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Teste: Citroën C4 Picasso MPV

Carro elétrico Citroën C4 Picasso azul em ambiente interno, estilo SUV compacto moderno.

Enquanto algumas marcas, como a Ford, se esforçam para fazer seus MPVs parecerem hatchbacks “normais” - um disfarce que quase sempre fica meio desproporcional - a Citroën vai na direção oposta: para ela, um MPV tem que parecer um MPV, porque não há vergonha nenhuma em dirigir um. Justo. E se, como muita gente gosta de imaginar, um esportivo é símbolo de virilidade, então um carro de família grande é para quem já não precisa provar nada.

No novo C4 Picasso, dá para perceber isso logo de cara. Ele assenta bem na estrada, ajudado pelos balanços mais curtos e pelo entre-eixos maior. A Citroën quer que seus carros pareçam acessíveis e simpáticos. Visto de frente, eu penso num “tubarão amigável”, o que talvez não fosse exatamente o objetivo deles. Atrás, as lanternas em 3D e a tampa do porta-malas tipo concha têm um quê de Audi - no bom sentido.

Por dentro, a área envidraçada é enorme, então a sensação é quase de estar ao ar livre. Com o carro desligado, o painel parece praticamente “limpo”, sem aquele monte de botões e comandos. Ligue o carro e duas telas ganham vida: a inferior é uma central de 7 polegadas com touchscreen. A hierarquia de menus e os gráficos são bem resolvidos. Acima dela, há uma tela de 12 polegadas, tamanho de TV de boteco, para os instrumentos principais e outras informações configuráveis.

Espaço - o item mais importante nesta categoria - é um ponto forte, graças ao entre-eixos maior. E a versatilidade acompanha: os cinco bancos correm nos trilhos e reclinam, e ainda há tantos porta-objetos e nichos escondidos que, se você alugar um para viajar nas férias, é bem provável que esqueça alguma coisa lá dentro.

Assim como no visual, a dinâmica não tenta fingir que isto é um hatch esportivo. Ele toca a vida sem muita algazarra e entrega uma rodagem agradavelmente macia. Isso traz mais rolagem de carroceria e subesterço, mas em curvas você sempre entende o que o carro está fazendo. Em alta velocidade, faria bem ter um pouco mais de autocentralização da direção - em alguns momentos eu acabei “passeando” nas faixas da rodovia, acionando um dos incontáveis alertas eletrônicos. Ah, e o engate do câmbio é meio molenga.

Este Picasso é realmente novo. Ele estreia a plataforma modular de próxima geração do grupo Peugeot-Citroën: assoalho, chassi, eletrônica e mais. A estrutura foi pensada para “sair do caminho” e liberar mais espaço para pessoas e para o design; por isso o balanço dianteiro ficou 116 mm mais curto, o que ajuda a eliminar aquele visual bicudo típico dos carros do grupo francês. E, ainda assim, há melhor proteção em batidas, e a carroceria certamente passa uma sensação de rigidez. O ponto crucial: o conjunto também ficou bem mais leve - menos 70 kg na plataforma e mais 70 kg no restante.

Com a redução de peso, a aerodinâmica melhor e os motores, o resultado é uma boa economia de combustível. Uma versão diesel de 90 bhp emite menos de 100 g/km de CO2. Eu estou no diesel de 115 bhp. Em relação ao anterior, ele é um segundo mais rápido no 0–100 km/h e faz 70 mpg oficiais em vez de 55 mpg. É suave e silencioso o suficiente, mas não gosta de ultrapassagens, e você vai penar para manter o ritmo se estiver com o carro cheio. Mas, claro, seus passageiros atrás também não querem que você ande como se estivesse em pista. Isto é um MPV.

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