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BMW iX xDrive40: teste e comparação com o xDrive50

Carro elétrico BMW iX XDR40 azul em showroom moderno com carregador ao lado e grande janela ao fundo.

O iX é o primeiro elétrico desenvolvido do zero pela BMW desde a chegada do i3 e desembarcou em duas configurações: xDrive50 e xDrive40.

A primeira é a mais forte (523 cv), também a que traz o maior pacote de baterias (105,2 kWh de capacidade útil) e, como não poderia deixar de ser, a mais cara, com preços a partir de 107 000 euros.

Diante disso, fica a dúvida: será que o iX xDrive40 testado aqui, com “apenas” 326 cv e bateria de 71 kWh de capacidade útil, é a opção que faz mais sentido levar para casa? As próximas linhas trazem a resposta…

Interior especial

Antes de qualquer veredito sobre o conjunto elétrico ou sobre o comportamento em estrada, é impossível não começar pelo visual - ele simplesmente não passa despercebido.

Há quem deteste e há quem não consiga desviar os olhos, mas uma coisa é certa: ninguém fica indiferente. Não sei se esse era o alvo dos designers da BMW, mas se era… «chapeau», eles acertaram em cheio!

Com medidas bem próximas às de um BMW X5, o iX impõe respeito na rua. Ainda assim, é o interior - com cara de verdadeiro carro-conceito - que mais chama atenção.

O protagonista, como era de se esperar, é a tela multimídia curva e horizontal, que integra dois displays diferentes: um para o painel de instrumentos, com 12,3”, e outro para o sistema de infoentretenimento, de 14,9”.

Mesmo assim, dá para notar de longe o volante hexagonal, o painel minimalista (e bem baixo!) e, claro, os dois bancos dianteiros, que mais parecem duas poltronas de sala.

É uma cabine que merece ser explorada com mais calma e, por isso, deixo o convite para assistir (ou rever) o ensaio em vídeo que o Diogo Teixeira fez do iX xDrive50:

Agora, os motores…

Esta versão do iX usa dois motores elétricos: um dianteiro com 200 kW (272 cv) e 352 Nm, e outro traseiro com 250 kW (340 cv) e 400 Nm. São exatamente os mesmos do xDrive50 mais potente, mas aqui o conjunto entrega “só” 240 kW ou 326 cv (385 kW ou 523 cv no xDrive50) e torque máximo combinado de 630 Nm (765 Nm no xDrive50).

Para alimentar tudo isso, há uma bateria de 76,7 kWh de capacidade (capacidade útil de 71 kWh), que aceita recarga com potência de até 150 kW. Em um eletroposto de carga rápida, dá para recuperar 80% da carga em 31 minutos.

Com esses números, o iX xDrive40 - que, como o “x” no nome indica, tem tração integral - faz a aceleração de 0 a 100 km/h em 6,1s e atinge 200 km/h de velocidade máxima.

E considerando os 2440 kg na balança, admito que o «poder de disparo» deste SUV me surpreendeu. Mas a pergunta que eu carregava era outra: e quando a estrada começa a virar?

Dinâmica: um grande desafio

Apesar do porte e do peso, este iX foi projetado para manter o comportamento dinâmico e o prazer ao volante que transformaram a marca de Munique em referência.

E, sinceramente, nesse quesito ele vai bem melhor do que eu esperava. Não é esportivo, longe disso. Aliás, muito longe disso. Mas é competente, confortável e deixa a condução mais tranquila. E prazer ao dirigir também passa por aí.

É realmente impressionante o trabalho da BMW neste modelo: mesmo com rodas de 22”, ele encara asfalto ruim sem drama e entrega sempre uma rodagem refinada, silenciosa e macia.

Vale lembrar que a unidade testada não tinha suspensão a ar nem esterçamento das rodas traseiras - dois itens que são de série nas versões xDrive50.

E isso só evidencia o cuidado no projeto, a rigidez da carroceria e, claro, os motores elétricos, sempre discretos: o pouco ruído que produzem nunca chega a incomodar dentro da cabine.

Voltando ao que se sente ao volante, preciso reconhecer que a direção é surpreendentemente boa. E a tração trabalha com muita eficiência, mesmo quando aumentamos o ritmo. Mas, de novo, a eficácia vem antes da diversão, o que quase sempre nos leva a uma condução menos agressiva e mais relaxada.

A potência certa?

É fato que o xDrive50 entrega quase mais 200 cv e que a BMW já prepara uma versão ainda mais forte, o xDrive M60, que terá, pelo menos, 600 cv. Ainda assim, guiando este xDrive40, em nenhum momento senti falta de potência.

Tenho certeza de que esta pode ser uma opinião um tanto polêmica, mas, para um SUV elétrico com este perfil, a potência (e o torque) do iX xDrive40 parece simplesmente e perfeitamente adequada - senti o tempo todo que tinha a potência certa à minha disposição.

Mas a autonomia…

No xDrive40, a BMW anuncia 424 km de autonomia (WLTP) para o iX. Porém, nos quatro dias e meio em que fiquei com ele - foram, no total, 789 km - entendi que é praticamente impossível chegar a esse número, a não ser que o uso seja 100% urbano. E, mesmo assim, pode ser difícil.

Na cidade, o melhor consumo que registrei foi 17 kWh/100 km. Fazendo as contas com base na capacidade útil da bateria (71 kWh), isso indica que, nesse «ritmo», a autonomia esperada seria de 417 km.

Mas, conforme saímos do ambiente urbano, esse resultado cai: em rodovia, com o ar-condicionado ligado apenas em alguns momentos e o controle de cruzeiro travado no limite de velocidade previsto por lei (120 km/h), obtive média de 24 kWh/100 km.

Na prática, nesse cenário, o máximo que consegui “arrancar” do iX xDrive40 foi 295 km de autonomia. Ainda assim, é justo dizer que, com o ar-condicionado desligado e mantendo uma velocidade um pouco menor, de 110 km/h, consegui reduzir a média para 22 kWh/100 km, o que permite chegar a 322 km com uma carga.

É o carro certo para você?

Não existe uma resposta única: tudo depende do «bolso» e do que cada pessoa precisa. Mas há algo que posso afirmar: considero esta a versão mais interessante do BWM iX - entre as que conhecemos até agora - e, por isso, a que eu escolheria.

E a explicação passa novamente pela potência. Apesar de o xDrive50 ser bem mais forte, eu não senti falta de «poder de fogo» ao volante desta versão de entrada - muito pelo contrário.

Depois vem a velocidade de recarga: o iX xDrive40 aceita até 150 kW, enquanto o xDrive50 chega a 200 kW. Só que os eletropostos capazes de entregar esse nível de potência (200 kW) no nosso país ainda são poucos e relativamente caros; nos demais, não haverá diferença.

E isso nos leva à autonomia, que é, de fato, o ponto que mais separa as duas versões: se o xDrive40 promete 424 km (WLTP), o xDrive50 declara 630 km (WLTP). Para quem faz viagens longas com frequência, essa diferença pode pesar bastante na escolha.

Por fim, é preciso olhar para o preço. Sim, ambos custam caro, mas para “chegar” ao BMW iX xDrive50 é necessário desembolsar, no mínimo, 107 000 euros, enquanto o iX xDrive40 parte de 89 150 euros - praticamente 18 mil euros a menos.


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