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Renault Captur: teste do crossover compacto para a família

Carro Renault azul com teto branco dirigindo em estrada costeira com mar e colinas ao fundo.

O que é o Renault Captur?

Pense nele como um Renault Clio com “anabolizantes”. O Captur é a resposta da Renault ao grupo cada vez maior de crossovers compactos de apelo urbano, criado para encarar rivais como o Nissan Juke e o ligeiramente maior Vauxhall Mokka.

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E o “urbano” é mesmo a palavra-chave. O Captur não foi feito para trilhas pesadas nem para off-road de verdade: ele existe para a vida em asfalto. A proposta é clara: apenas tração em duas rodas e um foco total em família. Levar as crianças à escola, fazer compras no supermercado - todos os clichês se aplicam. E, para completar o pacote, os motores também não foram pensados para virar o asfalto do avesso.

Motores do Captur e números de desempenho

O carro que conduzimos tinha motor diesel de 1,5 litro, com 89 bhp e 162 lb ft. A aceleração de 0 a 100 km/h (0–62 mph) fica em 12,6 segundos com câmbio manual, ou 13,1 segundos com a transmissão de dupla embreagem.

Também existem duas opções a gasolina: um três-cilindros com 89 bhp e um quatro-cilindros em linha maior, com 119 bhp. Ainda assim, nenhum deles faz 0 a 100 km/h (0–62 mph) em menos de 10,0 segundos.

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Como ele anda (e por que isso talvez seja irrelevante)

Mas, sinceramente? No fim, isso não muda muita coisa. A ideia aqui é rodar com calma - ninguém vai ficar fazendo arrancadas com quatro pessoas e crianças no banco traseiro. Além disso, o diesel não parece tão lento quanto os números sugerem, porque entrega uma boa dose de torque assim que o turbo entra em ação a 1.500 rpm. Não vou dizer que ele é brilhante em ultrapassagens, porém, depois que embala, o Captur reage bem e tem agilidade suficiente.

Com isso somado a uma suspensão confortável e a um nível de silêncio e suavidade realmente impressionante, o Captur pode até ser sem graça, mas está muito bem talhado para a função que se espera dele.

Espaço interno e praticidade para a família

Se o foco é família, então ele é prático? Até certo ponto, sim. O Captur traz um porta-malas grande - comparável ao do Mokka, que é maior - e, nos dois níveis superiores de acabamento, os bancos vêm com capas estranhas que dá para tirar pelo zíper. A lógica é simples: se crianças/cachorro/marido irresponsável vomitarem ali, você abre o zíper, lava, fecha de novo e o Captur volta a parecer novo.

E parte dessa praticidade tem a ver com a escolha da base: o Captur usa a plataforma do Clio, e não a do Juke. Como Renault e Nissan fazem parte do mesmo grupo, em teoria faria sentido os dois modelos compartilharem a mesma arquitetura. Só que o Juke pode ter tração integral, e isso exige componentes adicionais - o que rouba espaço na cabine. Já a base do Clio, com tração dianteira apenas, dá mais liberdade para o aproveitamento interno, e isso aparece no Captur: há espaço de sobra atrás e ele acomoda quatro adultos com conforto.

Apesar disso tudo, ainda fica a sensação de que a Renault deixou passar uma oportunidade no interior. Sim, existem porta-objetos, mas eles não são nem tão inteligentes nem tão numerosos quanto os do Scenic. É como se a marca que ajudou a popularizar as minivans tivesse se distanciado um pouco das próprias origens.

Personalização, “coleções” e tecnologia

Há outros diferenciais? A Renault diz que o Captur permite um grau bem maior de personalização por meio de três “coleções temáticas”. A ideia soa um tanto Ab Fab, mas essas “coleções” se chamam Arizona, Manhattan e Miami. Bem “exótico”...

Cada um dos três temas, por sua vez, se divide em quatro pacotes - cor, brilho externo, toque interno e estilo. Resultado: escolher o seu Captur não é algo que se resolve em dois minutos, porque as combinações possíveis são muitas. Dá para discutir se isso é só enfeite, mas o público parece querer esse tipo de liberdade hoje em dia - então é difícil criticar a Renault por oferecer.

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Além disso, as versões mais caras (a partir de £14,995) incluem o MediaNav (um navegador por satélite integrado com tela sensível ao toque). E há a opção do R-Link, o sistema de “aplicativos” da Renault, por £450. Ele dá direito a seis meses de recursos para download, como um fluxo de notícias ao vivo, horóscopos, leitura de e-mails em voz alta... e até a possibilidade de mudar o som do motor para fazer o Captur soar como um Renault histórico.

“Excelente. Então quero um A110.”

Era o que eu imaginava.

Afinal, devo considerar o Captur?

Se você está procurando um crossover compacto, então sim. Para começar, os preços partem de £12,495, o que é um bom valor dentro desta categoria. Pessoalmente, acho que ele tem um visual OK, dirige de um jeito OK e oferece espaço mais do que suficiente para as crianças que você vai ficar levando para lá e para cá.

Mas aqui vai a ressalva estilo TopGear: ele joga seguro demais. É o carro mais bege (e, ironicamente, também o azul-vivo) do mercado. A própria Renault admite que este não é um modelo aventureiro - ele não foi feito para provocar reação nem para dividir opiniões como o Juke.

Ele deve vender bem porque, neste momento, não há tantos concorrentes. Só que, quando mais rivais aparecerem, dá a sensação de que o Captur pode cair no esquecimento, por não ter profundidade de habilidades suficiente. Não importa quantas “coleções” com cara de América você jogue por cima dele...

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