Voltamos a avaliar o Kia Sorento, agora na configuração PHEV - um híbrido plug-in que você conecta na tomada e que promete até 57 km rodando no modo elétrico.
Com 265 cv de potência máxima combinada, ele já chama atenção por ser o Sorento mais forte da linha. Em contrapartida, os 65 950 euros cobrados também fazem dele o mais caro.
A grande aposta, porém, está no potencial de economia: ao permitir dezenas de quilômetros em modo 100% elétrico a cada recarga, dá para imaginar um gasto menor com combustível. Mas será que esta versão “de tomada” do SUV sul-coreano é mesmo a escolha mais acertada?
Vale lembrar que, no primeiro teste que fizemos com o Kia Sorento, na versão HEV (híbrido convencional), concluímos que ele é hoje uma das melhores alternativas do segmento para quem precisa de um SUV com sete lugares. Por isso, a régua para este Sorento PHEV já começa alta.
Equipamentos “de sobra”
Certo: os 65 950 euros pedidos (62 450 euros com a campanha vigente) pelo Sorento PHEV não colocam o modelo entre os mais acessíveis. Ainda assim, o valor vem acompanhado de uma lista de equipamentos de série realmente exemplar.
Sinceramente, pense em um item comum - e a chance de ele já estar no Sorento PHEV, sem custo extra, é grande. Bancos e volante aquecidos? Sim. Conjunto de câmeras para estacionamento e entradas USB? Também.
Dar para dar, daria para passar o resto do dia listando recursos, porque são muitos. Se a gente seguisse por esse caminho, o teste viraria apenas uma… lista interminável de equipamentos - então, melhor conferir tudo na ficha técnica ao fim deste ensaio.
O “milagre” da multiplicação… do combustível
Quando peguei o Sorento PHEV no pátio de imprensa da Kia, eu tinha pela frente uma semana cheia de trajetos “casa-trabalho-casa”, somando mais de 1000 km nesse intervalo.
O computador de bordo indicava uma autonomia máxima na casa de 530 km, e eu logo me convenci de que precisaria parar para abastecer antes de a semana terminar.
Só que os dias foram passando e, na prática, ficou claro onde os híbridos plug-in ganham pontos: carregando com frequência - como se recomenda - dá para economizar (muito) ao longo do mês.
Embora a Kia anuncie 57 km de autonomia elétrica, na minha rotina eu nunca consegui extrair mais de 45 km. Muito provavelmente, por responsabilidade minha, já que não adotei a condução mais econômica possível.
Ainda assim, essa autonomia bastou para eu “rodar” a semana inteira sem queimar uma gota de combustível sempre que saía da autoestrada e entrava na malha urbana de Lisboa - justamente onde o consumo tende a subir mais rápido.
Por causa disso, na devolução do Sorento PHEV a média no computador de bordo marcava impressionantes 5,2 l/100 km, obtidos com uma condução moderada, mas sem ser especialmente lenta.
Para comparar, no Sorento HEV - mais leve e menos potente - eu vi médias entre 6 l/100 km e 6,5 l/100 km em uso equivalente. São números muito bons para o tipo de carro, mas ainda assim 20-25% acima do que dá para alcançar com o sistema híbrido plug-in.
Dinamicamente, como ele se comporta?
No que diz respeito ao comportamento em curvas, a experiência ao volante do Sorento PHEV é, em essência, muito parecida com a do Sorento HEV.
A direção passa boa precisão e resposta direta, e a suspensão surpreende por controlar de forma competente as duas toneladas que o topo de linha da Kia “acusa” na balança (o HEV fica em 1783 kg).
No fim das contas, este SUV grande entrega mais a proposta de estabilidade e conforto - e, nesse ponto, ele impressiona de verdade, assim como o isolamento acústico em rodovia.
A tal nível que, antes de dirigir este Sorento, eu tinha acabado de estar ao volante de um modelo de marca premium e as diferenças são bem menores do que você imagina - e até do que eu esperava.
E as prestações?
Como já adiantei, o Kia Sorento PHEV entrega 265 cv de potência máxima combinada, fruto do “casamento” entre um 1.6 l de quatro cilindros com 179 cv e um motor elétrico com 91 cv.
Com 265 cv, não era para esperar um carro lento. E se é verdade que as duas toneladas não ajudam, também é verdade que o SUV da Kia pode ser considerado “esperto” no dia a dia.
Os 100 km/h chegam em 8,7s, mas o que mais convence são as retomadas. Aqui, não é só o sistema híbrido plug-in que faz a diferença: o câmbio automático de seis marchas, bem escalonado e ligado ao motor a combustão, também ajuda bastante.
Em relação à versão híbrida convencional, esta alternativa “de ligar na tomada” consegue desempenho superior e, ao mesmo tempo, dá para ser mais econômica - um verdadeiro “ovo de Colombo”.
É o carro certo para mim?
Entre os SUVs voltados para famílias grandes, o Kia Sorento, nesta configuração híbrida plug-in, entrega o “melhor dos dois mundos”: desempenho mais do que aceitável com consumo realmente contido (desde que você carregue com frequência).
Sim, os 65 950 euros cobrados pela Kia colocam o Sorento PHEV praticamente no mesmo nível de preço de opções como o BMW X3 xDrive30e ou o Mercedes-Benz GLC 300 de, mas a proposta sul-coreana tem argumentos importantes a favor.
Primeiro: para igualar o Sorento em equipamentos, é preciso colocar 10-20 mil euros em opcionais nos modelos premium.
Além disso, o Kia Sorento PHEV vem com sete lugares, algo que as alternativas premium não oferecem, assim como os sete anos ou 150 mil quilómetros de garantia - também eles “exclusivos” da Kia.
Por outro lado, mesmo com toda a qualidade do conjunto, diante de rivais mais diretos como o SEAT Tarraco e-HYBRID FR - que custa 10-15 mil euros a menos - o preço mais alto do Kia acaba saltando aos olhos. Ainda assim, ele segue com a vantagem dos sete lugares, já que o Tarraco, na versão híbrida plug-in, não permite essa configuração.
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