O Ferrari Challenge é hoje um dos troféus monomarca mais bem-sucedidos do mundo, reunindo dezenas de Ferrari 488 em disputas roda a roda nos autódromos.
Esse prestígio, porém, não surgiu do nada. Para entender como tudo começou, é preciso voltar a 1993.
Na época, a iniciativa foi encarada como uma verdadeira revolução. Ainda assim, a marca do Cavallino Rampante fez, no fundo, aquilo que seus clientes pediam havia muito tempo: a chance de correr em pista com o próprio Ferrari.
Foi assim que nasceu o Ferrari Challenge - que, neste ano, chega à sua 30.ª edição - e cuja temporada europeia começou no fim de semana passado no Autódromo Internacional do Algarve, em Portimão.
Quatro séries distintas
Atualmente, o campeonato se organiza em quatro séries diferentes: Europa, América do Norte e Ásia-Pacífico, além de um evento nacional (o primeiro) no Reino Unido.
Ao fim da temporada, os vencedores dessas quatro frentes se encontram na Finali Mondiali, na Itália, realizada todos os anos.
E essa estrutura ainda pode crescer. No futuro, o número de séries pode aumentar, e novas séries nacionais não estão descartadas, como nos explicou Andrea Mladosic, responsável pelo Ferrari Challenge e pelo Corsa Pilota.
348 Challenge, o primeiro
Antes de projetar o que vem pela frente, vale voltar às origens do Ferrari Challenge. Se hoje as corridas são feitas com o Ferrari 488 Challenge EVO, o primeiro carro a alinhar oficialmente na categoria foi o modelo que já trazia o propósito no nome: o 348 Challenge.
Diferentemente do 488 Challenge Evo, o 348 Challenge era, essencialmente, um carro de rua ao qual se aplicava um kit de competição, com mudanças pensadas para dar mais condições em pista.
E quando dizemos que era um modelo de produção, é literal: na primeira prova do campeonato, realizada em março de 1993, alguns participantes foram «pelo próprio pé» do concessionário em Roma até o circuito de Monza.
Somente depois de chegarem ao autódromo é que os carros recebiam o kit - que era retirado ao fim das corridas. O pacote incluía uma roll cage, cinto de seis pontos, gancho de reboque nas duas extremidades, corta-corrente, o tradicional extintor, escapamento com ligação direta e rodas de magnésio de 18", bem mais leves.
Além disso, os freios eram reforçados, a suspensão ficava mais baixa, e o motor 3.4 V8 aspirado ganhava 20 cv, elevando a potência máxima para 320 cv.
Para completar, a Pirelli - que segue como uma das principais parceiras do troféu até hoje - desenvolveu um conjunto de pneus específico para esses Ferrari preparados para competir.
A corrida inaugural do Ferrari Challenge - campeonato que teve Jean Alesi (então piloto da Scuderia Ferrari) como padrinho - terminaria com a vitória de Paolo Rossi.
O primeiro vencedor
No evento de Portimão, realizado no fim de semana de 2 a 3 de abril de 2022 - no qual estivemos presentes - a Ferrari exibiu, com compreensível orgulho, o primeiro carro vencedor do campeonato: o Ferrari 348 Challenge do italiano Roberto Ragazzi.
Depois dele, a linhagem da categoria passou por mais cinco modelos: F355, 360, F430, 458 e 488. Este último, inclusive, ganhou uma atualização chamada EVO, que é o carro em destaque atualmente nas pistas.
“A cada cinco, seis ou sete anos, dependendo do modelo, mudamos o carro. Agora, por exemplo, há cerca de três anos introduzimos o kit EVO”, explicou-nos Andrea Mladosic, apontando essa renovação como um dos fatores centrais para o sucesso do troféu.
Os clientes antes de tudo
Ainda assim, para quem comanda a competição, nada é mais essencial do que o perfil de quem a sustenta: “Eles são a parte principal do campeonato e o nosso maior foco”, disse.
“Temos que mantê-los felizes enquanto clientes, porque afinal eles são clientes Ferrari, mas dentro do campeonato eles são pilotos. Temos que encontrar um bom compromisso”, acrescentou.
“Este campeonato é feito para o divertimento deles . Damos-lhe uma plataforma para suportar a sua paixão pelas corridas e para desfrutarem de um fim de semana”, afirmou, antes de reforçar que, dentro e fora da pista - inclusive no paddock - todos recebem tratamento de pilotos profissionais, mesmo que muitos sejam amadores.
“Como somos um campeonato reconhecido pela FIA, temos regulamentos, temos protocolos e linhas de comportamento. Dentro do campeonato tratamos os pilotos como se eles fossem profissionais”, concluiu.
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