Um bicicleta elétrica que dobra em três segundos, pesa 16,9 kg e ocupa praticamente o espaço de uma bagagem de cabine: é essa a proposta da ZIP, a mais recente bicicleta urbana da fabricante chinesa ENGWE. Usei o modelo por algumas semanas, carregando-o para cima e para baixo em Paris e arredores. A ideia era simples: checar se a promessa de marketing não tinha passado do ponto. A resposta está neste teste.
Compactação impressionante e carregamento USB-C
Logo ao chegar, a ZIP já se distancia da maioria das e-bikes que costumo receber: a caixa é surpreendentemente compacta, pouco maior do que uma mala. Melhor ainda, ela vem 95% montada. O manual basicamente pede para encaixar a mesa do guidão e o canote do selim nos seus lugares, prender os pedais de encaixe e, por fim, parafusar o bagageiro. Entre abrir a caixa e deixar a ZIP pronta para rodar, foram cerca de quinze minutos - com um detalhe: ainda faltava carregar a bateria.
A bateria fica dentro da bolsa na parte frontal da bicicleta. Ali, dá para levar acessórios ou algumas compras © Marc Mitrani para Presse-citron
A bateria é um bloco preto em formato de paralelepípedo, escondido dentro da bolsa preta posicionada na dianteira. Ela pode ser recarregada no lugar ou removida da bicicleta para levar com você. Um ponto que gostei muito é que ela carrega com um carregador USB‑C GaN de 100 W, que já vem na caixa.
Em outras palavras, o carregador da ZIP é do mesmo tipo que você usaria em um MacBook Pro ou em um smartphone topo de linha. Nada daquele adaptador proprietário enorme, pesado e exclusivo da bicicleta. Em deslocamentos, dá para levar um único carregador para tudo - um conforto que quase não aparece em bicicletas elétricas nessa faixa de preço, onde a concorrência ainda insiste em conectores proprietários com cara de década de 2010.
Só vale o alerta: se você usar um carregador de terceiros, ele precisa entregar 100 W. Também é possível carregar com 60 W, mas aí a espera aumenta. Com a fonte inclusa, chegar a 80% ainda leva 2 h 45, e para completar 100% são 4 h.
Outro destaque da ZIP é como ela dobra com facilidade. Na prática, o processo leva menos de um minuto e a bicicleta fica realmente compacta. Ponto positivo para o sistema de ímãs que mantém o conjunto dobrado e para o local dedicado a guardar os pedais removíveis. Duas pequenas rodinhas sob o quadro deixam a ZIP estável quando dobrada e ajudam a deslocá-la sem esforço.
Feita para deslocamentos curtos
Andar em uma bicicleta com rodas de 16 polegadas exige um breve período de adaptação: não é a mesma sensação de uma 26 ou 28 polegadas. A direção responde mais rápido, as imperfeições do asfalto aparecem mais e é preciso alguns quilômetros para se acostumar. Ainda assim, a ZIP me surpreendeu positivamente em termos de estabilidade. Os pneus de 1,95 polegada (cerca de 5 cm de largura) amenizam parte da rigidez que se espera nesse tipo de roda pequena. O canote do selim com suspensão lida bem com os paralelepípedos de Paris e com emendas de asfalto mal feitas. Segundo o projeto, ela atende ciclistas entre 1,55 m e 1,90 m.
O motor de 250 W no cubo traseiro entrega 40 Nm de torque. Não é um recordista de força - inclusive dentro da própria categoria (há concorrentes que chegam perto de 60 Nm) -, mas esse não é o foco principal aqui. O destaque está no sensor de torque, que achei surpreendentemente competente. A assistência é progressiva e entra de forma proporcional ao esforço no pedal, sem trancos incômodos. Nos semáforos de Paris, a ZIP sai com facilidade, sem engasgar.
Os três níveis de assistência cobrem o essencial. O primeiro serve para quem quer fazer um pouco mais de força; o segundo cai como uma luva para o trajeto casa–trabalho; já o terceiro transforma a ZIP em um mini foguete (até 25 km/h, claro). A transmissão Shimano de 7 velocidades, bem tradicional, cumpre o papel sem firulas. Não é o topo do catálogo, mas faz sentido para a proposta urbana do modelo. A frenagem fica por conta de dois discos hidráulicos com boa mordida, inclusive em dias de chuva.
Autonomia correta
A ENGWE fala em uma autonomia entre 60 e 120 km, dependendo do nível de assistência. Esses números pressupõem um ciclista leve e condições ideais. Infelizmente, eu não me encaixo em nenhum dos dois. Peso 110 kg totalmente equipado - algo como 30 kg a mais do que o ciclista padrão usado em medições. O impacto é real: em uso misto (um pouco do modo 2, bastante do modo 3), a autonomia ficou por volta de 45–50 km. Isso dá para três a quatro dias de deslocamentos diários sem precisar encostar no carregador.
Então, não espere cruzar a França com ela - mas esse nunca foi o objetivo. Um usuário mais leve, naturalmente, vai rodar mais; ainda assim, sem bater os números divulgados pela ENGWE (algo como 65–70 km para um ciclista de 75 kg, por exemplo).
Bicicleta conectada
A ZIP traz uma tela LCD colorida de 3,2 polegadas e Bluetooth para conversar com o app da fabricante (disponível para iOS e Android). A leitura ao sol é boa, e ela mostra o básico: velocidade instantânea, nível de bateria, modo de assistência, hodômetro e status do farol dianteiro.
O aplicativo entrega o mínimo necessário, o que é coerente com o posicionamento do produto. Ele permite acompanhar estatísticas de uso, ajustar alguns parâmetros e receber eventuais atualizações. É um extra bem-vindo - e raro em bicicletas vendidas por esse preço.
Será que a ZIP é a bicicleta dobrável perfeita para a cidade? Em grande medida, sim - mas há ressalvas, porque a fabricante precisou fazer escolhas para manter o valor mais baixo. Dentro dessa lógica, a adoção de um quadro de aço em vez de alumínio acaba sendo compreensível. Um quadro de alumínio reduziria 1 a 2 kg, mas elevaria o custo.
E, no fim das contas, 40 Nm continuam sendo 40 Nm. No plano e nos falsos planos da cidade, dá conta. Porém, em subidas como as do plateau de Gravelle ou nos paralelepípedos íngremes de Montmartre, é preciso usar as marchas mais leves e aceitar pedalar com mais intensidade. Se o seu trajeto diário tem desníveis importantes, um modelo mais forte (e mais caro) tende a ser uma compra mais acertada. Esse alerta vale ainda mais para ciclistas mais pesados, como eu, que exigem mais do motor nas subidas.
Minha opinião sobre a ENGWE ZIP
A ZIP não é uma bicicleta elétrica “coringa” para qualquer perfil. Ela funciona melhor como um produto bem direcionado a um tipo específico de usuário. É a escolha do morador de cidade que combina modais no dia a dia, vive em apartamento onde cada metro quadrado conta e precisa de uma bicicleta realmente compacta - fácil de colocar sob uma mesa ou dentro de um armário.
Há várias atenções bem pensadas no conjunto: a dobra rápida, o peso relativamente controlado, os freios hidráulicos e o bom sensor de torque. Destaque especial para o carregamento USB‑C, que elimina aquela fonte proprietária: dá para ver que a marca olhou para hábitos urbanos de 2026, em vez de repetir fórmulas batidas.
Lançada por 999 € (e depois por 1 099 €), a relação custo-benefício é difícil de superar entre dobráveis urbanas compactas. Se você mora em uma grande cidade e alterna metrô, bicicleta, bonde ou trem regional (TER), a ZIP merece entrar seriamente na lista - especialmente se o medo de furto pesa na decisão. Por outro lado, se você quer uma bicicleta para passeios longos de fim de semana, melhor procurar outra: a chance de frustração é alta.
ENGWE ZIP
999 €
Nota geral: 9
| Critério | Nota |
|---|---|
| ### Design e ergonomia | 9.0/10 |
| ### Conforto de uso | 9.0/10 |
| ### Autonomia | 8.5/10 |
| ### Relação desempenho / preço | 9.5/10 |
Gostamos
- Compactação quando dobrada
- Carregamento USB‑C padrão
- Freios hidráulicos eficientes
- Sensor de torque competente
Gostamos menos
- Opção pelo aço no quadro
- Sofre em subidas muito fortes
Comprar o ENGWE ZIP
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