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Shell apresenta o Triple 10 Challenge Concept e o desafio “Triple 10”

Carro esportivo branco com detalhes pretos e amarelos em showroom moderno com piso refletivo.

Durante muito tempo, a forma mais comum de lidar com a conhecida “ansiedade de autonomia” nos carros elétricos seguiu um caminho direto: aumentar o tamanho das baterias para entregar mais alcance.

Só que há uma visão diferente ganhando força - e a Shell parece estar nela. Em vez de simplesmente ampliar a capacidade, a aposta seria em recargas muito mais rápidas e em baterias menores, desde que acompanhadas de ganhos relevantes de eficiência.

Para sustentar essa ideia, a empresa apresentou o Triple 10 Challenge Concept, um protótipo criado para provar que dá para cortar de maneira significativa o tempo de carregamento e melhorar a eficiência energética com uma gestão térmica mais inteligente, e não apenas com baterias cada vez maiores.

O desafio “Triple 10”

O nome do projeto resume as três metas que guiaram o desenvolvimento do conceito: atingir uma eficiência de 10 km por kWh (10 kWh/100 km), carregar a bateria de 10% a 80% em menos de 10 minutos e manter a pegada de carbono do veículo em torno de 10 toneladas de CO₂ equivalente ao longo de todo o ciclo de vida.

De acordo com a Shell, o conjunto de objetivos foi viabilizado por uma combinação de soluções de engenharia, com ênfase em um sistema de gestão térmica projetado especificamente para veículos elétricos.

O núcleo dessa proposta é um fluido dielétrico desenvolvido pela Shell para resfriamento por imersão da bateria.

Diferentemente dos arranjos tradicionais, que usam circuitos de água e glicol, essa abordagem permite refrigerar as células diretamente e, ao mesmo tempo, adotar um único circuito para administrar a temperatura dos demais componentes do conjunto motriz.

Segundo a empresa, essa arquitetura deixa o sistema menos complexo, reduz o peso total e melhora a capacidade de dissipar calor - sobretudo durante recargas rápidas.

Menos bateria, mais eficiência

A Shell afirma que o Triple 10 Challenge Concept entrega um ganho de eficiência energética superior a 30% em comparação com muitos veículos elétricos atuais.

Com esse avanço, seria possível diminuir o tamanho da bateria sem prejudicar o uso do carro no dia a dia. Além de reduzir o peso, a companhia estima que um pack menor e com arquitetura simplificada pode cortar os custos do conjunto em cerca de 25% - um número expressivo, embora não seja o aspecto mais chamativo.

Esse destaque, para a Shell, está no carregamento. A empresa diz que o protótipo vai de 10% a 80% em apenas 9 minutos e 54 segundos usando um carregador rápido DC de 175 kW.

A Shell ressalta que muitos elétricos que hoje chegam perto desses tempos costumam depender de carregadores consideravelmente mais fortes, frequentemente acima de 300 kW.

Nesse cenário, o protótipo conseguiria acrescentar aproximadamente 24 quilômetros de autonomia por minuto de recarga, exigindo uma infraestrutura menos extrema.

Um laboratório sobre rodas

O Triple 10 Challenge Concept não foi pensado para virar um carro de produção. A proposta é funcionar como uma vitrine tecnológica, desenvolvida em parceria com a RML (responsável pela bateria), a Empel Systems (que criou o motor elétrico e a unidade motriz) e a HORIBA MIRA (encarregada da integração e validação do projeto).

Mesmo assim, em declarações à Autocar, Toby Rockstroh, responsável pelos ensaios de aplicações energéticas da Shell, argumentou que a tecnologia tende a fazer mais sentido em carros urbanos do que em modelos maiores, por atender melhor motoristas que dependem da rede pública de carregamento.

“Quem compra um SUV grande, com muita autonomia, pode nem ter problemas com o carregamento rápido, porque vive numa zona residencial, tem uma wallbox em casa e carrega durante a noite. Depois, quando precisa, beneficia da conveniência do carregamento rápido” afirmou.

“Mas onde é que esta tecnologia faz realmente mais sentido? Na nossa opinião, é nas zonas urbanas, onde nem sempre existe acesso fácil à infraestrutura de carregamento e é preciso carregar o carro durante o dia”, explicou Rockstroh.

Mais do que apontar para um futuro modelo específico, a Shell quer evidenciar que o próximo salto dos carros elétricos pode depender menos de baterias maiores e mais de eficiência e de uma gestão térmica bem otimizada.

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