinada a uso próprio, e não opera serviços de fretamento comercial. Seu proprietário não estava a bordo e não autorizou qualquer prática em desacordo com as leis vigentes. A informação de que a aeronave teria sido apreendida não é verídica. A aeronave encontra-se em território brasileiro e não está sujeita a qualquer medida de apreensão. O Sr. Valdir Zorzo tomou conhecimento dos fatos por meio da imprensa e determinou a imediata apuração interna, com preservação integral dos registros e colaboração com as autoridades competentes, no Brasil e no exterior. O Sr. Valdir Zorzo e o Grupo Dallas repudiam qualquer prática ilícita e colocam-se à disposição das autoridades para o pleno esclarecimento dos fatos. Em respeito ao sigilo das investigações em curso, o Grupo Dallas se posicionará em momento oportuno.”

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Mariana Figueiredo Nascimento

Engenheira eletricista e especialista em transição energética, com atuação em projetos de geração solar e eólica, armazenamento e integração à rede no Brasil. No newenergybrasil.com, acompanha tendências, políticas públicas e inovação em energias renováveis, com foco em eficiência, descarbonização e oportunidades para o mercado brasileiro.

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