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Nissan 370Z Nismo: um teste de desempenho acessível

Carro esportivo branco Nissan 370Z Nismo em alta velocidade na pista com floresta ao fundo.

Nismo: não é o “M” da BMW nem o “RS” da Audi

Chegou a hora de deixar uma coisa bem clara: a Nismo não é o equivalente às divisões M da BMW ou RS da Audi. Isso não é especulação - é a própria Nissan quem diz. Em vez disso, a palavra de ordem agora é “desempenho acessível”, e é justamente por esse motivo que este novo 370Z Nismo não é um carro cuspindo fogo nem um lunático de arrancar a coluna. Ficou desapontado?

Se esse “novilíngua” de marketing chamado “desempenho acessível” esfria o seu ânimo, deixe isso de lado por um instante e olhe para os fatos. Este novo Z é uma versão retrabalhada do cupê esportivo grandalhão, carismático e de coração enorme da Nissan, e serve para mostrar um pouco do que a Nismo é capaz de fazer.

Ajustes mecânicos no Nissan 370Z Nismo

A lista de mudanças começa onde importa: embaixo da carroçaria. O V6 3,7 litros recebe uma remapeação da ECU e um novo sistema de escape duplo, liberando alguns cavalos extras. Potência e torque sobem ligeiramente - para 340bhp e 274lb ft, respectivamente - enquanto os amortecedores ficam 23 per cent mais firmes na dianteira e 41 per cent na traseira. As molas dianteiras também ganham rigidez - 14 per cent a mais, para ser exato - e o carro inteiro fica 10mm mais baixo.

Rodas e aerodinâmica: função acima de enfeite

Aí entram um novo jogo de rodas leves de 19in (48,3 cm) (0.8kg e 0.1kg mais leves na frente e atrás) e um kit aerodinâmico de verdade - funcional. Nada de penduricalho: o novo splitter dianteiro, o difusor traseiro e a bela asa atrás ajudam a gerar sustentação negativa (em bom português, força descendente) para aumentar a estabilidade.

Ao volante: um pouco mais ágil, mais firme e mais esperto

Há bastante intenção por trás disso tudo e, no uso real, o efeito aparece… só que em doses pequenas: o carro fica um tantinho mais ágil, um pouco mais duro, um fiapo mais afiado. A direção - que nunca foi a mais comunicativa entre os cupês esportivos - ainda assim reage com mais prontidão, e a suspensão parece mais esticada, mais firme, sem chegar a ser castigadora. O bom acerto do amortecimento provavelmente dispensa qualquer “cirurgia” depois de uma tocada mais forte.

Ainda é um hooligan quando você exige

Dito isso, ele continua disposto a aprontar se você apertar o suficiente - aquele arruaceiro grosseiro, com a traseira solta, que a gente aprendeu a admirar, segue gravado no DNA. Pise fundo numa curva e dá para se entregar ao tipo de comportamento espalhafatoso que a Grã-Bretanha conservadora desaprova.

As duas decepções: conjunto e preço

O conjunto mecânico, porém, vira a primeira de duas frustrações. O escape duplo novo não conseguiu tirar um ronco raivoso de “corredor da meia-noite”. Na prática, não há diferença perceptível em relação ao carro padrão, o que significa que o zumbido preguiçoso do 3,7 litros acaba cansando depois de um tempo. E, para ser sincero, a gente esperava algo a mais, sabe… mais potência.

A segunda é o preço. Este carro custa nada menos que £36,995. Isso o coloca a £2.7k de distância de um Porsche Cayman básico e, embora a comparação seja um pouco injusta, esse posicionamento empurra o Nismo para um território perigoso. Sim, ele vem com um monte de equipamentos - no Nismo Z, praticamente toda opção vira item de série, incluindo navegação por satélite, sensores de estacionamento traseiros e por aí vai - mas não parece valer £10k a mais do que um 370Z comum, e equipamento extra não é exatamente o que a gente imaginava que a Nismo representava. “Desempenho acessível”? Parece mais uma oportunidade perdida.

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