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Airbus compra a Quarkslab e traz Fred Raynal de volta à cibersegurança

Homem analisando modelo holográfico de avião em escritório com mapa digital da Europa ao fundo.

Ele saiu da Airbus para seguir carreira própria na cibersegurança. Agora, a própria gigante da aeronáutica decide comprar aquilo que ele construiu.

Fred Raynal, especialista em cibersegurança, acumulou uma experiência robusta na Airbus há mais de uma década. Foi lá, inclusive, que ele criou a primeira Red Team do grupo - uma equipa que simula ataques informáticos para colocar à prova as defesas da organização.

Quarkslab: da fundação à missão em cibersegurança

Em 2011, Raynal fundou a sua própria empresa de cibersegurança, a Quarkslab. Atualmente com cerca de uma centena de colaboradores, distribuídos sobretudo entre Paris e Rennes, a empresa tem como objetivo ajudar empresas e governos a proteger os seus sistemas contra ciberataques cada vez mais sofisticados.

Quarkslab, QShield e a proteção contra reverse engineering

Entre as suas ofertas mais conhecidas, o QShield é uma solução direcionada a editoras de software para proteger o código contra reverse engineering. Essa prática consiste em desmontar um software para compreender o seu funcionamento interno, com a intenção de copiar mecanismos, explorar vulnerabilidades ou contornar proteções. Trata-se de uma ameaça que se intensificou de forma significativa com o avanço da inteligência artificial (IA).

Airbus quer ser referência europeia em cibersegurança

E, justamente, essa dimensão tecnológica torna-se ainda mais estratégica nos setores de defesa e aeroespacial. Por isso, a Airbus decidiu adquirir a Quarkslab, abrindo caminho para que Fred Raynal regresse ao ponto onde tudo começou. “Ao voltar às minhas raízes na Airbus, onde dei os meus primeiros passos profissionais na área da cibersegurança, espero ampliar o campo de ação da Quarkslab”, afirma.

Com a compra, o fabricante pretende tornar-se um ator soberano de referência em cibersegurança, em escala europeia. E está a estruturar essa ambição com movimentos concretos. Em 2024, a Airbus já tinha adquirido a alemã Infodas, especializada na proteção de redes sensíveis. No mês passado, foi a vez da Ultra Cyber, sediada no Reino Unido, passar a integrar o grupo.

Aquisições da Airbus: presença ativa em França, Alemanha, Reino Unido, Espanha e Finlândia

Com a Quarkslab, a Airbus fecha lacunas na sua cobertura e passa a contar com uma presença ciber ativa em França, Alemanha, Reino Unido, Espanha e Finlândia.

A Europa precisa de atores mais sólidos, e penso que a Airbus é uma das poucas capazes de nos ajudar a crescer para responder às necessidades das infraestruturas críticas e dos governos”, avalia Fred Raynal.

Nossa análise

A Airbus enxerga a cibersegurança como um pilar estratégico por mérito próprio. Ao consolidar atores soberanos em cada grande país europeu, o grupo quer posicionar-se como um campeão continental capaz de enfrentar os gigantes americanos e as ambições chinesas.

A Quarkslab é um alvo particularmente atrativo: uma empresa de pesquisa altamente especializada, reconhecida na comunidade técnica global e com uma cultura real de inovação. Ao incorporá-la, a Airbus pode, de facto, oferecer as condições para ganhar escala em infraestruturas críticas e ambientes governamentais. Ainda assim, será essencial preservar o seu ADN.

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