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Audi A3 Clubsport Quattro: o conceito insano de 520bhp

Carro esportivo Audi azul em alta velocidade fazendo curva em pista de corrida sob céu azul.

O que é o Audi A3 Clubsport Quattro?

À primeira vista, ele pode parecer um Audi A3 sedã com cara de levemente irritado, calçado com rodas de liga leve enormes, sofisticadas e “amigáveis” a meio-fio, além de alguns detalhes bem caprichados. Só que não é isso. Este é o A3 Clubsport Quattro - uma espécie de bola de cristal da Audi para o universo RS. E, sim, é completamente insano.

Você falou em RS. Tenho interesse.

Era de se esperar. O A3 Clubsport Quattro é um conceito criado para o público mais entusiasta do evento anual de preparação Worthersee, e traz tanta potência que dá vontade de perguntar se a Audi ainda guardou algum “resto” para os outros carros da gama.

Motor e engenharia por trás do A3 Clubsport Quattro

Tá, mas quanta potência?

520bhp (cerca de 388 kW). Num mundo minimamente sensato, um sedã compacto da Audi com quase a mesma força de um supercarro R8 V10 seria um aviso claro do fim dos tempos. E, mesmo assim, aqui a proposta até faz sentido.

Antes de chegar nessa parte, vale a ficha técnica. Por baixo da pintura e do brilho, estamos a falar do novo A3 sedã - portanto, a plataforma MQB mais recente e tudo o que ela traz de redução de peso. Nesse conjunto, a Audi encaixou o seu conhecido 2.5 turbo, vencedor por cinco vezes do prémio Motor Internacional do Ano (na categoria de 2,0 litros a 2,5 litros). A partir daí, a coisa descamba de vez.

Apesar de ser, na essência, o mesmo motor do Audi RS Q3, aqui ele recebe um turbocompressor bem maior, capaz de empurrar 1,5 bar de pressão. Soma-se a isso um intercooler melhorado e modificado, comando de válvulas retrabalhado, nova admissão e novo sistema de escape, além de uma central (ECU) reprogramada. A Audi até faz questão de citar a ordem de ignição - 1-2-4-5-3 - responsável por aquele rosnado característico de RS. Para completar, o conjunto foi ligado a uma caixa de dupla embraiagem de sete marchas e ao sistema de tração integral quattro. Evidentemente.

Desempenho: números e sensação de velocidade

Então ele é rápido?

Melhor perguntar que “sabor” você prefere para os seus vidros. O carro entrega uma potência específica de 208bhp por litro (aprox. 155 kW/l), despeja 443 lb·ft de binário (cerca de 601 Nm) e, como pesa apenas 1527kg, ostenta uma relação peso-potência de 339bhp por tonelada.

A aceleração de 0–100 km/h (0–62 mph) fica em 3,6 segundos, o que o torna mais rápido do que o RS6. Velocidade máxima? 309 km/h (192 mph). Trezentos e nove por hora num carro só um tiquinho mais “gordinho” do que um VW Golf.

E como ele é na prática?

O tempo ao volante foi curto: algumas voltas rápidas e umas arrancadas a partir de parado, então tudo aconteceu meio em modo borrão. E havia outro detalhe: no banco estava o chefe do Quattro, Heinz Hollerweger. Ou seja, a prioridade absoluta era não acabar numa árvore com um director sénior da Audi a bordo.

Parado, você afunda o pé direito no acelerador do Clubsport e espera o conjunto encher e “colar” no chão. Nada. Depois, ainda nada. Em seguida, um pouco mais de nada. Até que, por volta de 2.300rpm, tudo enlouquece. O turbão acorda e atira o carro para a frente com uma brutalidade que obriga a vigiar o que está à volta - para não virar parte da paisagem.

É um carro com atraso de resposta, e isso de um jeito deliciosamente à moda antiga. E há algo de honesto nisso: turbo grande, potência grande, muito atraso, muita velocidade. Mantendo o motor na zona boa - entre 2.300rpm e 6.000rpm - a aceleração fica viciante e impressionante.

O som também é especial: um ruído metálico, agressivo e com aquele tempero que traz à memória os RS de outros tempos, confirmando a linhagem. Só que ele agrada mais por fora do que por dentro. Na cabine, ele não treme, não vibra e não ameaça se soltar do chassis como um conceito “deveria” fazer. Você ouve algum barulho e, logo depois, vem uma pancada de velocidade. A sensação é de que está tudo montado com precisão e firmeza.

Comportamento dinâmico, travões e suspensão

E nas curvas, como ele se comporta?

Algumas voltas não bastam para explorar o potencial deste A3, mas a personalidade é bem de “aponta e dispara”. Desde que você esteja no regime certo, ele sai das curvas com maldade. A direção passa uma sensação de peso elogiável (ainda que desse para desejar um pouco mais de comunicação), e a dianteira entra na curva de forma rápida e limpa.

Dá até para fazer a traseira trabalhar, o que torna o Clubsport realmente divertido quando se decide atirá-lo com vontade. A distribuição de peso é 57:43, da frente para trás.

Claro que, numa pista de testes lisa como manteiga, foi impossível avaliar o quanto a suspensão pode ser dura no dia a dia. Mas rodas de 21 polegadas (cerca de 53 cm), 10mm a menos de altura em relação ao solo e suspensão de competição com coilovers sugerem prudência ao encarar asfalto remendado.

Quanto aos travões, há um conjunto gigantesco na frente: discos cerâmicos de 370mm. Quando chegam à temperatura ideal, dá para pisar sem dó e repetir quantas vezes quiser.

Visual e chances de virar um RS3 sedã

E o visual, convence, certo?

Concordamos. Os para-lamas alargados - ao estilo RS4 - e as saias laterais reforçadas em CFRP dão aquele ar de “brigador”. Entram na conta também os espelhos prateados, os difusores dianteiro e traseiro (para melhorar o fluxo de ar), o aerofólio traseiro que também funciona como um aerofreio (em velocidades acima de 80 km/h / 50 mph), a grade frontal Singleframe e a tampa de combustível redonda. Por dentro, é A3 puro: acabamento excelente, com painel e instrumentos que parecem à prova de bala.

Dá para comprar um?

Como já tínhamos contado ontem, isto pode ser mais do que um exercício de fantasia. Dependendo da reação dos EUA e da China, é possível que um RS3 sedã apareça no começo de 2016.

O chefe do Quattro disse ao TG.com que o Clubsport Quattro foi um experimento para medir como esses mercados reagiriam a um sedã RS pequeno. É óbvio que ele nunca chegaria à produção com 520bhp - isso serviu apenas para testar o limite absoluto do motor - mas algo acima de 360bhp (cerca de 268 kW)? Aí já fica bem mais viável. E, se conseguir manter esse rosnado, fazer mais barulho dentro e garantir que a suspensão não quebre os ossos, a gente fica interessado…

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