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Audi Q3 3ª geração: teste do e-hybrid 272 ch com 120 km de autonomia

Audi SUV branco exposto em showroom moderno com iluminação destacando detalhes do veículo.

O SUV mais vendido da Audi chega à sua terceira geração com visual externo e interno renovados, um conjunto híbrido muito mais eficiente e com fôlego maior - além de escapar do malus (com exceção do malus pelo peso, de 1000 euros). Com itens herdados de categorias acima, o Q3 tenta responder ao avanço da concorrência chinesa apostando em acabamento, percepção de qualidade e no “espírito Audi”.

Pelos números recentes, dava para dizer que “não havia mais Q3 no Q3” dentro da Audi. No terceiro trimestre deste ano, o SUV preferido dos clientes da marca dos quatro anéis saiu do pódio de maiores vendas, depois de ter perdido a liderança acumulada desde o começo do ano.

Líder do portfólio à frente de A3, A1 e do próprio Q4, o Q3 vinha sustentando esse posto sem interrupções desde 2019. Só que, sem uma nova geração por muito tempo e com a chegada de modelos mais novos, o ritmo caiu. Ainda assim, a Audi não deixou o Q3 de lado: desde a volta do segundo semestre, a nova Q3 de terceira geração já está à venda, tanto na carroceria SUV quanto na Sportback.

Os testes para a imprensa também demoraram a acontecer, mas agora que as três motorizações do Audi Q3 foram lançadas (TFSI a gasolina de 150 ch, TDI diesel de 150 ch e PHEV híbrido plug-in de 272 ch), as duas carrocerias passaram a ser disponibilizadas para avaliações. O Presse-citron teve a chance de dirigir o modelo.

Com uma ficha técnica muito atraente na versão híbrida plug-in (batizada de e-hybrid), a ausência de malus (fora o malus pelo peso, 1000 euros), deixamos de lado o TFSI a gasolina e o TDI diesel para focar na e-hybrid e nos 120 km de autonomia em modo totalmente elétrico prometidos (em vez de 50 km), além do carregamento em corrente contínua de 50 kW (uma estreia no Q3).

Para formar uma primeira opinião sobre esta terceira geração do Audi Q3, agora com o novo conjunto e-hybrid de 272 ch, reunimos 3 principais pontos fortes e 3 principais pontos fracos.

Os 3 pontos fortes do novo Audi Q3 (3ª geração)

Estilo: o Audi Q3 fica mais “musculoso” e a linha parece mais jovem

Mesmo mantendo o mesmo lugar dentro da gama, a Audi mexeu bastante no desenho do seu SUV “compacto” em comparação com a geração anterior. E o resultado é uma aparência visivelmente mais atual. O conjunto ficou mais dinâmico e esportivo, seguindo a linguagem das novidades recentes da marca: Q4 e-tron, Q6 e-tron e o Q5 de terceira geração.

Dá para notar que o traço mais “sedã” ficou para trás. Há bem menos cromados e uma evolução nos faróis que leva adiante a ideia de “cara de tubarão” e de maior agressividade visual. Também aparece a tendência vista em Volkswagen e Cupra: um logotipo traseiro que pode ser iluminado - e que, infelizmente, não será opcional.

Para aproveitar de verdade essa nova identidade do Q3 de terceira geração, quase vira obrigação optar pelo pacote S Line, que é o topo do SUV. A versão de entrada, chamada Design, não faz jus ao nome: faltam elementos de estilo, sobretudo na dianteira. Entre elas, a Business Executive adiciona faróis em LED e lanternas traseiras em LED pro.

Nas medidas, este Audi Q3 fica um pouco mais baixo do que a geração de 2018 (1,59 m vs 1,62), algo que se percebe ao chegar perto do carro - ele até lembra um sedã levantado. Também ficou mais comprido: agora são 4,53 m, contra 4,48 m antes. A largura, por outro lado, permanece igual, com 1,86 m. Voltaremos a falar dessas dimensões, que infelizmente vêm acompanhadas de um ponto negativo.

Contra a concorrência direta - leia-se principalmente o BMW X1 -, o Audi Q3 de terceira geração é 3 cm mais longo e 6 cm mais baixo.

Instrumentação digital: a Audi acerta nas escolhas

Ao entrar no Q3, fica claro que se trata de um dos modelos mais novos da Audi. A cabine muda bastante, estreando uma nova experiência digital e também um comando inédito que reúne setas, limpadores e seletor de marcha em uma única peça, posicionada atrás do volante.

A parte digital é um dos grandes acertos deste Audi Q3 de terceira geração. A tela de 11,9 polegadas fica levemente voltada para o motorista, sem “excluir” o passageiro. O novo software baseado em Android Automotive se mostra rápido, fluido e bem construído. A organização é intuitiva, e o uso de pictogramas ajuda a localizar funções e ajustes - inclusive as assistências de condução.

O display atrás do volante volta a oferecer acesso ao mapa, recurso que havia sumido do i-Cockpit da Audi, embora a marca seja conhecida há uma década por permitir navegação nessa tela (o que reduz um pouco o apelo do head-up display, ainda que ele continue sendo a forma mais confortável de acompanhar rotas sem tirar os olhos da estrada).

Entre a tela e o volante, o novo conjunto que concentra setas, limpadores e seletor de marcha ajuda a reduzir componentes e, na prática, entrega uma resposta mais imediata do que as tradicionais hastes.

Essa experiência digital não fica restrita a uma única configuração: ela aparece nos três níveis de acabamento. O novo sistema de infotainment chegará depois a outros modelos, mas as gerações anteriores não terão acesso a ele. Para o Q3, a Audi inclui 36 meses de dados conectados para navegação, dados gratuitos para o recurso de SOS e 3 Go por mês para uso sem custo em apps (no exterior).

Condução: a versão e-hybrid estreia no Q3 com consumos sob controle

O híbrido dá um salto no novo Audi Q3. Depois de estrear em Q5 e em sedãs A5/A6, o conjunto chamado “e-hybrid” amplia o que era possível na marca dos quatro anéis. O híbrido plug-in passa a fazer mais sentido, combinando consumo misto baixo, um modo 100% elétrico realmente utilizável e o bom nível de prazer ao dirigir típico da Audi.

A Audi nos levou para testar o novo Q3 nas estradas da Toscana, na Itália - um cenário longe de ser plano e conhecido por pavimento irregular. Um ambiente perfeito para avaliar o controle de consumo. No Q3 e-hybrid, o comprador recebe um conjunto de 272 ch associado ao câmbio automático S Tronic de 6 marchas, bem discreto em funcionamento.

Em números, o motor a combustão entrega 177 ch e o elétrico 115 ch. A tração é somente dianteira. Em modo 100% elétrico, a Audi declara 120 km de autonomia, enquanto rivais costumam ficar em 80 km. No uso real, dá para chegar a 100 km; 120 km talvez só em cidade e em condições ideais, mas ainda assim o resultado é excelente.

No primeiro dia de testes com este Audi Q3 e-hybrid de 3ª geração, medimos apenas 2,2 L/100 km após 150 quilômetros, em ciclo misto. Havia um trecho de via rápida e estradas rurais com leves subidas e descidas - não foi o percurso mais exigente, porém também não era o mais econômico. Nesse total, consumimos toda a bateria (desligamos o modo que força o 100% elétrico para avaliar o comportamento em híbrido).

Com a bateria esgotada, os 15 quilômetros seguintes foram feitos apenas com o motor térmico (com consumo medido entre 6,0 e 6,6 L/100 km em ciclo WLTP, sem assistência elétrica), o que elevou a média de 2,2 para 2,7 litros ao fim de 165 quilômetros. Nos primeiros 150 quilômetros, quando o conjunto ainda usava energia da bateria, o consumo elétrico observado foi de 13,6 kWh/100 km.

No segundo dia, em um percurso menor (110 km), mas mais acidentado e com condução um pouco mais esportiva, registramos 2,7 L/100 km e 15,5 kWh/100 km. Na chegada, restavam 21% de bateria - algo como, no máximo, cerca de 20 quilômetros. Vale lembrar que, na geração anterior do Audi Q3 PHEV, lançada em 2021, o consumo misto ficava em torno de 5,5 l/100 km.

No capítulo de recarga, a Audi estreia a recarga rápida no Q3, com corrente contínua DC de até 50 kW (26 minutos para ir de 10 a 80%). Em AC, o SUV aceita 11 kW para recarregar de 0 a 100% em 2h30. Em tomada comum com cabo, a carga pode levar 12 horas.

Os consumos deste Audi Q3 e-hybrid 2026 são, portanto, muito bons - ainda mais porque o carro avaliado vinha com suspensão adaptativa e com um som artificial nos alto-falantes quando o motor térmico entra em ação (uma imitação de V6, até agradável). Com esse conjunto, o Q3 preserva o jeito Audi de dirigir: pouca rolagem da carroceria e calibração firme, mas capaz de absorver bem as várias imperfeições das estradas da Toscana.

Os 3 pontos fracos do novo Audi Q3 (3ª geração)

Preço: ainda é preciso somar muitas opções

No posicionamento oficial, a Audi diz que o novo Q3 é o primeiro a receber equipamentos antes reservados a modelos de segmentos superiores. Isso é verdade em parte - mas custa caro. E, diferentemente do que marcas chinesas vêm tentando normalizar, o catálogo de opcionais do SUV continua cheio. E esses extras ainda entram por cima do custo da carroceria Sportback (+ 2500 euros) e do malus pelo peso (+ 1000 euros).

Alguns itens parecem “obrigatórios” para um carro que começa em 43 850 euros (a gasolina) e 55 000 euros (no híbrido plug-in), mas não são. Na versão Design, não conte com suspensão adaptativa, gerador de som, acerto de chassi esportivo, head-up display, bancos com regulagem elétrica, teto panorâmico, câmera de ré ou controle de cruzeiro adaptativo.

Muitos opcionais continuam presos a pacotes, o que encarece ainda mais, já que é preciso levar também outros acessórios. Um exemplo é a suspensão adaptativa por 3 250 euros, que vem junto com ajuste elétrico e memória dos bancos, condução semi-autônoma e discos de freio maiores.

O head-up display também aparece apenas em um pacote de 1 950 euros (disponível nas versões Business Executive e S Line). Ele se chama MMI Experience Pro e inclui ainda um sistema de som audi Sonos e portas USB com maior velocidade de carregamento. Por fim, os melhores faróis digitais da Audi custam 2 500 euros na dianteira (somente na S Line) e 1 200 euros na traseira (disponível em Business e S Line).

Porta-malas menor em um Audi Q3 maior

Embora a terceira geração seja mais baixa, ela ganhou 5 centímetros no comprimento. A Audi mantém a banqueta traseira deslizante, que permite priorizar espaço para passageiros ou para bagagem. São 13 centímetros de curso, com divisão 2/3 e 1/3. O problema é que, mesmo assim, o volume do porta-malas diminuiu.

A capacidade cai de 530 para 488 litros nas versões a gasolina e diesel (SUV ou Sportback). Já o híbrido perde mais e fica em 375 litros. Do outro lado, o BMW X1 se beneficia do formato mais “quadrado”: 540 litros (versão térmica) e 490 litros no híbrido plug-in. Assim, a Audi fica entre BMW e Mercedes (com o GLA), embora este último seja 10 litros melhor na versão híbrida plug-in.

A Audi ainda surpreende por não diferenciar o volume do porta-malas entre as carrocerias SUV e Sportback. Dentro do carro, a mudança aparece no banco traseiro, já que a queda do teto é naturalmente mais baixa na Sportback cupê (muito popular na França). Em número, a diferença é de 4,8 cm.

Um híbrido de 204 ch só mais tarde; o mesmo vale para tela do passageiro/diesel Quattro

Por fim, o último ponto fraco do Audi Q3 está no cronograma. Apesar de o SUV já estar em concessionárias e com entregas (produção na Europa, na Hungria), a gama mecânica ainda vai demorar para ficar completa. Hoje, por exemplo, não existe opção Quattro.

A primeira - e única - versão Quattro virá com o diesel de 193 ch, além do diesel de 150 ch com tração dianteira. No híbrido, a Audi prepara um motor térmico menor para a futura versão e-hybrid de 204 ch, em vez dos 272 ch atuais. A ideia é oferecer um Q3 e-hybrid mais acessível e com consumos ainda mais baixos.

Também será preciso esperar caso o comprador queira um interior com uma terceira tela, posicionada acima do porta-luvas para o passageiro. Essa configuração não chega antes do fim de 2026.

Conclusão: nossa opinião sobre o Audi Q3 de terceira geração

Com o design atualizado, a cabine reestilizada e um multimídia mais maduro, o Audi Q3 volta a conversar melhor com o restante da linha. A marca fez as mudanças necessárias para recolocar o Q3 entre seus campeões de vendas. Ao volante, o novo conjunto e-hybrid mostra que o híbrido plug-in ainda tem vantagens muito concretas. Também agrada o retorno do mapa e da navegação no display atrás do volante, além da suspensão adaptativa.

Ainda assim, o Audi Q3 perde volume de porta-malas e amplia a lista de opcionais. Teríamos preferido ver todas as motorizações chegando ao mesmo tempo - principalmente porque o híbrido plug-in de 204 ch pode reduzir ainda mais os consumos, que já ficam abaixo de 3 l/100 km nesta versão de 272 ch. Em dinâmica e eficiência, o modelo se destaca, mas em espaço interno o BMW X1 é um rival forte. Mesmo com isso, a Audi entrega um SUV bem completo, atraente e tecnicamente convincente, com tudo para retomar seu lugar dentro da gama.


Audi Q3 2026 e-hybrid

55 000 €

Nota geral: 8.6

Categoria Nota
Condução 9.5/10
Habitáculo 9.0/10
Tecnologias 9.5/10
Autonomia 9.0/10
Preço/equipamentos 6.0/10

Gostamos

  • Instrumentação digital
  • Condução e consumos
  • Estilo bem-sucedido na S Line

Gostamos menos

  • Preço e muitos opcionais
  • Porta-malas menor do que no Q3 anterior
  • Longa espera pela comercialização do PHEV de 204 ch

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