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Não subestime, no Volkswagen T-Roc 2026, os 116 cv do 1.5 eTSI

Carro elétrico SUV Volkswagen T-Roc 2026 branco estacionado em piso externo com luz natural.

Nem todo SUV precisa de números impressionantes para fazer sentido. No Volkswagen T-Roc 2026, a versão de entrada com 1.5 eTSI de 116 cv prova justamente isso: entrega o que promete e ainda soma argumentos bem difíceis de ignorar.

E tem um detalhe curioso por trás dessa história. O T-Roc pode ter ADN alemão, mas é montado em Portugal, na Autoeuropa - e eu já tive a chance de passar por lá para buscá-lo “em casa”, ainda que num contato rápido.


Agora - e porque falamos do Volkswagen “mais português” de sempre - passámos uma semana ao volante daquele que é hoje um dos best-sellers da marca alemã e um dos SUV mais relevantes do segmento.

Um estatuto que a segunda geração reforça com uma evolução clara no design, no espaço e na tecnologia, mas sobretudo com uma mudança estratégica sob o capô. Se quiser ver tudo o que mudou em detalhe, já temos um vídeo que explica as novidades:

Nesta geração do T-Roc, a Volkswagen tomou uma decisão sem rodeios: o motor 1.0 TSI sai completamente de cena. No lugar dele fica uma única opção mecânica: o conhecido 1.5 eTSI a gasolina, que passa a ser o centro da gama.

A famosa sigla “TSI” agora vem acompanhada de um discreto “e”, que denuncia a eletrificação leve do conjunto, assegurada por um sistema mild-hybrid de 48 V, com dois níveis de potência - 116 cv ou 150 cv - e sempre associado ao câmbio automático DSG7.

E é exatamente na versão menos potente que recai o foco deste ensaio. Não só por ser a mais acessível, como porque tudo indica que será também a mais procurada em Portugal.

Volkswagen T-Roc não é um Golf mais alto

O novo T-Roc cresceu em vários sentidos, deixou de ser um Golf “esticado” e passou a parecer mais um Tiguan encurtado - até porque partilha a plataforma MQB Evo.

Mede mais 136 mm em comprimento (4,372 m) e 9 mm em largura (1,828 m), com a distância entre eixos a alongar 39 mm (2,629 m). Um crescimento que se sente no interior, mas já lá vamos.

Em termos visuais, apesar de a unidade ensaiada estar longe do look mais marcante das variantes R-Line, o T-Roc apresenta linhas vincadas e bem definidas, que lhe dão uma presença forte na estrada.

Para isso, ajudou muito a pintura Amarelo Canário, oferecida de série em todas as versões do SUV. Já as rodas de 17” não são as mais chamativas, mas fazem sentido: mantêm o equilíbrio estético e ainda contribuem para preservar o conforto.

Interior deu um salto qualitativo

Se por fora a evolução salta à vista, por dentro o avanço é ainda mais evidente. A qualidade percebida subiu claramente. Há novos materiais mais macios ao toque e o console central foi redesenhado.

Como o seletor do câmbio DSG foi deslocado para a coluna de direção, abriu-se mais espaço para porta-objetos, com destaque para a base de carregamento por indução e para o comando multifunções rotativo, que permite alternar entre volume, modos de condução, temperatura do habitáculo, entre outros.

Infelizmente, não era o caso nesta unidade. Só o volume do rádio podia ser controlado, o que limita o potencial do sistema e deixa dúvidas sobre a lógica dessa escolha.

Mais acima, o sistema de infoentretenimento de 12,9″ continua a concentrar praticamente todas as funções do T-Roc. Os grafismos estão mais fáceis de ler e a personalização ajuda, mas continua a faltar algo básico: comandos físicos, sobretudo para a climatização.

O interior do novo ID. Polo mostra que a Volkswagen já percebeu o problema; falta levar a solução para o resto da linha. Felizmente, o volante já é um bom primeiro passo, ao abandonar os antigos comandos hápticos e voltar a trazer botões “de verdade” - a usabilidade agradece.

No capítulo do espaço, o crescimento externo, como referi, reflete-se positivamente na cabine. Há mais espaço para os ocupantes do banco traseiro e o porta-malas passa a oferecer 475 litros - mais 30 litros do que na primeira geração e mais 94 litros do que o “irmão” Golf.

Famílias jovens, confiem em mim: dá para levar quase tudo. E sem precisar encarar um carro gigante no dia a dia da cidade.

Mais crescido em estrada

Em estrada, o T-Roc mostra-se sólido e previsível, como se espera de um Volkswagen. A suspensão filtra bem a maioria das irregularidades, embora deixe transparecer o seu lado mais “germânico” em pisos mais castigados.

O grande trunfo desta unidade, porém, está no motor 1.5 eTSI de 116 cv e 220 Nm de binário. Pode ser o menos potente da gama, mas mostrou-se plenamente capaz de lidar com os cerca de 1500 kg do SUV made in Portugal.

O sistema mild-hybrid de 48 V e a desativação de cilindros são decisivos aqui. Quando as condições permitem, o motor pode trabalhar apenas com dois cilindros ou, sempre que tiramos o pé do acelerador, desligar temporariamente.

Os consumos, claro, agradecem. Ao fim de cinco dias, a média fixou-se nos 6,2 l/100 km. Mas, com um pé direito mais leve, dá para baixar este registo para valores mais próximos dos cinco litros.

Menos convincente é a atuação do câmbio DSG7. Na maior parte do tempo é suave e rápido, mas mostra limitações quando exigimos mais. Acabamos por ter de afundar o acelerador além do desejável para que ele reaja de vez aos nossos comandos. Com modos de condução disponíveis, ou com os 150 cv das versões mais caras, esse ponto ficaria resolvido.

Divertido? Não, competente

Se a ideia é extrair toda a potência, o T-Roc está longe de ser a proposta mais divertida. A palavra certa é “competente”. Quando optamos por explorar o 1.5 eTSI, percebe-se que é nos regimes baixos e médios que ele se sente mais à vontade.

Mas, sejamos honestos: o SUV alemão não quer impressionar com números ou performance - e ainda bem. Porque é precisamente na racionalidade que está o seu maior trunfo.

Além disso, a ausência de modos de condução nesta versão deixa clara a calibração do conjunto, que prioriza a eficiência. Quer uma versão com a “faca nos dentes”? Espere mais alguns meses, porque há um T-Roc R a caminho:

Quanto custa?

Apesar do desaparecimento do motor 1.0 TSI e do câmbio manual, o preço do SUV não foi gravemente afetado: custa apenas mais 1249 euros do que a geração anterior. O Guilherme Costa explica porquê (e sobretudo como) neste vídeo.

Assim, o Volkswagen T-Roc 2026 está disponível a partir dos 33 594 euros. Se optar pelo nível de equipamento LIFE da unidade ensaiada, o valor sobe para 36 544 euros. Uma diferença justificada pela adição de rodas de liga leve de 17″, ecrã central de 12,9″, vidros traseiros escurecidos, cruise control adaptativo, câmera traseira e iluminação ambiente.

Para quem procura um T-Roc com consumos mais comedidos e, não se prevendo a adição de uma motorização Diesel, terá de esperar por 2027. Serão lançadas duas versões full-hybrid (híbridos que não precisam de se ligar à tomada), uma estreia absoluta no SUV e também na Volkswagen.

Especificações técnicas

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