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Impacto no mercado das tarifas provisórias da União Europeia sobre elétricos produzidos na China

Carro elétrico azul exibido em estande com placas da União Europeia e China ao fundo.

Pôr os pontos nos “is”

Desde 5 de julho, entraram em vigor as tarifas provisórias da União Europeia sobre carros elétricos produzidos na China - e, naturalmente, o mercado já dá sinais de reação. A questão é perceber até que ponto esses sinais refletem mesmo o efeito das tarifas, e não apenas um ajuste momentâneo.

Os dados mais recentes chamam a atenção: o total de elétricos registados pela BYD e pela MG (grupo SAIC) caiu 45% em relação a junho, segundo números da DataForce para 16 Estados-membros (incluindo Alemanha, França e Itália, três dos maiores mercados europeus).

Esta tendência também apareceu noutras marcas chinesas e, no conjunto, a consultora identificou uma queda de 36% na venda de automóveis elétricos chineses.

No entanto, este recuo acentuado em julho, quando comparado com junho, não pode ser tomado como um retrato fiel do impacto real das novas tarifas de importação.

Isto porque junho registou um aumento fora do normal no registo de automóveis elétricos produzidos na China. Esse salto pode ser entendido como uma antecipação à entrada em vigor das novas tarifas.

O movimento foi tão forte que, em junho, os elétricos de marcas chinesas representaram 11% do total de vendas de elétricos na Europa. Foi um novo recorde, segundo a DataForce.

Como explica Gabriel Juha, analista da Dataforce, esse crescimento foi, ainda assim, “pouco saudável”, já que assentou sobretudo em autovendas - ou seja, matrículas feitas em nome dos concessionários das próprias marcas.

Na MG, por exemplo, cerca de 40% dos MG4 matriculados foram registados dessa forma. Embora as autovendas sejam uma prática comum, não costumam chegar a valores desta dimensão.

E entre as marcas europeias?

Como temos referido, as tarifas de importação da UE não atingem apenas marcas chinesas: afetam também construtores europeus que produzem elétricos na China (a Mini, por exemplo). Ainda assim, a quebra nas vendas não foi tão pronunciada entre os fabricantes ocidentais.

Segundo Matthias Schmidt, analista automóvel independente, estes foram mais “cautelosos em gerir os seus inventários”.

Contudo, esta descida não foi tão acentuada nos construtores automóveis ocidentais, que foram mais “cautelosos em gerir os seus inventários”, afirmou Matthias Schmidt, um analista automóvel independente baseado perto de Hamburgo.

Por enquanto, ainda não foram divulgados os números totais do mercado europeu relativos a julho, o que impede uma leitura completa do impacto das tarifas nas vendas de elétricos no geral.

União Europeia Vs China

Recorde que a União Europeia (UE) aplicou tarifas provisórias aos elétricos fabricados na China, durante os próximos quatro meses, que podem ir até aos 47,6%. Saiba os valores a que cada marca está sujeita:

Como resposta a esta medida, a China apresentou formalmente, no dia 9 de agosto, uma queixa à Organização Mundial do Comércio (OMC) sobre a decisão da UE.

As tarifas de importação provisórias podem passar a definitivas (por um período mínimo de cinco anos) no próximo mês de novembro. É nessa altura que termina a investigação da UE sobre a subvenção aos elétricos “made in china”.

Fonte: Bloomberg

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