Depois de uma série de teasers e de meses de expectativa, a Renault finalmente revelou o seu novo SUV do segmento C, o Austral.
O Austral chega para ocupar o espaço deixado pelo Kadjar e também se encaixa no plano Renaulution - estratégia que, até 2025, prevê o lançamento de 14 novos modelos pela Renault, sendo sete elétricos e outros sete voltados a reforçar a presença da marca nos segmentos C e D.
Nesse contexto, após o Arkana e, mais recentemente, o Mégane E-Tech Electric, o novo Austral tenta se firmar em um dos segmentos mais importantes do mercado europeu, historicamente liderado por modelos como Peugeot 3008 e Volkswagen Tiguan.
Era justamente onde o antecessor, o Kadjar (lançado em 2015), nunca conseguiu atingir o nível de sucesso que os responsáveis pela marca francesa pretendiam.
Corpo atlético
O novo Renault Austral aparece com uma carroceria mais elegante e, ao mesmo tempo, mais esportiva e musculosa do que a do Kadjar - características que aumentam a sua presença. Isso fica ainda mais evidente ao vivo, como pudemos constatar na apresentação estática do modelo, realizada há cerca de uma semana em Paris, França.
Com traços fortes e bem marcados, o Austral chama atenção logo de cara pela dianteira: o capô traz vincos bem pronunciados, a grade é ampla e a parte inferior do para-choque segue uma linha muito próxima do que já conhecemos do novo Mégane 100% elétrico.
Na lateral, destacam-se a linha de cintura bem alta (e, por consequência, janelas mais baixas), a coluna traseira com maior inclinação e as rodas que podem chegar a 20''. Nesse tamanho, elas preenchem completamente as caixas de roda e reforçam bastante o visual marcante deste SUV francês.
Na traseira, vale apontar o discreto spoiler, que ajuda a estender a linha do teto, a área inferior do para-choque (que pode receber acabamento preto) e a assinatura luminosa em “C”, sempre em LED em todas as versões (na frente e atrás).
Ainda assim, as versões mais completas oferecem tecnologia LED Matrix, e as lanternas traseiras usam uma solução que cria um efeito 3D bem característico.
Interior é trunfo
Ao entrar no novo Austral, fica claro rapidamente que ele compartilha muitos elementos com o novo Renault Mégane E-Tech Electric. E isso, naturalmente, é uma ótima notícia - afinal, o interior foi um dos grandes pontos fortes do Mégane movido a elétrons.
No Austral, a proposta segue a mesma direção, com a vantagem de que, aqui, a Renault parece ter ido além na seleção de materiais, que à primeira vista aparentam ser ainda melhores.
De modo geral, tudo o que fica ao alcance imediato das mãos passa uma sensação bem agradável, tanto visualmente quanto ao toque. Mesmo os plásticos mais rígidos estão longe de incomodar.
A impressão final é bastante positiva e, depois de tocar e “apalpar” cada centímetro deste Austral, a qualidade de montagem do modelo nos pareceu muito satisfatória.
Também merecem menção o volante com base reta e apelo esportivo, a abundância de porta-objetos (35 l no total nas versões com câmbio manual), a central “limpa” - praticamente sem botões - e, claro, o conjunto duplo de telas do sistema OpenR.
O painel de instrumentos digital e a tela multimídia têm ambos 12'' e contam com o suporte de um head-up display de 9,3'', recurso que, por exemplo, não está presente no Mégane E-Tech Electric.
A central de infoentretenimento usa base Android e traz os Google Automotive Services, oferecendo nativamente serviços como Spotify, Google Maps, Google Assistant e Google Play Store.
Em conectividade, o Austral se destaca por oferecer Apple CarPlay e Android Auto sem fio e por trazer duas portas USB-C na dianteira, além de um carregador por indução para smartphone integrado ao apoio de braço.
Muito espaço para as pernas
Na segunda fileira, há bastante espaço para pernas e cabeça, inclusive quando se escolhe o teto panorâmico - item conhecido por “roubar” alguns centímetros de altura.
O Austral utiliza a plataforma CFM-CD da Aliança Renault Nissan Mitsubishi, a mesma empregada no novo Qashqai, e isso teve efeito direto no bom aproveitamento de espaço interno. Assim, dois adultos conseguem viajar com folga no banco traseiro, que ainda pode deslizar longitudinalmente em 16 cm.
E, já que o tema é espaço, com o banco na posição mais avançada, o porta-malas do Austral pode chegar a 575 litros.
Adeus R.S. Line, olá Esprit Alpine
A unidade escolhida pela Renault para a apresentação em Paris tinha o pacote Esprit Alpine, que estreia na linha da marca francesa. Ele entra para substituir as versões R.S. Line, que serão gradualmente retiradas da gama Renault nos próximos meses.
Nessa configuração, o lado mais esportivo do SUV fica ainda mais evidente, em grande parte pela pintura fosca exclusiva (Gris Schiste Satin) e por diversos detalhes específicos, como elementos em preto (incluindo teto e capas dos retrovisores externos) e rodas de 20'' com assinatura Alpine.
Há ainda o acabamento em cinza acetinado na grade dianteira e os logotipos Alpine nas laterais. E isso tudo antes mesmo de olhar para o interior…
Na cabine, o Esprit Alpine se diferencia das demais versões ao trazer bancos com áreas em Alcantara, material que também aparece nas laterais das portas (na frente e atrás) e no volante.
Os encostos de cabeça exibem o logotipo Alpine bordado e uma bandeira francesa nas laterais - dois detalhes que chamaram atenção quando nos acomodamos dentro deste SUV.
Não há Diesel, nem plug-in
A linha de motores do Austral se caracteriza por não oferecer nenhuma opção Diesel e por não ter uma variante híbrida plug-in.
Todas as motorizações são a gasolina, mas inevitavelmente contam com algum tipo de eletrificação.
Ao todo, são três opções, começando por um 1.3 turbo de quatro cilindros com sistema mild-hybrid de 12 V. Nesse conjunto, o Austral pode ter dois níveis de potência: 140 cv (câmbio manual) e 160 cv (câmbio CVT).
Além disso, a Renault oferece um novo 1.2 turbo de três cilindros com 130 cv, associado a um sistema mild-hybrid de 48 V e a um câmbio manual. A marca francesa o descreve como “a melhor alternativa aos Diesel”, indicando consumos médios de 5,3 l/100 km e emissões médias de 123 g/km.
Mas a motorização com maior destaque na gama do Austral é a E-Tech (full Hybrid), um híbrido convencional. Aqui, a base é o 1.2 turbo de três cilindros, combinado a um motor elétrico (50 kW ou 68 cv e 205 Nm), a uma bateria de íons de lítio de 1,7 kWh (400 V) e a um câmbio automático de sete marchas.
Esse sistema E-Tech é oferecido em duas versões, com 160 cv e 200 cv - sendo esta última a configuração mais potente do Austral. A Renault promete, para o Austral E-Tech, consumos médios a partir de 4,6 l/100 km e emissões de CO2 de 105 g/km.
4Control e 32 ADAS
Em todas as versões do Austral, este SUV pode receber o sistema 4Control, que permite esterçar as rodas traseiras em até 5º.
Somado a isso, o Austral chega com um pacote de 32 ADAS (Sistemas Avançados de Assistência ao Motorista). Entre eles, ganham destaque o reconhecimento de placas de trânsito, o assistente de permanência em faixa e o cruise control adaptativo.
Quando chega?
Os pedidos do novo Renault Austral abrem em meados deste ano, mas as primeiras unidades só devem chegar ao mercado português em setembro. Por isso, ainda não há preços anunciados.
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