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Volitan, o “barco voador” da AeroRiver criado por Lucas Guimarães e Souza para a Amazônia

Avião hidroavião branco pousando em rio próximo a casas e vegetação em área tropical.

Uma proposta inspirada em um dos maiores gargalos logísticos do país pode mudar a forma de se deslocar na Amazônia. Essa é a aposta do engenheiro mecânico Lucas Guimarães e Souza, de 31 anos, criador do Volitan - um veículo apelidado de “barco voador” que aplica conceitos da engenharia aeronáutica para ligar comunidades isoladas com mais rapidez, segurança e sustentabilidade.

Volitan: o “barco voador” pensado para a Amazônia

A ideia nasceu da vivência de Lucas em Manaus e do contacto direto com as dificuldades de mobilidade na região. “As cidades não são ligadas por estradas, o transporte aéreo é caro e a população depende basicamente de barcos. Mas são veículos lentos e, em algumas épocas do ano, os rios ficam intransitáveis por causa da seca“, relata.

A partir desse cenário, Lucas uniu-se aos empreendedores Felipe Bortolete e Túlio Duarte para fundar a startup AeroRiver. O objetivo do grupo foi criar uma alternativa que contornasse as limitações da infraestrutura existente, sem exigir grandes intervenções ambientais.

Como funciona o efeito solo no Volitan

O resultado desse esforço é o Volitan, que mistura atributos de embarcação e aeronave ao explorar o chamado efeito solo. Nesse fenómeno aerodinâmico, o veículo desloca-se a poucos metros da superfície da água, enfrentando menor resistência do ar e, assim, operando com maior eficiência energética.

Capacidade, velocidade e impacto nas comunidades ribeirinhas

Pensado para levar até dez passageiros ou 1 tonelada de carga, o Volitan é projetado para atingir velocidades de até 150 km/h. Na prática, a proposta é encurtar de forma relevante o tempo de viagem entre comunidades ribeirinhas e centros urbanos.

Com isso, a tecnologia pretende facilitar o acesso a serviços essenciais - como hospitais, escolas e centros comerciais - inclusive em períodos de seca severa, quando a navegação tradicional fica mais limitada.

A AeroRiver também aponta ganhos ambientais: segundo a empresa, o Volitan pode emitir até 40% menos dióxido de carbono do que aeronaves convencionais. Além disso, ao dispensar a construção de novas estradas no interior da floresta, a solução tende a reduzir pressões e impactos sobre o bioma amazônico.

Desenvolvimento em São José dos Campos e reconhecimento do MIT

Embora o Volitan tenha como prioridade inicial atender às necessidades da Amazônia, o desenvolvimento do projeto ocorre em São José dos Campos, cidade onde Lucas encontrou um ecossistema robusto de pesquisa, inovação e tecnologia.

Em 2018, ele mudou-se para o município para fazer mestrado em Engenharia Aeronáutica no Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA). Hoje, além de mestre e doutorando, atua como um dos fundadores da AeroRiver, responsável por levar a tecnologia adiante.

O projeto já tem um protótipo funcional, e a startup concentra esforços na construção da versão em escala real. A previsão é concluir essa etapa ainda em 2026, em São José dos Campos, reconhecida como um dos principais polos da indústria aeroespacial brasileira.

O avanço também repercutiu fora do país. Em agosto de 2025, Lucas esteve entre os 18 brasileiros selecionados para o prémio Inovadores com Menos de 35, concedido pelo Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT). A premiação destaca jovens empreendedores cujas soluções têm potencial de gerar impacto relevante na sociedade e já reconheceu nomes como Mark Zuckerberg, fundador da Meta, e Larry Page, cofundador do Google.

Foi uma grande honra receber esse prêmio. Mais do que um título, é um incentivo para continuarmos acreditando que a tecnologia pode transformar realidades e melhorar a vida das pessoas“, afirma.

A expectativa da AeroRiver é que a inovação contribua para diminuir o isolamento de milhares de pessoas na Amazônia, oferecendo uma alternativa capaz de reduzir distâncias, ampliar o acesso a serviços essenciais e mostrar como a engenharia pode ajudar a enfrentar desafios históricos de mobilidade.

Com informações da Prefeitura de São José dos Campos

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