Receita e lucro da Ford em 2024
Os resultados financeiros da Ford em 2024 trazem um retrato interessante do negócio. Ao organizar a operação em três unidades - Ford Blue (modelos a combustão), Ford Model e (elétricos) e Ford Pro (veículos comerciais) - a empresa deixa mais claro, com mais detalhes, onde de fato ganha e onde perde dinheiro.
No balanço geral, 2024 foi um ano positivo para a montadora norte-americana. A receita avançou 5% em 2024 em relação a 2023, chegando a 185 bilhões de dólares (aprox. 178 bilhões de euros), e os lucros também cresceram. Eles subiram 1,5%, para 5,9 bilhões de dólares (aprox. 5,6 bilhões de euros).
Ford Pro e Ford Blue: onde a Ford lucra
Ao separar os números entre as três unidades de negócio - Blue, Model E e Pro - fica evidente que a Ford Pro é a máquina de fazer dinheiro. Não é a divisão que mais vende, nem a que mais fatura, mas é disparado o braço mais lucrativo.
Ford Pro: a divisão mais rentável
A Ford Pro vendeu 1,5 milhões de unidades em 2024, alta de 9% sobre 2023 - e foi a única que cresceu em volume. Ainda assim, a receita aumentou bem mais: 15%, alcançando 66,9 bilhões de dólares (aprox. 64,4 bilhões de euros).
Na prática, isso resultou em um lucro (antes de impostos) de 9,015 bilhões de dólares (aprox. 8,726 bilhões de euros) - 1,79 bilhões a mais do que em 2023 - e em uma margem de rentabilidade de dois dígitos bastante forte: 13,5% (12,4% em 2023).
Segundo a Ford, esse desempenho se explica não apenas pela boa performance dos seus modelos - especialmente as picapes, que são muito rentáveis -, mas também pelo impulso vindo dos serviços digitais oferecidos pela empresa. A montadora afirma que o número de assinantes desses serviços pagos cresceu 27%, para 650 mil.
Ford Blue: mais volume e receita, mas menos margem
O contraste aparece na Ford Blue: apesar de ser a divisão que mais entrega em vendas e em faturamento, ela não consegue gerar lucros na mesma escala.
A área de modelos a combustão e híbridos viu as vendas recuarem 2% em 2024, para 2,862 milhões de unidades. Por outro lado, a receita não caiu e permaneceu em 101,9 bilhões.
Mesmo assim, os lucros (antes de impostos) diminuíram bastante de 2023 para 2024, passando de 7,46 bilhões de dólares (aprox. 7,23 bilhões euros) para 5,3 bilhões de dólares (aprox. 5,1 bilhões de euros). A margem de lucro da Ford Blue ficou em menos da metade da Ford Pro, chegando a apenas 5,2%.
Perdas multimilionárias
O ponto mais problemático está na Ford Model e. As perdas foram multimilionárias: 5,1 bilhões de dólares (aprox. 4,9 bilhões de euros). E esse prejuízo é 375 milhões de dólares maior do que em 2023.
Dá para enxergar esses dados por um ângulo claro: os lucros obtidos com modelos a combustão e híbridos são (praticamente) neutralizados pelas perdas dos elétricos, e cabe às picapes e às vans da Ford assegurarem o lucro necessário.
A Ford comercializou 105 mil elétricos em 2024, uma queda de 9% em relação a 2023. A receita também encolheu 35%, de 5,9 bilhões de dólares (5,71 bilhões de euros) para 3,9 bilhões de dólares (aprox. 3,8 bilhões de euros).
A Ford atribui o resultado negativo dessa divisão aos investimentos elevados que a eletrificação exige. Apesar de ter conseguido cortar custos em cerca de 1,4 bilhões de dólares (aprox. 1,3 bilhões de euros), os investimentos em novas fábricas de baterias e em novos modelos elétricos aumentaram em 100 milhões de dólares (96 milhões de euros).
Elétricos vão continuar a dar prejuízo
As projeções da Ford para 2025 apontam um ano desafiador, especialmente no começo, embora a empresa espere uma melhora dos resultados ao longo dos meses, puxada principalmente pela Ford Pro.
Como ocorreu em 2024, a companhia projeta que a Ford Pro siga como a divisão mais lucrativa, ainda que com números menores: entre 7,5-8,0 bilhões de dólares (aprox. 7,2-7,7 bilhões de euros). Para a Ford Blue, a previsão também é de lucro, entre 3,5-4,0 bilhões de dólares (aprox. 3,3-3,8 bilhões de euros).
Já no caso da Ford Model e, a expectativa é de continuidade do prejuízo, com uma estimativa de perda entre 5,0-5,5 bilhões de dólares (aprox. 4,8-5,2 bilhões de euros), refletindo os altos custos de investimento na eletrificação.
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