Depois de muito tempo a apostar quase exclusivamente na linhagem 500, a Fiat muda o foco e volta a colocar o Panda no centro do plano. A ideia de aumentar a família já existia há anos, mas só agora começa a ganhar forma de verdade.
Quem adiantou a estratégia foi o próprio “chefão” da marca, Olivier François. Com o mesmo tom bem-humorado, ele não mostrou o quinteto de protótipos no Salão de Genebra, na Suíça, mas sim em… Ginevra, na Itália.
Para completar a brincadeira, em Ginevra não havia espaço para expor todas as novidades - e isso não virou problema: François foi a um café de bairro para apresentar o futuro da Fiat.
É ali que aparece a próxima geração do Panda e todos os novos integrantes da família, que vão ser revelados no ritmo de um por ano até 2027.
Apesar de formatos e tamanhos diferentes, todos partilham a mesma ambição global - vão assentar na mesma plataforma e chegar à América do Sul, Europa, Médio Oriente e África - além dos valores de funcionalidade, modularidade e, claro, preços acessíveis. Tudo no espírito do primeiro Fiat Panda, a criação magistral de Giorgetto Giugiaro lançada em 1980.
A plataforma, por sua vez, é a mesma estreada pelo Citroën ë-C3: a Smart Car Platform. Como as outras bases da Stellantis, é multi-energias, o que significa que pode receber motorizações 100% elétricas, híbridas ou apenas a combustão.
O próximo Fiat Panda
Não vai ser preciso esperar muito para conhecer o primeiro modelo desta nova leva. Já no próximo mês de julho, coincidindo com o 125.º aniversário da Fiat, veremos a nova geração do Panda.
Talvez a maior novidade seja a “promoção” do Panda de citadino para utilitário. A Fiat nem hesita em chamá-lo de… Mega-Panda. O comprimento deverá ficar em torno de 4,0 m - dimensões semelhantes às do 600 -, mas a proposta mantém o espírito do Panda original.
O protótipo que o antecipa também surpreende, já que se afasta bastante do carro visto em registos de patentes há algumas semanas. Se isso se confirmar, então que modelo é aquele que aparece no registo?
Este novo protótipo apresenta um crossover com linhas e detalhes muito mais próximos do Fiat Panda de 1980. O visual é bem mais “quadradão”, e a frente - evocativa do original - surge reinterpretada por um painel luminoso composto por inúmeros píxeis.
Por dentro, o protótipo é ainda mais ousado do que por fora, com destaque para o uso de formas ovais, que remetem aos contornos da antiga fábrica de Lingotto, em Turim - hoje sede do construtor -, famosa por ter uma pista de testes no seu topo.
Nova Strada, novo Tipo e nem falta uma espécie de autocaravana
A Fiat teve um 2023 bastante positivo, com 1,3 milhões de unidades vendidas - foi a marca mais vendida da Stellantis. Para esse resultado contribuiu muito a sua posição forte na América do Sul.
No Brasil, a picape Strada - lembra dela? - foi o modelo mais vendido do mercado, e a Fiat já antecipa nesta bateria de protótipos a próxima geração do modelo.
A novidade, dita pelo próprio Olivier François, é que além da América do Sul a Strada pode voltar à Europa, graças à convergência técnica desta família de modelos, que abre caminho para a sua comercialização em vários continentes.
Uma hipótese que ganha ainda mais força quando percebemos que os dois protótipos seguintes parecem ser, na prática, derivações da picape. Do pilar B para a frente, são essencialmente o mesmo carro, mudando apenas o volume traseiro.
Assim, começamos com um fastback (dois volumes e meio), que antecipa o sucessor do Tipo de quatro portas e do Fastback no Brasil. É um modelo de peso para a Turquia, onde lidera o mercado - por lá não se chama Tipo, mas sim Egea.
O outro protótipo é um SUV - apelidado pela marca de Giga-Panda - que permite à Fiat tapar uma lacuna antiga no segmento dos SUV familiares compactos, onde hoje não tem nenhuma proposta.
Por fim, mas não menos importante, surge uma espécie de SUV misturado com autocaravana - “o derradeiro veículo faz-tudo”, nas palavras da Fiat. O construtor italiano diz que presta homenagem ao conceito de “Fun-ctionality” (junção de “fun”, diversão, com “functionality”, funcionalidade) que esteve na origem do primeiro Panda.
Pelas dimensões que aparenta, não nos surpreenderia se desse origem a uma proposta com três filas de bancos, como vai acontecer com os novos Citroën C3 Aircross e Opel Frontera - os “primos” destes Fiat que vão recorrer à mesma base técnica.
Até que ponto estes protótipos estão perto da realidade? A imagem é claramente a de concept car, mas dá para ver neles as linhas mestras que vão definir os respetivos modelos de produção. E, como já dissemos no início, todos eles vão mesmo originar versões de série: uma por ano, até 2027.
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