Pular para o conteúdo

Thomas Pesquet e Arnaud Prost voam com a Vast em 2027 e antecipam o pós-ISS

Dois astronautas franceses em trajes azuis observam a Terra pela janela de uma estação espacial.

Dois astronautas franceses pelo preço de um: em 2027, Thomas Pesquet e Arnaud Prost vão decolar para missões históricas e totalmente inéditas no setor privado. Um movimento de mestre da França para se antecipar ao fim já programado da ISS.

A notícia caiu como uma bomba no cenário espacial francês. Durante o encontro Choose France, Emmanuel Macron anunciou a assinatura de um acordo histórico com a empresa norte-americana Vast. A meta é clara: colocar dois astronautas franceses em voo até 2027. Ao mesmo tempo, a startup californiana escolheu Paris para instalar sua futura sede europeia.

Parceria França–Vast: anúncio no Choose France e virada de estratégia

Essa aliança entre o público e o privado marca uma mudança de rota. Enquanto Sophie Adenot está neste momento em missão a bordo da Estação Espacial Internacional (ISS), o acordo deve levar mais duas figuras francesas ao espaço: o veterano Thomas Pesquet e o astronauta da reserva Arnaud Prost.

O feito é significativo para a França, que passa a ser o único país da Europa com três astronautas em atividade ao mesmo tempo. E, ao comprar esses voos diretamente de um operador privado, o governo garante acesso rápido ao espaço sem precisar bancar o desenvolvimento de novos foguetes ou de módulos habitáveis.

Dois perfis, duas missões inéditas em órbita: Thomas Pesquet e Arnaud Prost

Para viabilizar essas viagens de duas semanas, a França aposta em dois perfis com trajetórias bem diferentes. Primeiro, o indispensável Thomas Pesquet, recordista europeu de tempo acumulado em órbita, com 396 dias. Esse terceiro voo espacial, previsto já para o verão de 2027, permitirá que ele retorne à ISS na missão privada PAM-6. Caso o comitê internacional autorize, ele vai escrever uma nova página da História ao se tornar o primeiro não americano a comandar uma cápsula espacial americana.

Arnaud Prost, por sua vez, representa a nova geração. Formado pela École Polytechnique, piloto de caça e engenheiro de testes em voo das forças armadas, ele concluiu a formação básica de astronauta da reserva na Agência Espacial Europeia (ESA) em maio de 2026. Sua missão será uma estreia mundial absoluta: ele vai morar a bordo da Haven-1, a estação privada da Vast, como engenheiro de testes. O objetivo será enfrentar as primeiras dificuldades e verificar, na prática, a habitabilidade desse novo veículo espacial.

Depois da ISS: o papel da Haven-1 e o acesso científico do CNES

Isso acontece porque os planos da Vast são muito ambiciosos. Integrando o pequeno grupo de empresas que prepara o pós-ISS, ela está atualmente montando seu módulo e deve colocar em órbita a primeira estação comercial já no ano que vem. Com esse acordo, o Centro Nacional de Estudos Espaciais (CNES) e a comunidade científica francesa passam a assegurar seu acesso ao espaço para continuar conduzindo experimentos médicos e tecnológicos.

Nossa análise

É uma grande jogada da França, que demonstra agilidade ao se associar diretamente à Vast. Também é uma aposta no futuro, já que a privatização da órbita baixa tende a ser inevitável com a aposentadoria da ISS. E, de quebra, isso pode permitir que Thomas Pesquet some mais dias no espaço mirando, quem sabe, uma futura viagem rumo à Lua.

Comentários

Ainda não há comentários. Seja o primeiro!

Deixar um comentário