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BYD Atto 2 Comfort: teste de longa duração após 1300 km

Carro elétrico verde com design moderno e aerodinâmico em showroom com paredes de vidro.

A BYD reposicionou o Atto 2 ao eliminar as versões de entrada e deixar o modelo disponível apenas na configuração Comfort. A receita é clara: bateria grande e uma lista de equipamentos bem completa. Esse SUV urbano compacto, que acomoda quatro ocupantes com conforto, tem bons argumentos para conquistar quem busca um elétrico. Ainda assim, nosso teste de longa duração também evidenciou alguns pontos fracos que vale considerar.

Para quem quer um carro elétrico capaz de levar quatro pessoas sem aperto, a BYD oferece o Atto 2, um SUV urbano que faz a ponte entre o compacto Dolphin Surf e o restante da linha da marca, com SUVs familiares e sedãs. Por 35 0990 0€, o Atto 2 é vendido na versão Comfort - na prática, o topo de gama da BYD - já com todo o pacote de equipamentos previsto para o modelo.

Antes, o Atto 2 tinha pouco apelo: bateria pequena, recarga lenta (65 kW) e uma dotação mais simples. As versões Active e Boost foram retiradas desde então. Agora, só é possível encomendar a Comfort com a bateria grande.

A bateria maior chegou em dezembro de 2025, e publicamos uma primeira impressão logo na sequência. A conclusão naquela altura foi que o Atto 2 se preparava para um bom 2026 ao resolver a questão da autonomia, ao melhorar o porta-malas (de 400 para 450 litros) e ao elevar de forma importante a potência de recarga. Mas a pergunta permanece: a BYD Atto 2 é uma boa escolha frente às rivais?

Foi isso que quisemos confirmar num teste de vários dias, totalizando 1300 quilômetros. A experiência compensou: o carro mostrou qualidades e problemas que não tinham ficado tão claros na primeira tomada de contacto.

Para evitar repetição e focar no que interessa - a nossa opinião sobre a BYD Atto 2 Comfort - organizamos o texto em duas partes: primeiro, o que gostamos no SUV urbano elétrico; depois, o que nos desagradou. Ao final, apresentamos nosso veredito geral.

As vantagens da BYD Atto 2

Espaço e conforto para quatro pessoas

Com a popularização dos elétricos, os SUVs urbanos passaram a oferecer ótima habitabilidade sem necessariamente ultrapassar 4,5 m. Com piso plano e uma mecânica mais compacta, o espaço interno rende mais. O Atto 2 confirma isso: há boa sensação de bem-estar a bordo, com espaço para cabeça e pernas, bons porta-objetos e um porta-malas honesto.

O carro atende bem uma família, desde que se respeite um limite: o Atto 2 tem apenas quatro lugares. A BYD já tinha feito essa escolha no Dolphin Surf, por questão de largura. Em contrapartida, o acabamento dos bancos sai a ganhar: atrás, o banco é formado por duas poltronas mais “escavadas” e com inclinação acima do habitual. Na dianteira, os assentos são praticamente os mesmos do sedã Seal 6.

Um ponto em que ele surpreende - inclusive em comparação com outros modelos do mercado e até da própria BYD - é a visibilidade para a frente a partir dos bancos traseiros. O encosto dos bancos dianteiros não é excessivamente volumoso, e o assento traseiro fica levemente elevado para melhorar a visão. As janelas também são amplas e os vidros descem quase por completo. Não dá aquela sensação de confinamento dentro do Atto 2.

Um interior que trata bem os ocupantes

Além da grande área envidraçada e da boa visibilidade, a BYD capricha no ambiente interno do Atto 2 com a integração de um teto panorâmico envidraçado. Infelizmente, ele não abre como no Seal 6, mas se estende por praticamente todo o habitáculo, da primeira à segunda fileira. O porta-malas, por sua vez, tem limpador no vidro do porta-malas - algo que não existe no Dolphin Surf nem no Seal 6, por razões de custo e design.

O interior é bem cuidado em acabamento e na escolha de materiais. Não há sensação de fragilidade; pelo contrário. As soluções parecem inteligentes e nada grita “barato”. Também é positivo que exista a opção de acabamento bege para a forração, painéis de porta e painel de instrumentos. Parece item opcional? Não é. A BYD oferece essa cor sem custo no Atto 2 Comfort, tal como o interior preto. Atrás, o tratamento também é respeitável, inclusive nos painéis das portas, que muitas vezes são negligenciados.

Como a versão Comfort é a mais completa, o carro traz ainda bancos e volante aquecidos, carregamento sem fio, e ajuste elétrico dos dois bancos dianteiros. A central multimídia não é a maior do catálogo da BYD (12,8 em vez de 15,6 polegadas), mas atende muito bem. A tecnologia é a mesma da tela maior: resposta tátil rápida e boa resolução. Ela comanda um sistema de som do mesmo nível do Seal 6, com potência suficiente, embora um pouco limitado nos agudos quando comparado a modelos mais premium.

Um visual que, no fim, não atrapalha tanto (obrigado, cor Hiking Green)

É impossível ignorar o estilo do Atto 2, que é frequentemente criticado. E existe motivo: no segmento de SUVs urbanos, ele está entre os menos marcantes. As linhas não são muito “autorais” e o conjunto é, digamos, básico. Ao mesmo tempo, nesse segmento as marcas lidam com uma silhueta mais quadrada, que dificulta criar formas fluidas sem sacrificar espaço interno e praticidade. A BYD escolheu não abrir mão desses pontos em nome de carroçaria e estilo.

Para melhorar a experiência a bordo e segurar o preço, a BYD Atto 2 não se destaca por personalidade, embora tenha um toque aventureiro e lanternas traseiras horizontais. Como já tínhamos descrito no Seal 6, o desenho é convencional: não arrisca e não aponta uma direção muito clara. Ainda assim, depois de termos conduzido em dezembro um exemplar cinza, gostamos muito do verde “Hiking Green” do nosso carro de teste, que traz uma dose bem-vinda de frescor ao modelo.

Autonomia suficiente (360 km em média) com recarga eficiente

Ao longo do nosso teste de mais de 1300 quilômetros, fizemos várias recargas e levantamos a consumo real da BYD Atto 2 em diferentes tipos de trajeto. Isso também permitiu chegar a uma média para estimar quantos quilômetros dá para percorrer com a Atto 2 Comfort equipada com a bateria grande de 64,8 kWh.

De acordo com os nossos números, já dá para contar com 360 quilômetros em média com uma carga completa no Atto 2 Comfort, graças a um consumo medido de 18 kWh/100 km. Em uso urbano, foi possível baixar para 13 kWh/100 km, enquanto na autoestrada a 130 km/h vimos algo entre 24 e 28 kWh/100 km. Em termos práticos: 500 km se a condução for estritamente na cidade, e entre 230 e 270 km em autoestrada.

Vale lembrar que essas medições foram feitas na primavera, com temperatura externa favorável, por volta de 15 graus. Usamos muito pouco aquecimento ou ar-condicionado. Além disso, estávamos apenas com um ocupante a bordo. Esses fatores importam, porque a autonomia cai com temperaturas mais baixas e com maior uso do ar-condicionado e da bomba de calor.

Na recarga, a potência máxima sobe de 65 para 155 kW quando se passa da bateria pequena para a grande - que é a do Atto 2 Comfort. No uso real, a diferença é enorme. A BYD promete 25 minutos de 10 a 80%. No nosso caso, levámos 23 minutos e 40 segundos para ir de 18 a 80%, porque a potência máxima foi inferior à anunciada (143 kW). Mesmo assim, a curva é bem sustentada: ainda estávamos a 80 kW ou mais até 83%, e entre 103 e 105 kW na faixa de 60 a 77%.

As desvantagens da BYD Atto 2

Nem tudo foi positivo no teste da BYD Atto 2 Comfort. Ao usar o carro por vários dias e colocá-lo numa viagem com mais de 1300 km, encontramos pontos problemáticos que não tinham aparecido na primeira impressão. E alguns incômodos já conhecidos continuam presentes - e merecem ser relembrados.

Suspensão com sensação “barata” e rolagem da carroçaria

O primeiro tema é a suspensão do Atto 2. Na versão Comfort, há um novo braço articulado no eixo traseiro para melhorar o conforto dos passageiros. Mesmo assim, a conclusão não muda: o SUV urbano não está entre os mais confortáveis. A suspensão com sensação de baixo refinamento não filtra bem as irregularidades. Não chega a ser seca, mas o efeito é estar constantemente a ser sacudido dentro do Atto 2. Por causa da altura ao solo e do peso, também há rolagem de carroçaria nas curvas.

A direção foi claramente calibrada para o uso urbano. Existe a opção de deixá-la mais firme nos ajustes, mas convém ter em mente que o carro não gosta tanto de estradas secundárias cheias de curvas, porque a direção não é muito precisa. Na autoestrada, o problema aparece menos. Já o pedal de travão é bem leve, para favorecer a regeneração; para uma parada mais forte, é preciso se habituar a pressionar com mais intensidade.

Para quem prefere conduzir com um pedal, há dois modos de travagem regenerativa. O modo “High” acrescenta ao modo normal uma desaceleração mais forte, mas ainda não é suficiente para condução plena com um só pedal. Em engarrafamentos, a melhor solução é ativar o piloto automático adaptativo para deixar de usar os pedais: o sistema do Atto 2 consegue parar completamente e depois voltar a arrancar sozinho quando o trânsito anda.

Ruído da bomba de calor durante a recarga

Um ponto que não tínhamos identificado no primeiro contato com o Atto 2 é o barulho durante a recarga. Passados cerca de dez minutos, a bomba de calor entra em funcionamento e o ruído só aumenta. É difícil ignorar: em poucos minutos, o som (um zumbido alto) passa a dominar, inclusive dentro do carro, tornando complicado ouvir música ou um podcast.

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Fizemos o teste com clima ameno, entre 10 e 20 graus, e o comportamento foi sempre o mesmo. Numa recarga ao início da noite, o ruído chegou a continuar por mais de dez minutos depois de interrompermos a carga. Tivemos de parar e esperar alguns minutos com o carro desligado antes de voltar a ter silêncio. Infelizmente, isso não é inédito na BYD e afeta outros modelos, como alguns clientes relatam em fóruns.

Isolamento acústico e ruídos de vento

O isolamento acústico do Atto 2 também deixa a desejar. As áreas envidraçadas muito grandes e a própria forma da carroçaria ajudam a explicar. Na autoestrada, as vantagens típicas do elétrico ficam menos evidentes: o ruído de rodagem se impõe, somado ao vento. Também percebemos que não dá para conduzir com a janela do motorista aberta (nem mesmo ligeiramente) acima de 40 km/h, porque surge um assobio nessa velocidade, entre a coluna e o retrovisor.

Condução semiautónoma

As assistências de condução na BYD são numerosas, e o Atto 2 em Comfort vem com o pacote completo. Para condução semiautónoma (que também existia nas versões anteriores), a BYD oferece manutenção de faixa e piloto automático adaptativo. Se a manutenção de faixa funciona bem na maioria dos cenários, o piloto automático adaptativo reage de forma lenta, tal como já tínhamos notado no teste do BYD Seal 6.

O modo semiautónomo do Atto 2 fica especialmente comprometido em ultrapassagens na autoestrada. O primeiro motivo é que o carro trava cedo demais para manter distância de segurança. Esse excesso de prudência atrapalha a manobra: é preciso mudar de faixa com muita antecedência para evitar que o veículo trave em vez de manter a velocidade para ultrapassar. Só que nem sempre dá para trocar de faixa a 100 m de distância, e isso prejudica a fluidez natural do trânsito.

Sem intervenção do motorista, o Atto 2 trava e surpreende quem vem atrás, quando esses condutores interpretavam que iríamos ultrapassar. O problema continua depois da mudança de faixa: o sistema demora, e é preciso esperar longos segundos até que ocorra uma aceleração tímida. Para manter o ritmo do tráfego, é melhor retomar o controlo dos pedais e acelerar manualmente.

Fora isso, a condução semiautónoma do Atto 2 é muito boa, especialmente por ser item de série - algo que também acontecia nas versões de entrada anteriores. Ainda assim, há outro detalhe estranho. Apesar de ser um sistema pensado para nível 2 e exigir mãos no volante, durante o nosso teste conseguimos rodar dezenas de quilômetros sem que o carro pedisse para recolocar as mãos. Seria uma falha no sensor de detecção?

Carregamento sem fio inútil

Para fechar, um comentário sobre o interior do Atto 2: na consola central, o suporte de carregamento sem fio é impraticável, porque a base é inclinada demais. Ao colocar o telefone, ele acaba escorregando e a recarga não fica estável - ou sequer inicia. Em várias tentativas, colocámos a chave do carro entre o telefone e a borda para impedir que ele deslizasse. Mas, após alguns minutos, como a bobina não ficava bem alinhada, o aparelho aquecia e entrava em proteção.

O espaço comporta dois smartphones, mas apenas um dos lados tem carregamento sem fio. Isso não seria um problema se o sistema funcionasse. Na prática, é melhor não usar. Para evitar qualquer superaquecimento, acabámos por desativar o carregador e usar o local apenas como apoio para o telefone.

Balanço: a nossa opinião sobre a BYD Atto 2 Comfort após 1300 km

A BYD Atto 2 Comfort é um elétrico de 4 lugares que entrega bom espaço interno, com conforto para cada ocupante, graças a bancos individuais, iluminação ambiente e bons acabamentos - especialmente com o interior bege do nosso exemplar de teste. Por fora, o verde claro dá um ar mais fresco a um SUV urbano cujo desenho não é dos mais marcantes do mercado e que favorece, sobretudo, o habitáculo.

A mudança para a bateria de 64,8 kWh e a recarga rápida de 155 kW transformam a proposta do Atto 2, que passa a ser um modelo bastante versátil. Antes, era um carro essencialmente urbano; agora, já dá para viajar sem perder tempo demais na recarga. Ainda assim, alguns traços desse passado 100% citadino continuam refletidos na direção e na suspensão.

O isolamento acústico também mostra limites, assim como o barulho infernal da bomba de calor durante a recarga. O modo semiautónomo acerta na condução em faixa, mas não é eficiente na gestão de velocidade em autoestrada durante ultrapassagens. Some-se a isso que, como em outros modelos da BYD, o Atto 2 tem uma câmara de monitorização interna que precisa ser desativada a cada nova partida para evitar alertas constantes.

Por 35 0990 0€, a BYD Atto 2 Comfort concorre diretamente com o seu equivalente DM-i (híbrido), oferecido por 29 0990 euros na versão Boost (a Comfort é exclusiva do elétrico). A Citroën tem a ë-C3 com preço muito agressivo, por menos de 13 0000 euros, mas com bateria bem menor. Fora isso, vale olhar para Skoda Elroq, Hyundai Kona elétrica ou Renault 4 E-Tech por preço semelhante, porém com bateria menor (52 kWh).


BYD Atto 2 Comfort

35 0990 0€

Nota geral: 7.5

Categoria Nota
Condução 6.0/10
Habitáculo 8.0/10
Tecnologias 7.0/10
Autonomia 8.0/10
Preço/equipamentos 8.5/10

O que gostamos

  • Habitabilidade para 4 pessoas
  • Acabamentos e equipamentos
  • Muito mais versatilidade com a bateria grande e a recarga a 155 kW
  • Competitiva pelo preço
  • Interior bege de série

O que gostamos menos

  • Suspensão
  • Condução semiautónoma pouco fluida em ultrapassagens
  • Ruído durante a recarga rápida
  • Carregamento sem fio para smartphone inútil
  • Isolamento acústico

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