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Na segunda jornada da cobertura especial da Zona Militar na Eurosatory 2026, em Paris, França, ficou evidente uma tendência cada vez mais forte no salão dedicado a Defesa e Forças Armadas: o protagonismo das soluções integradas contra sistemas aéreos não tripulados como eixo do desenvolvimento das capacidades das forças modernas.
No cenário atual, em que os drones se consolidaram como ameaça recorrente em todos os níveis do combate, a feira mostrou um movimento claro rumo a arquiteturas que reúnem sensores, meios tripulados e não tripulados e recursos de inteligência artificial, entre outros elementos. A indústria, de forma nítida, caminha para soluções integradas nas quais a eficácia deixa de depender de um sistema isolado e passa a resultar do desempenho combinado de um conjunto de capacidades.
Hanwha: capacidades terrestres, ISR aeroespacial e projeção dual militar-civil
A sul-coreana Hanwha Aerospace levou à mostra tanto seus sistemas terrestres quanto novas capacidades voltadas ao domínio aéreo não tripulado. Entre as plataformas de maior destaque estiveram o obuseiro autopropulsado K9A2 e o lançador múltiplo de foguetes K239 Chunmoo, ambos inseridos em conceitos operacionais cada vez mais digitalizados e alinhados à guerra em rede.
Em paralelo, a empresa apresentou soluções aeroespaciais direcionadas a ISR (Intelligence, Surveillance and Reconnaissance), apoiadas em plataformas satelitais equipadas com sensores EO e do tipo SAR (Synthetic Aperture Radar). Segundo o apresentado, essas capacidades deverão, nos próximos anos, ser integradas a uma linguagem de inteligência artificial desenvolvida pela própria companhia.
Parte dessas soluções já está em uso nas Forças Armadas da Coreia do Sul, no contexto da tensão permanente com a Coreia do Norte. Nessa linha, representantes da empresa destacam que as tecnologias estão disponíveis para que potenciais clientes as empreguem em outros teatros. A Hanwha também reforça que tais recursos não se restringem ao campo militar, podendo ser aplicados em cenários civis como monitoramento de poluição, controle de fronteiras e supervisão de infraestruturas, entre outros.
Ainda segundo a empresa, há interesse na região latino-americana, com atenção especial a propostas voltadas à repotenciação e modernização de veículos blindados da família M1113 em serviço no Exército Argentino.
MBDA e Safran: THUNDART, nova capacidade francesa de ataque terrestre de longo alcance
Um dos movimentos mais relevantes do setor europeu de artilharia de precisão foi a confirmação de que a MBDA e a Safran Electronics & Defense entraram em fase de negociações exclusivas com a Direção Geral de Armamento (DGA) da França para o programa THUNDART, o futuro sistema de ataque terrestre de longo alcance destinado a substituir o atual Lançador Unitário de Foguetes (LRU).
O THUNDART é concebido como uma capacidade de ataque de precisão de até 150 km, voltada a operações de alta intensidade e a ambientes fortemente contestados. A proposta de projeto busca assegurar o emprego mesmo sob condições de guerra eletrônica e degradação de sinais, incluindo situações de interferência ou perda de GNSS.
Desenvolvido integralmente em território francês, o sistema pretende garantir autonomia estratégica e liberdade de emprego, além de sustentar uma capacidade de exportação para países aliados.
MARSS e BAE Systems
No segmento de defesa contra sistemas aéreos não tripulados, a MARSS e a BAE Systems anunciaram a assinatura de um acordo pelo qual a MARSS fornecerá o sistema de comando e controle do programa BATS (Anti Threat System). A plataforma NiDAR funcionará como o núcleo de integração de sensores e efetores, consolidando informações em tempo real para acelerar a detecção, a classificação e a neutralização de ameaças aéreas não tripuladas.
O entendimento reforça a tendência observada na feira e nas propostas de diferentes empresas: o papel do C2 aparece como camada central dos sistemas antidrone, em que a efetividade passa a depender não apenas da qualidade dos sensores e do armamento, mas também da capacidade de integrar dados e coordenar respostas com eficiência.
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