Por que tão poucas montadoras fazem cupês compactos?
Por que não vemos mais empresas a apostar em cupês pequenos? É uma daquelas perguntas sem resposta óbvia. Afinal, a gente gosta desse tipo de carro, não gosta? Mesmo assim, modelos como Ford Puma e Toyota Celica foram, aos poucos, desaparecendo do mapa. Só que o cenário pode estar a mudar: o VW Scirocco parece ter devolvido alguma energia ao segmento. O Hyundai Veloster, com o seu visual no mínimo curioso, também está a caminho - e, antes dele, chega este aqui: o Vauxhall Astra GTC.
Vauxhall Astra GTC: cupê disfarçado de hatch de três portas
Sim, na ficha técnica ele é um hatch de três portas. Ainda assim, dá para acompanhar a leitura da própria Vauxhall e aceitar as credenciais de “cupê”, sobretudo porque ele tem pouquíssimo em comum com o Astra hatch de cinco portas convencional.
Por fora, as únicas peças aproveitadas do carro padrão são as maçanetas e a antena. E, por baixo da carroceria, toda a suspensão foi modificada. Isso é um anúncio importante: a Vauxhall encaixou ali a esperta suspensão dianteira HiPerStrut do Insignia VXR - um sinal claro de que a marca quer que o GTC seja um carro feito para quem gosta de dirigir.
E também para quem gosta de olhar. Não somos os únicos a achar o GTC “bem” bonito, certo? Mas isso você resolve nas fotos e tira a sua própria conclusão; vale mais seguir para o assunto que interessa: como ele se comporta na estrada.
Motores do Astra GTC: onde ele acerta e onde ele deixa a desejar
Primeiro, as partes menos animadoras. Nenhum dos motores a gasolina que testámos chega a empolgar de verdade. O 1.4 turbo de 138bhp é macio, porém fica um pouco “estrondoso” em rotações mais altas. Já o 1.6 turbo de 178bhp não parece muito mais rápido e também perde a compostura quando se exige perto do limite do conta-giros.
O conjunto mais acertado é o diesel 2.0 de 163bhp - embora também seja o mais caro. Ainda assim, entrega bastante torque, é eficiente e, no uso, é perfeitamente agradável. Para um diesel.
Chassi e suspensão: o verdadeiro destaque do Vauxhall Astra GTC
Só que, no GTC, os motores não são o centro das atenções. Quem brilha mesmo é o chassi. E nem é obrigatório gastar £790 nos amortecedores adaptativos Flexride, porque a calibração padrão já dá conta do recado.
O GTC contorna curvas com uma facilidade impressionante. Sério: piso irregular, ondulações no meio da curva, buracos, cambagens estranhas e até cristas de elevação - nada disso parece desestabilizar o carro ou reduzir a sua capacidade de manter velocidade nas curvas.
Ele não é um hatch esportivo de alto desempenho (pelo menos ainda não; comenta-se que a versão VXR já está bem perto), então não espere uma carga de adrenalina com direção hiperafiada. Por outro lado, ele também não é um carro “morno”. Ele dirige melhor do que um Ford Focus - por muito tempo a referência entre hatches - e isso não é um mérito pequeno.
No ajuste de equilíbrio entre conforto e comportamento dinâmico, a Vauxhall acertou praticamente em cheio para o público-alvo. É divertido sem intimidar e, além disso, roda muito bem.
Interior, espaço e preços
A cabine também agrada. O desenho interno não é tão ousado quanto o da carroceria, mas a posição de dirigir é boa (só fique atento à alavanca do câmbio, instalada um pouco recuada). E, se você levar passageiros, prepare-se para comentários positivos: há mais espaço no banco traseiro do que se imagina.
Os preços começam em £18,495 na versão de entrada com motor a gasolina de 120bhp, enquanto os diesels (inicialmente um 1.7 de 108bhp) partem de £20,060. Um detalhe importante: se puder, vale gastar mais £1300 e subir do acabamento Sport para o SRi. Por dentro, ele parece e se sente muito melhor.
É isso o GTC: um Vauxhall com visual soberbo e uma condução competente o bastante para deixar Ford e Volkswagen a olhar por cima do ombro com alguma preocupação...
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