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Peugeot 308 2026: é o mais completo de todos, mudou pouco, mas mudou bem

Carro Peugeot 308 verde metálico estacionado em ambiente interno moderno.

Mudou pouco, mas mudou bem. O Peugeot 308 2026 é o mais completo de sempre.


Às vezes, a melhor evolução é aquela que não tenta reinventar tudo. O Peugeot 308 chega à linha 2026 mantendo a receita que o tornou um dos mais vendidos do segmento em Portugal nos últimos quatro anos - e com bons argumentos para continuar nessa posição. O “porém” é o de sempre: a atualização veio acompanhada de um aumento de preço.

E parte desse reajuste está onde a gente não vê. Agora, todas as motorizações passaram a ser eletrificadas. Até o novo 1.2 Turbo, que virou mild-hybrid 48 V - na prática, um motor 100% a gasolina com a ajuda pontual de um pequeno motor elétrico para baixar consumo e emissões.

Essa eletrificação, somada ao câmbio automático, fez o preço deste modelo subir de forma substancial. Como explicamos neste vídeo, há outros motivos para este aumento. Alguns deles, nós conhecemos muito bem:

Com estas mudanças, o Peugeot 308 ficou melhor, é um facto. O que ajuda a compensar em parte o incremento de preço.

Neste primeiro teste, vamos concentrar-nos precisamente nesta versão 1.2 Turbo mild-hybrid que será, potencialmente, a mais vendida em Portugal. As versões 100% elétricas e híbridas plug-in ficarão para outra oportunidade. Hatch ou carrinha (SW)? A decisão é sua.

Ano novo, cara nova

Não será difícil distinguir o Peugeot 308 2026 do anterior: a dianteira é totalmente nova. A iluminação assume uma configuração bipartida, a assinatura luminosa passa a estar no topo e estende-se a toda a largura e até o logótipo passa a ser retroiluminado.

No resto, a mudança mais evidente são as rodas e, no caso da versão GT que testei, são de 18″ com pneus de perfil baixo - temi que isso afetasse o conforto, mas não afetou.

No interior do Peugeot 308 as diferenças são mais discretas. O i-Cockpit continua a dominar e a dividir… opiniões. Eu gosto desde o começo, mas entendo que nem todo mundo se adapte a essa proposta fora do padrão.

De resto, segue sendo o que já era: um dos modelos mais sólidos e bem montados do segmento, com materiais cuidadosos, bom espaço - para pessoas e bagagens -, e uma das ofertas mais completas em equipamento de série.

Mudanças que não se veem

Houve mais mudanças no Peugeot 308 2026, mas não aparecem à primeira vista e estão debaixo do capô. Todas as motorizações são agora eletrificadas - parcial e totalmente -, mas o destaque tem de ir para a unidade que conduzi no vídeo acima: o Hybrid de 145 cv.

É a motorização de entrada - e, ao contrário do que o nome pode sugerir, trata-se de um mild-hybrid 48 V - e deve ser a mais escolhida pelos portugueses. É um 1.2 Turbo a gasolina, mas sem sustos: não é o Puretech. Ou seja, não há correia banhada a óleo; no lugar, passa a existir corrente de distribuição - uma mudança importante até para a tranquilidade de quem compra.

Entrega 145 cv, obtidos com o auxílio de um pequeno motor elétrico com 29 cv e 50 Nm. Parece pouco, mas é suficiente para cortar as emissões em 17 g/km e reduzir o consumo em quase 1 litro a cada 100 km. Em cidade, esses ganhos podem ser ainda maiores, já que até 50% dos deslocamentos podem ser suportados apenas pelo motor elétrico.

Em fórmula vencedora não se mexe ou mexe-se pouco

Na estrada, o Peugeot 308 renovado continua fiel ao que sempre foi: previsível, sólido, estável, confortável e com dinamismo suficiente, sobretudo nesta versão GT, a topo de linha. As rodas de 18″ com pneus de perfil baixo ajudam nisso - e, ainda assim, seguem oferecendo um bom nível de conforto para a família. Afinal, este modelo “se formou” na escola francesa.

O Hybrid 145 pode ser o menos potente da gama, mas em nenhum momento senti falta de motor, mesmo tendo à frente apenas um 1.2 Turbo. Não é carro para “arrancadas no sinal”, mas cumpre bem a sua função, inclusive com o carro cheio de pessoas e bagagens.

A experiência de uso do novo motor também melhorou em relação ao que havia antes, e parte dessa sensação vem do câmbio automático de dupla embreagem - o único disponível.

Só não consegui aferir, neste primeiro contato em estradas portuguesas, os consumos - vamos ter de esperar por um teste mais prolongado. A marca anuncia 5,0 l/100 km no ciclo combinado WLTP (para a 308 SW), um número muito bom que eu gostaria de colocar à prova.

Está mais caro, mas há razões para isso

O Peugeot 308 2026 pode não parecer tão diferente, mas mudou bastante naquilo que não se vê - e que se sente, principalmente, no bolso: o preço subiu de forma significativa. A versão de entrada passa a custar mais de 6000 euros em relação à do antecessor, com o preço a arrancar nos 33 535 euros (Hybrid 145 Style).

Exagerado? Talvez. Mas a versão de entrada já não é a mesma: saiu de cena um conjunto puramente a combustão com câmbio manual, e entrou uma motorização eletrificada (mild-hybrid) associada exclusivamente a uma caixa de dupla embreagem. Só aí já se vão milhares de euros a mais.

Também há mais equipamento de série, seja de conforto ou tecnologia, porque a gama agora começa no nível Style e não no antigo Active, que foi descontinuado. E nem a redução das emissões em 15%, que mitigam o impacto da anacrónica fiscalidade automóvel portuguesa, conseguiu encurtar a distância de preço.

No caso da versão GT que testei, o nível mais alto de equipamento, o preço aproxima-se perigosamente dos 40 mil euros. É muito elevado, mas praticamente não deixa nada na lista de opcionais.

Para as empresas e ENI (empresários em nome individual) fará mais sentido optar pelo 308 Plug-in Hybrid 195 (até 85 km de autonomia) ou o E-308 (até 450 km), que são ainda mais caros, mas têm vários benefícios fiscais, como a dedução do IVA no caso do elétrico.

Veredito

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