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Mercedes-Benz EQB: teste do SUV elétrico de 7 lugares

Carro elétrico SUV prata Mercedes-Benz EQ-7 de sete lugares em showroom moderno.

A disputa pela eletrificação segue acelerada, e agora é a vez do Mercedes-Benz EQB, o terceiro SUV 100% elétrico da marca alemã. Ele se apresenta como o único compacto do segmento a oferecer sete lugares - ou 5+2, já que na terceira fileira só “cabem” pessoas de baixa estatura - com propulsão totalmente elétrica.

Na lista de concorrentes diretos, casos do clã do Grupo Volkswagen - Audi Q4 e-tron, Skoda Enyaq, Tesla Model Y e Volkswagen ID.4 -, nenhum se encaixa de forma tão imediata no dia a dia de famílias grandes que querem entrar na eletromobilidade.

O Mercedes-Benz EQB - que dirigi na configuração mais forte, a 350, a única que vai ser vendida em Portugal por enquanto - tem 5 cm a mais no comprimento e 4 cm extras na altura em relação ao GLB que serve de base. Já a distância entre-eixos e a largura permanecem iguais.

EQB e GLB: diferenças de detalhe

Por fora, a grade dianteira é fechada e recebe acabamento preto brilhante; há ainda uma barra de luz conectando os faróis. Os para-choques dianteiros exibem um desenho levemente distinto, e surgem defletores de ar à frente das rodas que, junto com o assoalho quase totalmente carenado, ajudam a reduzir o coeficiente aerodinâmico (Cx) de 0,30 no GLB para 0,28 no EQB).

Na cabine, o EQB traz efeitos de iluminação no painel, menus específicos na instrumentação e na tela central (relacionados ao trem de força elétrico) e a possibilidade de detalhes em tom ouro rosé (opcionais), uma novidade vista no EQA e no EQB.

Uma bateria para todos

A bateria de 66,5 kWh (compartilhada pelas versões 300 e 350, ambas com tração nas quatro rodas) fica instalada sob o piso, na região da segunda fileira, e foi posicionada em duas camadas sobrepostas.

Essa solução gera a primeira mudança interna deste SUV compacto elétrico em comparação com o GLB: os passageiros atrás ficam com os pés em uma posição um pouco mais elevada. Em contrapartida, isso faz o túnel central dessa área ser mais baixo - ou, mesmo quando não é, parecer menor, já que o piso ao redor sobe.

É também por esse motivo que a carroceria ganhou aqueles 4 cm adicionais na altura mencionados antes: o espaço para a cabeça e para as pernas é generoso, embora a sensação de largura seja mais limitada.

A outra diferença aparece no porta-malas. No EQB, ele oferece 495 litros com os encostos traseiros na posição normal, ou seja, 75 litros a menos do que no GLB, por exemplo, porque o piso do compartimento de bagagem também precisou ser elevado.

O único 7 (ou 5+2) lugares da classe

Segundo a marca alemã, a altura máxima recomendada para quem vai na terceira fileira é de 1,65 m, o que na prática significa quase sempre crianças pequenas ou adolescentes. Mesmo ajustando o banco da segunda fileira - que pode deslizar por trilhos ao longo de 14 cm -, passageiros mais altos tendem a ficar com as pernas muito dobradas por causa da proximidade entre os assentos e o piso.

Os encostos da segunda fileira são divididos em 40/20/40 e podem ser rebatidos para formar uma área de carga quase totalmente plana no Mercedes-Benz EQB. Além disso, esses encostos permitem ajuste de inclinação e contam com uma função de acesso à terceira fileira (o banco externo avança e o encosto reclina quando se aciona a alavanca no lado externo, feita para esse propósito), mas entrar e sair dos “lugares do fundo” sempre pede um pouco de agilidade.

Um detalhe interessante é que a terceira fileira opcional - oferecida por 1050 euros - inclui fixações Isofix (algo pouco comum), possibilitando instalar cadeirinhas de bebê.

Interior familiar…

Entrar na cabine é fácil graças às portas com grande abertura e às soleiras relativamente baixas. O interior é bem conhecido por sua ligação direta com toda a família de compactos da Mercedes-Benz, com os elementos e recursos já tradicionais do sistema multimídia MBUX.

Itens como a qualidade dos materiais na metade superior do painel e nas partes altas das portas, as saídas de ventilação com aparência de alumínio e as duas telas digitais configuráveis também elevam a percepção de refinamento a bordo. Por outro lado, os plásticos da metade inferior do painel entregam um visual e um toque mais simples do que se espera.

Na dianteira, há duas telas do tipo tablet de 10,25” cada, alinhadas lado a lado na horizontal: a da esquerda faz o papel do quadro de instrumentos (o mostrador principal é de energia elétrica, e não um conta-giros, naturalmente) e a da direita fica responsável pelo multimídia (onde existe uma função para ver opções de recarga, fluxos de energia e consumos).

Dá para notar que o túnel sob o console central é maior do que deveria, porque foi desenhado para acomodar uma caixa de câmbio grande (nas versões a gasolina/Diesel do GLB, enquanto aqui fica quase vazio). Em destaque, aparecem as cinco saídas de ar no conhecido formato de turbina de avião.

… e bem recheado

Mesmo no nível de entrada, o Mercedes-Benz EQB já vem com faróis LED e assistente adaptativo do farol alto, tampa traseira com abertura e fechamento elétricos, rodas de 18″, iluminação ambiente com 64 cores, porta-copos duplo, bancos com apoio lombar ajustável em quatro direções, câmera de ré, volante esportivo multifuncional em couro, sistema multimídia MBUX e navegação com “inteligência elétrica” (avisa se será necessário parar para carregar no trajeto planejado, apontando os carregadores no caminho e o tempo de parada necessário conforme a potência disponível).

Depois, entram em cena vários mimos pouco comuns no segmento, mas que fazem sentido para uma marca premium e para um preço sempre acima dos 60 000 euros.

Entre eles, um sistema avançado de comandos de voz, um head-up display com Realidade Aumentada (opcional) e um quadro de instrumentos com quatro estilos de exibição (Modern Classic, Sport, Progressive e Discreet). Além disso, as cores variam conforme o ritmo de condução: em uma aceleração mais forte, por exemplo, a tela passa para branco.

No volante, de aro grosso e base reta, há borboletas para ajustar o nível de regeneração na desaceleração (a da esquerda aumenta e a da direita reduz, alternando entre Dauto, D+, D e D-). Em outras palavras, é quando os motores elétricos atuam como alternadores e transformam rotação mecânica em energia elétrica para recarregar a bateria - com garantia de oito anos ou 160 000 km - com o carro em movimento.

Carregar de 11 kW a 100 kW

O carregador de bordo trabalha com 11 kW, o que permite que o EQA 350 seja recarregado em corrente alternada (AC) de 10% a 100% (trifásico em wallbox ou em estação pública) em 5h45m, ou de 10% a 80% em corrente contínua (DC, até 100 kW) a 400 V e corrente mínima de 300 A em 30 minutos.

A bomba de calor é item de série em todas as versões e ajuda a manter a bateria sempre em uma condição ideal de operação. Ao mesmo tempo, ela pode reaproveitar o calor do sistema de propulsão para, por exemplo, aquecer a cabine e, assim, contribuir para otimizar a autonomia declarada de 419 km.

EQB 300 e EQB 350, as únicas disponíveis por agora

A suspensão do EQB tem uma calibração um pouco mais confortável do que a do EQA, por ser um modelo com vocação mais urbana, com molas de aço nas versões de entrada e, como opcional, amortecedores eletrônicos de ajuste variável.

O sistema 4×4 distribui continuamente o torque entre os eixos conforme o piso e o estilo de condução.

Em baixas velocidades e em cruzeiro constante, a lógica prioriza o motor traseiro (PSM, síncrono de ímã permanente, mais eficiente). Quando há demanda maior de potência, entra em ação também o motor dianteiro (ASM, assíncrono). Ele pode ficar em modo “vegetativo”, sem consumir energia, mas volta a atuar com grande rapidez, como ocorre nas versões de tração integral dos rivais do Grupo Volkswagen.

Diferentemente do EQA, que estreou no mercado apenas com tração dianteira (EQA 250), o EQB inicia a comercialização com duas opções 4MATIC, com desempenhos diferentes:

  • EQB 300 - 168 kW (228 cv) e 390 Nm;
  • EQB 350 - 215 kW (292 cv) e 520 Nm.

A marca alemã não informa os valores individuais de cada um dos dois motores. No meio de 2022, deve chegar o EQB 250, com tração dianteira e os mesmos 140 kW (190 cv) de potência do EQA, tornando-se a versão de acesso da linha por um preço estimado na casa dos 57 500 euros. Nesta ocasião, foquei na versão mais potente, que será a única à venda no nosso país nesta primeira fase.

Ao volante

A primeira impressão positiva vem da suavidade e do baixo nível de ruído do conjunto elétrico do EQB 350, além do desempenho de alto nível: 6,2s no 0 a 100 km/h e retomadas realmente rápidas mesmo acima de 120 km/h (com a velocidade máxima limitada a 160 km/h).

Em seguida, fica claro como os modos de condução mudam o comportamento: em Comfort, a suspensão absorve quase todas as irregularidades do asfalto sem deixar o carro “balançando” demais (ajudado pelo fato de cerca de 400 kg de baterias estarem bem baixos), um pouco menos em Eco e com muito mais percepção em Sport. Isso porque a unidade testada tinha o sistema opcional de amortecimento eletrônico variável.

A direção responde com precisão suficiente, enquanto os freios revelam aquele comportamento de atuação reduzida no primeiro terço do pedal esquerdo, algo comum em vários carros elétricos.

No teste de cerca de 120 km em percurso misto, finalizei com média de 22 kWh/100 km, o que não permitiria mais do que 300 km com uma carga completa, embora o resultado não seja totalmente representativo. Além de o trajeto deste primeiro contato ter sido curto, a baixa temperatura ambiente não ajudou (as células das baterias não gostam de frio).

Também é preciso levar em conta que rivais alemães e sul-coreanos contam com uma bateria maior (77 kWh), o que ajuda a explicar autonomias reais mais altas (entre os 350-400 km).

E esse acaba sendo um ponto fraco do EQB (ao menos enquanto não surgir uma bateria maior, que é comentada, mas ainda sem confirmação). Ele também aceita recarga em corrente contínua (DC) com potência menor (100 kW contra 125 kW dos concorrentes alemães e contra 220 kW dos sul-coreanos Hyundai IONIQ 5 e Kia EV6, que usam um sistema elétrico com o dobro da tensão).

Especificações técnicas

Mercedes-Benz EQB 350

Item Dados
MOTOR ELÉTRICO
Posição 2 Motores: 1 Dianteiro + 1 Traseiro
Potência Total: 215 kW (292 cv)
Torque 520 Nm
BATERIA
Tipo Íons de lítio
Capacidade 66,5 kWh (“líquidos”)
TRANSMISSÃO
Tração Às quatro rodas
Caixa de velocidades Caixa redutora com uma relação
CHASSIS
Suspensão FR: Independente MacPherson; TR: Independente Multibraços
Freios FR: Discos ventilados; TR: Discos
Direção/Diâmetro de giro Assistência elétrica; 11,7 m
N.º de voltas do volante 2,6
DIMENSÕES E CAPACIDADES
Comp. x Larg. x Alt. 4,684 m x 1,834 m x 1,701 m
Entre-eixos 2,829 m
Porta-malas 171-495-1710 l
Peso 2175 kg
Rodas N.D.
DESEMPENHO, CONSUMO, EMISSÕES
Velocidade máxima 160 km/h
0-100 km/h 6,2s
Consumo combinado 18,1 kWh/100 km
Autonomia 419 km
Emissões CO2 combinadas 0 g/km
CARREGAMENTO
Potência máxima de carga DC 100 kW
Potência máxima de carga AC 11 kW (trifásica)
Tempos de carga 10-100%, 11 kW (AC): 5h45min;
0-80%, 100 kW (DC): 32min.

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