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Novo BMW 3-Series Touring: grande por fora, leve ao dirigir

Carro BMW cinza escuro em movimento em estrada cercada por árvores verdes e campo.

A primeira reação é inevitável: “Isso é mesmo um novo 3-Series Touring?” Ele parece grande demais, quase como se estivesse tentando ocupar o espaço de um 5-Series. Ainda assim, ao entrar numa concessionária BMW, você não correria o risco de confundir qual levar. A 5 Touring atual não é apenas grande - é gigantesca. E é exatamente por isso que existe um lugar claro na gama para uma perua que leve a família e toda a tralha do dia a dia, mas sem parecer que você precisa de dois rebocadores para “atracar” em frente de casa. O novo 3-Series Touring é esse carro.

Tamanho e espaço do BMW 3-Series Touring

Falando em números, a distância entre-eixos do Touring aumentou 50 mm em relação à geração anterior, e o comprimento total cresceu quase o dobro disso. Na prática, ele tem exatamente as mesmas dimensões do 3 sedã em que se baseia - então, por esse lado, nada de surpresa. Só que, no caso da perua, esse crescimento importa mais, porque se converte diretamente em ganho real de espaço no banco traseiro e no porta-malas.

Atrás, há mais espaço para a cabeça do que no sedã, já que o teto é mais alto. Mesmo assim, ele evita aquele visual de “carro de mudança” graças ao vidro traseiro, que é mais inclinado na direção da horizontal.

Sensação ao volante: menor do que parece

Aqui vem a parte curiosa: apesar do tamanho, ele não “parece” grande. Assim como no sedã, a BMW conseguiu fazer este 3 Touring (geração F20) soar e se comportar como um carro menor e mais esperto do que o antigo E90 - mais próximo do esportivo compacto que o Série 3 sempre foi na nossa cabeça.

A direção ficou mais afiada e claramente mais direta, e a carroceria aparenta rolar e “balançar” menos. O resultado é um carro que te convida a brincar com ele, a apontar o nariz para a curva e ir. Isso é ótimo. O 3 volta a ter personalidade própria e se distancia, no jeito de dirigir, do Classe C. É divertido - embora, como vou comentar já já, isso dependa bastante da escolha do motor.

Porta-malas e praticidade de perua

Antes, mais sobre a vida Touring. De série, a tampa do porta-malas é elétrica e há opcionalmente aquele sensor em que você passa o pé sob o para-choque para abrir. Esses dois recursos frequentemente parecem ter vontade própria e, em todos os carros em que usei isso, acabaram me deixando maluco. Por que criar soluções absurdamente complicadas para um problema que nem existia? Para ser justo, muita gente gosta - mas você foi avisado.

Num ponto mais sensato, e típico da BMW, o vidro traseiro abre de forma independente da tampa, permitindo colocar objetos pequenos sem precisar levantar tudo.

O banco traseiro tem divisão 40:20:40, então dá para duas pessoas irem sentadas, uma de cada lado, com algo comprido no meio - como esquis, pranchas de snowboard ou até um móvel desmontado, naquele breve momento de esperança entre a compra na megaloja de móveis e o arrependimento em casa.

Também ajuda um compartimento profundo sob o assoalho: ele é enorme porque usa a mesma base que vai acomodar a bateria de alta tensão na futura versão híbrida do 3 sedã. Os dois encostos externos rebatem e voltam com facilidade, sem prender nos cintos de segurança. Até aqui, tudo muito bem resolvido.

O que não empolga tanto: a qualidade e o funcionamento da tampa retrátil do porta-malas, da rede de bagagem e dos mecanismos para segurar carga não passam do padrão do mercado. E o assoalho principal do porta-malas fica alto, pois precisa “limpar” o diferencial traseiro e a suspensão traseira complexa da BMW; assim, o volume útil acaba sendo mais raso do que em peruas de tração dianteira, normalmente mais focadas em carregar bagagem.

Direção, chassi e tração traseira (RWD)

Só que o 3-Series é de tração traseira, e isso permite usar motores mais fortes mantendo uma direção limpa, sem aquele efeito de esterçamento por torque. E ele entrega o que promete. A direção é muito bem calibrada: firme e estável em alta velocidade, mas rápida e leve nas curvas. Nas mudanças de direção, o carro contorna dividindo o trabalho entre eixo dianteiro e traseiro numa medida que parece ideal, girando com naturalidade.

Se você escolher câmbio manual, a posição do trambulador ao lado do cotovelo ajuda a tornar as trocas mais intuitivas.

O chassi não é apenas ágil: ele também é confortável. Talvez a perua seja um pouco mais firme que o sedã, já que usa molas traseiras mais rígidas. Mas o carro do teste estava com rodas de 18 polegadas, então elas também podem ter contribuído. De qualquer forma, é detalhe. No conjunto, este carro passa sofisticação, como algo projetado por gente que realmente gosta do que faz.

Motores: 328i, 320d e 330d

O motor do carro avaliado, por outro lado, divide opiniões. Eu dirigi o 328i, um 4 cilindros turbo com injeção direta e Valvetronic - no papel, uma ótima ideia: leve, cheio de torque e econômico. O problema é que, em acelerações médias e giros médios, o som não inspira: fica um zumbido mecânico sem graça.

Já guiei esse motor 28i num 5-Series, onde ele parece melhor porque o carro é mais silencioso e isso incomoda menos, e também num Z4, em que o escape soa mais empolgante. Aqui, porém, ele fica apenas apagado. Então a solução é aumentar o volume do rádio e aproveitar o torque sem atraso. E, na verdade, quando você crava o pé e estica até o corte de giro, ele encontra uma voz mais interessante.

Ele anda bem, em parte porque é 40 kg mais leve do que o Touring anterior. É inteligente conseguir reduzir peso mesmo aumentando as medidas.

Olhando para a gama do sedã, dá para perceber que mais motores vão aparecer, mas, por enquanto, o 328i é o único a gasolina. De todo modo, hoje muita gente compra BMW a diesel. Para esse público, existem o lógico e certeiro 320d e o rápido, gostoso seis-em-linha 330d.

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